Archive for the ‘Reflexão’ Category

O que você entende por Budo?

domingo, julho 6th, 2008

Essa foi a pergunta que o amigo Marcel me fez na comunidade Estudos sobre Karate lá no Orkut. Vou colocar aqui a minha resposta:

É engraçado como passa um filme na minha cabeça quando alguém me pergunta o que é Budo…
No ano passado o amigo Filié me honrou com sua visita ao meu Dojo quando eu disse que tinha grande interesse em conhecer a escola Shotokai. Disse-lhe que mantinha um site sobre Karate e gostaria de expor algumas informações para os usuários karatecas.
Durante a nossa conversa, lembro-me dessa ter sido uma das perguntas:
“- Carlos, o que é Budo para você?”
Refleti alguns segundos sobre a pergunta e, naquele instante, me veio à mente a educação que recebi de meus pais, a educação que recebi de meu Sensei e a educação que transmito aos meus alunos através de minhas atitudes.

Minha resposta foi mais ou menos essa:

“- Budo pra mim é respeitar a minha família. Não adianta nada você ser um karateca exemplar aqui se quando você chega em casa
ofende sua mãe ou deixa de atender a um pedido dela…
Budo pra mim é respeitar as pessoas na rua. Se você vê uma pessoa idosa carregando uma sacola pesada, é sua obrigação oferecer-lhe ajuda.
E há poucos meses, Budo pra mim é tentar transmitir aos meus alunos tudo o que pude aprender e que colaborou na formação do meu caráter.”

Quase não consegui terminar a resposta com o pensamento em meus alunos. Não pude conter as lágrimas e me desculpei com o amigo Filié pois minhas palavras não saíam da minha boca por causa da emoção que transbordava em meu peito… (…).

Já decorei… E agora?

sábado, abril 26th, 2008

LEMA DO KARATE… De novo Sensei?!?!

O lema do Karatê-Do pode ser tido como uma razão para a vida, pode ser tido como um caminho a ser seguido.

Em todas as aulas nós repetimos o Dojokun. Por que?

O lema do Karatê-Do não deve ser apenas pronunciado, ele deve ser compreendido para ser colocado em prática. Na verdade, devemos colocar esses ensinamentos em prática todos os dias, sem exceção.

Não adianta ser cordial, humilde, honesto e prestativo no Dojo e ser arrogante ou egoísta fora dele.

Esforçar-se para a formação do caráter significa buscar isso a cada dia, a cada situação de nossa vida.

Se erramos mas temos um norte, vamos enxergar que erramos e buscaremos o acerto na próxima vez em que a situação se repetir. Esforçar-se é não esmorecer, é ter garra, é ter fé!

Esforçar-se para a formação do caráter transcende SABER como deve ser sua conduta, significa SER o que você julga ser o seu melhor.

E quando se É, não é preciso dizer. Suas ações falam mais que as palavras.

Oss!

Pseudônimo

sexta-feira, abril 11th, 2008

Quando alugo um filme ou vou ao cinema
Não tenho preferência por obras baseadas em fatos reais
Pelo contrário, aprecio muito histórias de ficção
Mas comigo não!

Ao escrever sobre algum assunto
Geralmente exponho acontecimentos, aprendizagens, fatos
Não combina comigo a vaidade,
Consciente ou não, creio que sempre procuro escrever a verdade

Se a verdade é real, logo existe.
Isso às vezes pode relatar algo triste,
Noutras pode fazer alguém rir,
Com o sentimento de um retrato preto e branco poder colorir.

A vida é extraordinária pelo simples fato de existir,
Conhecer pessoas, ser abençoado com um amigo,
Presenciar a renovação da vida ao ver o sorriso de uma criança,
Seu brilho intenso no olhar enche nosso coração de esperança.

E falando de amigos é que me sinto tão bem,
Minhas lembranças transcendem, vão além,
Sem eles estas lembranças não existiriam,
E sem as lembranças, o que meus poemas diriam?

Por isso não usarei nenhum pseudônimo,
Pois quando escrevo me lembro de alguém, de acontecimentos (…)
Se eles não tivessem, em algum momento, entrado na minha vida,
esta frase por você nunca seria lida!

Me conforta saber que você está atento aos meus escritos,
A comunicação é inerente ao ser humano,
Se eu não tivesse a esperança de que você o leria,
Oras! Pra quê então eu o escreveria?

Sempre gostei de ir à escola, mas nem de todas as disciplinas eu gostava,
Lembro que numa aula de Ciências, estava atento as palavras da professora Mônica:
“O ser humano nasce, cresce, se reproduz e morre”.
Mas porque estou falando isso se talvez você achasse as aulas de Ciências um porre?

É para termos em mente que o ciclo da vida não pára,
Quero deixar a mensagem de que Você precisa aproveitar sua vida ao máximo,
Não deixe de dar carinho às pessoas que você ama e NUNCA, nunca sinta vergonha de demonstrar seus sentimentos mesmo se alguém estiver por perto,
Assim tenho certeza de que seu ciclo estará completo.

Carlos Camacho.

Este poema foi selecionado e será publicado na 22a. Bienal Internacional do Livro de São Paulo (9 a 19 de agosto de 2012, no Anhembi).

Diário de Bordo

terça-feira, março 25th, 2008

Enquanto isso no Dojo Shotokaikan…

No treino do último sábado que ministrei no Dojo Shotokaikan tudo fluiu muito bem no início da aula, mas depois um de meus alunos parou de treinar com Kime e investiu esforços em divertir a turma (…).

Se isso tivesse ocorrido no ano passado, provavelmente teria solicitado que se retirasse imediatamente do Dojo e o notificaria sobre uma suspensão. Além disso, o deixaria ciente de que se isso se repetisse, ele seria impedido de voltar aos treinos até que seus pais viessem conversar comigo.

Estou sempre aberto para reavaliar minhas atitudes e de uns tempos pra cá tenho pensado nessa conduta severa que mantinha como Instrutor.

Após longos períodos de reflexão e de alguns puxões de orelhas de amigos mais experientes mudei minha atitude sobre os atos de indisciplina dos alunos. O motivo da mudança poderia resumir-se com a seguinte pergunta:

“- Quem é que nos primeiros anos da vida escolar nunca jogou bolinhas de papel na cabeça do colega, usou uma caneta bic como zarabatana ou deixou percevejos na cadeira de outro aluno enquanto ele estava ausente?”

O que quero dizer é que todos nós erramos até que seja compreendido que determinadas ações não são corretas. Viver em sociedade é algo que aprendemos através de erros e acertos. E leva um tempo até conhecermos as regras.

Durante esse tempo, o professor (professor / pai / mãe / irmão mais velho etc.) tem papel importante nesse processo até que a criança consiga andar sozinha. Depois que compreendi esse importante papel, parei de suspender alunos por várias aulas e nunca mais expulsei ninguém do Dojo.

Não quero dizer que meu ponto de vista é o correto nem tampouco deve ser visto como um conselho, pois como diz a sabedoria popular, “se conselho fosse bom não seria de graça…” :)

Abração e bons treinos,

Carlos Camacho.

Ao amigo Wellington

domingo, março 23rd, 2008


Manhã de um sábado ensolarado
Kimono na mochila e um sorriso no semblante
Enquanto vizinhos dormiam e cães latiam
Saía pelo portão um Karateca andante

Coração a mil por hora pela compreensão do momento
Era o nascer de mais um dia, mais uma chance que não desperdiçarei
Consciente da responsabilidade que estava por vir
Crianças no Dojo Shotokaikan esperavam pelo Sensei

Na minha chegada, sorrisos de satisfação
Gestos que valem mais que mil palavras
Reconheço e valorizo os que dedicam sua vida ao ensino
Paciência, dedicação e amor são inerentes a quem chamamos de professor

Tudo em paz e harmonia na primeira parte do treino
Mas há ocasiões em que enfrentamos adversidades
Dois alunos treinaram sem Kime e vangloriavam-se ao fazer rir a turma
Mas naquele Dojo não há mais espaço para leviandades

Conheço dojos onde eles seriam expulsos
Pois alguns instrutores não toleram a indisciplina
Já tive de voltar pra casa por estar com o kimono amassado
Não critico nenhum método, foi só uma lembrança do passado

Amorosamente abordei os dois alunos
Explicando que pré-requisito para treinar é executar o que é pedido
Concordaram imediatamente em colaborar
Verificarei na próxima aula se isso foi realmente refletido

Raros os momentos em que impedi um aluno de treinar
O tempo e bons amigos fizeram-me enxergar
Fechando as portas para quem comete o primeiro ato de indisciplina
Só estaria colaborando para que a exclusão social se tornasse rotina

Veloz como uma ave de rapina
Perspicaz como quem almeja seguir um mestre
Se é que consegui assimilar algo de bom
Certamente isso está distante de ser um dom

Pessoas inteligentes lembram que temos dois ouvidos e uma boca
Isso nos remete à reflexão sobre esse significado
É necessário ouvir mais e expressar-se com parcimônia
Olhos vêem, ouvidos escutam e a boca fala.

Feliz por ter a chance de compartilhar tudo isso
Aproveito para agradecer um mestre com o qual estou em débito
Educador que me fez enxergar a beleza que é ter a oportunidade de ensinar
Muito obrigado por tudo, Sensei e amigo Wellington.

Quando um de meus alunos recebe uma graduação
Reflito sobre tudo que passou e silenciosamente agradeço
Sou eternamente grato à todos que colaboraram para que esse aluno mais um degrau tenha superado
Só gostaria que soubesse… Em momentos como esse, você sempre será lembrado.

Poesia

terça-feira, março 11th, 2008

Há algum tempo refleti
sobre o aprendizado que uma arte me proporciona
Naquele instante percebi
Todas as minhas ações têm sentido agora

Ao ar livre em meio aos pedestres
O verde do Burle Marx cegava a vista com sua beleza
Pude compartilhar aquela harmonia com amigos
Sem os quais tudo isso seria em vão

Meditação em meio a pássaros cantantes,
sons diversos sendo absorvidos um a um,
a respiração profunda e o espírito calmo,
eis um momento de contemplação

Subitamente vê-se com os olhos fechados
E a alegria invade o ser
Não porque estás no escuro e sozinho
Mas por estar alerta e conseguir enxergar a ti próprio

Sensação que nunca imaginei sentir
Por nunca ter procurado algo ali
Mas aquele momento mostrou-se eterno
O dia em que pude conhecer-me um pouco melhor.

Feliz Natal e Feliz 2008!

terça-feira, dezembro 25th, 2007

Feliz Natal e um Próspero Ano Novo!

Desejo à todos um Feliz Natal e um Ano Novo repleto de saúde, paz e realizações.

Carlos Camacho.

Balanço

domingo, dezembro 23rd, 2007

Geralmente nessa época as pessoas pensam como foi a ano. Relembram os aspectos positivos e negativos e fazem planos para o ano novo. Bem, aqui vou eu…

Como eu fui em 2007?

Foi um ano de muita reflexão e muito trabalho.
De algumas reflexões tirei conclusões e obtive conhecimentos que sem dúvida mudaram minha vida para sempre. Nossa! Como eu consegui escrever uma frase tão bonita sem que ela signifique absolutamente nada pra você? Eheheh! :) Ok, vou dar um exemplo:
Um amigo próximo teve um grave problema de saúde e quase faleceu. Apesar do susto, ele precisará fazer uso de medicamentos pelo resto da vida. Isso implica que ele não poderá ingerir bebidas alcoólicas nas confraternizações em que estivermos juntos, em hipótese alguma. No começo eu não bebia socialmente quando estava perto dele para que ele se sentisse à vontade.
Isso me fez pensar: olhando para o copo de chopp sobre a mesa ao lado pensava… se ele tomar somente 1 copo de chopp ele empacota, isso mesmo, morre!
Se 1 copo de bebida alcoólica pode matá-lo, certamente esse mesmo copo não fará bem algum ao meu organismo.
Concluindo, também parei de apreciar bebidas alcoólicas. Não quer dizer que fico de fora das festas!
Isso já não me faz falta, e mantenho os amigos de antes. Ok, eles diminuíram um pouco…
Outra vez meus alunos tiveram parte nisso tudo. Minha decisão de substituir a “breja” por sucos, refrigerantes ou água também foi devido ao fato de ter virado um exemplo para eles.
Em muitas aulas nós falamos sobre a filosofia do Karate como “formação do caráter”, “ser fiel para com o verdadeiro caminho da razão”, buscar a excelência do corpo e do espírito através da prática do Karate, etc. Acredito que não estaria sendo sincero com eles e nem comigo se depois desse bonito discurso, saísse do Dojo e sentasse na primeira mesa de bar para me embriagar (…).
Não quero criticar quem aprecia aquela cervejinha gelada com os amigos, já fiz isso muitas vezes.
Só desejo salientar que essa minha atitude fazia-me refletir que estava fazendo algo errado, que estava prejudicando minha saúde. Se no caminho do Karate buscamos ser fiéis ao verdadeiro caminho da razão, preciso buscar ter uma atitude que julgue ser o correto, sempre. Buscar essa meta muitas vezes causa a mudança de comportamento. Foi por isso que mudei meu comportamento com relação às bebidas alcoólicas. Simples assim.
Por outro lado, se você toma aquela cervejinha de vez em quando e acha que não há problema algum nisso, você também está certo! Acho que o importante é ter a consciência tranquila em tudo o que fizermos, sabendo que nossa atitude não está prejudicando ninguém.

Como foi meu Karate em 2007?

Às vezes penso que não rendi tudo o que tinha para render neste ano. Me dediquei muito aos meus alunos e a grande maioria de meus treinos foi em cima da série Heian. Não me arrependo de nenhum momento, pelo contrário, apesar de não treinar 2 kata avançados como havia combinado com meu Sensei (Kanku Dai e Gojushiho Dai), percebo que houve um bom desenvolvimento ao insistir no treinamento dos Heians. Minha preocupação em transmitir técnicas corretas aos meus alunos está fazendo com que meu Karate amadureça. Pra ser sincero acho que hoje estou na minha melhor forma com relação a série Heian, e devo isso aos meus alunos e é claro, ao meu Sensei.

O que espero para 2008?

Para 2008 desejo continuar praticando de forma assídua, desejo muita saúde e determinação para que cada karateca alcance todos os seus objetivos.

Oss!

Carlos Camacho.

Estilo Martinho da Vila

domingo, dezembro 16th, 2007

Quando cursava a universidade – verão de 1998 -, certa vez estava refletindo sobre a praticidade da quantidade de informação que estava absorvendo e questionei um mestre:
“- Professor, um dia nós usaremos mesmo todo esse conhecimento na nossa vida profissional?”
O mestre então respondeu:
“Às vezes 5 anos, algumas vezes 10 anos depois de formado você tomará alguma atitude e se lembrará: ‘Nossa! Eu vi isso na universidade!’ Certamente tudo o que você aprende aqui cedo ou tarde lhe será útil”.
Confesso que naquela época não botei muita fé nas palavras do mestre. Depois de 10 anos de formado até parece que eu me lembrarei de alguma coisa que estou aprendendo hoje – pensei.

O fato é que semana passada aconteceu algo que me fez lembrar desse professor.

Há 2 anos estávamos Sensei Ramon e eu treinando Jyu Kumite no Dojo. Sensei estava me explicando como deve ser a correta atitude durante a luta…

Repentinamente ele gritou: “- Ataque pra valer!”

Nesse momento avancei com toda minha força para desferir um gyaku suki. Antes que meu pé tocasse o chão Sensei aplicou um ashi barai e gyaku suzi, acertando-me e anulando minha investida.

Sensei esperou que eu recuperasse o fôlego e então disse: “- Quando estiver em combate, não pense em vencer!”

“- Oss!” respondi bem alto. A luta foi reiniciada e ele disse: “- Prepare-se, agora vou atacar..”

Sensei Ramon entrou com Gyaku e Kisame Zuki. Ambos atingiram altura tiudan e não tive chance de defesa… Sensei então ponderou: “- Quando estiver em combate, não pense em ser vencido!”

Durante esse tempo todo aquele dia não saiu da minha mente. Como eu poderia deixar de pensar em vencer, e ao mesmo tempo não pensar na derrota?

Mas há poucos dias me ocorreu algo: acho que comecei a entender o que Sensei estava me ensinando.

Numa luta devo me manter com total atenção. Devo estar alerta para tudo.

Não é possível estar em estado de alerta se minha mente estiver pensando seja em ser campeão ou em ser vencido. Não devem haver preocupações enquanto estou lutando. Acredito que foi isso que Sensei me ensinou e eu demorei todo esse tempo para compreender.

Agora entendo quando ele diz: “- Quando eu luto, não penso em ganhar ou perder”.

Não sei se fico envergonhado por ter demorado tanto tempo para assimilar o que Sensei Ramon me ensinou ou se fico feliz por finalmente ter conseguido compreender a visão dele.

Bem, vou ficar feliz e acreditar que cada um tem seu ritmo de aprendizagem. E o meu é estilo Martinho da Vila. É devagar, é devagar, é devagar, é devagar, devagarinho… :)

Oss!

Carlos Camacho.

Reflexões de Natal

sábado, dezembro 15th, 2007

Meditação

Olá amigos(as),

Neste post explanarei um pouco sobre algo que tem preenchido meus pensamentos há algum tempo…

Tenho me perguntado se o Karatê que vemos hoje em alguns Dojos, Academias e mídia é o Karate com o espírito de paz ensinado por Mestre Funakoshi. A resposta sincera que me vem a mente é: “-Não, não é”.

Muitas vezes ouvi colegas se queixando sobre o espírito de agressão com o qual eram atacados por seus adversários nas competições, muitas vezes até desrespeitando as regras estabelecidas pela competição (…).

Hoje muitos Karatecas (e professores) praticam visando exclusivamente a obtenção de boas técnicas para viabilizar o êxito em competições, aumentarem currículos, conseguirem patrocínio, fama, dinheiro, sucesso. Para obter tudo isso, não são raras as ocasiões em que um espírito desleal toma sua consciência enquanto estão na competição e seu adversário está pontos na sua frente, afinal o tempo está correndo e perder não está nos planos.

Será que quando Mestre Funakoshi criou o lema do Karate-Do, dentre os quais destaco “Conter o Espírito de Agressão”, ele imaginara que isso seria compatível com o espírito desse tipo de competidor em busca do ouro? Quem sou eu para dar essa resposta, é só uma das indagações que me faço às vezes…

Será que valores como o egoísmo, prepotência e vaidade tem origem no Karate ensinado pelo mestre ou são valores ocidentais (ou não) incorporados à prática indevidamente através dos tempos?

Já fui muito competitivo. Após algumas lições* hoje não sou mais.
*( http://blog.karate-do.com.br/2007/11/16/recordacoes/ )

Isso não é uma crítica para com todos que praticam o Karate Esportivo. Tenho consciência de que existem karatecas e professores sérios e que conseguem ensinar a lealdade, a disciplina e o respeito para seus alunos mesmo em meio ao treinamento esportivo. Quanto cito os valores não relacionados à ética, não estou generalizando, estou apenas explanando sobre o que tenho presenciado nos últimos eventos em que participei seja como técnico, árbitro ou espectador.

Acredito que o Kumite, assim como o Kihon e o Kata são essenciais e estão relacionados entre si quando falamos em um aprendizado eficiente de Karate. Mas quando treinamos o Kumite para competição, treinamos o sun-dome, a parada do golpe centímetros antes do alvo.
O treino constante de parar o golpe molda nossa técnica, e igualmente molda nosso Kime.
Com o Kime “preso” nessa metodologia de treinamento, conseguiremos usá-lo em sua totalidade se necessário for? Bem, eis aqui mais um dos paradoxos encontrados nas artes marciais: treinamos para não lutar (…).

Hoje uma aluna me disse que ouviu de um adulto que o Karate é algo excessivamente violento, e violência é ruim. Disse à ela – Evelyn – o seguinte:
Quando gritamos com alguém, xingamos alguém ou ficamos com vontade de bater em alguém, isso é violência. O ser humano tem a violência em sua essência. Se alguém lhe faz algo que você considera uma grande ofensa, instintivamente você vai querer bater nessa pessoa, a não ser que você raciocine que não é o correto a ser feito e controle sua raiva.
No Karate nós aprendemos a nos conhecer, reconhecer quando surge a raiva e assim aprendemos a controlá-la.
No Karate não existe atitude ofensiva. Você já reparou que todos os Kata começam com uma defesa? Um karateca nunca dá o primeiro golpe, ele evita a briga a qualquer custo. Sempre!
O fato de aprendermos a controlar nossa raiva, nos torna uma pessoa pacífica. E a paz é oposta a violência, por isso descordo do que essa pessoa lhe disse.

Terminado o assunto, realizamos o Zazen (meditação) e terminamos a aula.

Oss!

Carlos Camacho.