Archive for the ‘Reflexão’ Category

Aprender a lidar consigo mesmo…

quarta-feira, fevereiro 25th, 2009

Como o tempo passa… Quando nos damos conta, já é final de semana; quando menos esperamos, é Natal; e quando a euforia das festas termina, já é o início de um novo ano, uma nova jornada.

Nem sempre percebemos, mas seguimos na certeza de que tudo passa. Com a correria do dia-a-dia, ignoramos o fato de que o que temos já é suficiente para vivermos. Esquecemos que o importante não é TER, mas SER. Ser amigo, ser gente, ser humano!

A verdadeira humildade, uma das principais virtudes do SER humano, é perceber e dar o melhor de si sem se sentir superior; é ter consciência das qualidades, mas reconhecer os defeitos; é saber lidar com as dificuldades usando sabedoria e bom senso.

Sua vida pode ser o que você desejar, pois os caminhos escolhidos somos nós que decidimos. A beleza da caminhada só depende de nós. Viva os dias intensamente, apreciando cada momento, cada hora e minuto. A maneira de encarar e perceber a nossa própria existência faz toda a diferença.

O grande desafio do SER humano será sempre este: aprender a lidar consigo mesmo para SER plenamente feliz.

Pedro Hidekasu Oshiro.

Avaliação no Dojo

domingo, dezembro 7th, 2008

Hoje é o dia!

Dia de exame de faixa… que frio na barriga! :)

Lembro-me bem dessa sensação… Não consigo dormir bem na noite que antecede. Não consigo me alimentar bem na manhã deste dia.

Acho que cada um de nós reage de uma forma quando se aproxima um evento que julgamos importante.

Quando eu estava na faixa roxa (álbum) deixei de dar muita importância ao exame de faixa. Na verdade havia decidido não mais realizá-lo.

Até que o tempo foi passando… um, dois, dez anos. Comecei a ter vontade de transmitir os conhecimentos e tudo de bom que conquistei graças ao Karate-Do, mas a Federação só permitia que um faixa-preta fosse professor. Esse foi o motivo que me impulsionou a condicionar meu treinamento ao que é exigido nos exames.

Como já disse o amigo Flávio recentemente num comentário neste blog, eu também acredito que a avaliação de um Karateca no Dojo é algo mais complexo que o aspecto técnico.

Acredito que a evolução de um karateca é percebida pelo seu desenvolvimento emocional, cognitivo e técnico.

Um karateca deve aprimorar seu relacionamento com os amigos e familiares. Precisa distinguir o certo do errado e ter consciência para crescer com os seus erros. E eu colocaria em última instância a maestria técnica. Todo mundo sabe que se por algum motivo um karateca ficar alguns meses sem treinar, a sua agilidade diminui drasticamente.

Conheço karatecas (meus alunos) que tiveram um ano duro de treinamento, e alguns deles merecem uma nova graduação.

Alguns deles têm o conhecimento técnico necessário para realizar o exame mas não irão fazê-lo. Por que? A resposta está justamente no que citei sobre desenvolvimento emocional e cognitivo. Um karateca não deve repetir o Dojo Kun todos os dias sem refletir sobre seu significado. Ele deve incorporá-lo à sua vida. Deve se lembrar deste lema todos os dias para que sua atitude perante a vida seja justa e sincera.

Treinar Karate sem refletir no seu lema é como dirigir um carro olhando para o lado. É muito perigoso permitir que alguém acelere sem que se tenha total atenção no conjunto de variáveis que estão em jogo.

Oss!

A Cor das Faixas

quarta-feira, outubro 29th, 2008

Faixa Branca
A Faixa Branca (Shiro Obi) – Sem graduação (Mu Kyu):
Essa é a cor do desprendimento.
O branco reflete todas as cores. A própria cor dessa faixa indica que o seu portador ainda possui a ingenuidade e deve procurar manter a mente limpa. Entretanto, ele tem em potencial, todas as cores das demais faixas posteriores e assim como o fogo está na pedra, cabe a ele, fazê-lo brotar através da fricção do treino árduo.
A busca nesse grau é pela purificação e transformação, diante do infinito conhecimento que tem diante de si. Essa faixa nos diz que o iniciante deve buscar a humildade e a imaginação criativa, através da limpeza e da claridade dos pensamentos. É a cor síntese do arco-íris e a mais associada ao sagrado, pois simboliza paz, pureza, perfeição e especialmente o absoluto.
Ela nos diz que devemos buscar a pureza, sinceridade e a verdade. Repelindo os pensamentos negativos, procurando elevá-los, para que encontremos o equilíbrio interior, segurança e desenvolvamos o instinto e a memória.
O branco simboliza uma espécie de coringa, para todos os propósitos, é o substituto para qualquer cor, assim como uma tela em branco esperando para ser pintada.

Faixa Amarela
A Faixa Amarela (Kiiro Obi) – 6º Kyu (Rokku Kyu):
Assim como um sol que desponta todos os dias, ela significa que é um iniciante ou um recém-nascido no Karatê, que com o tempo irá crescendo e fortalecendo-se, até chegar a maturidade que corresponde a faixa preta.
Assim como o sol nascente o conhecimento começa a aflorar para o iniciante. Agora ele pode vislumbrar um pouco da iluminação da descoberta e da realidade do que é o Karatê. Entretanto, assim como o amarelo é uma cor primária, isto é, não pode ser formado pela mistura de outras cores, ele também deve manter-se puro dentro da escola de Karatê que escolheu ainda evitando misturar outras coisas aos conhecimentos que está recebendo para não se confundir dentro da senda do verdadeiro Karatê.
Assim como essa cor, essa graduação lhe traz a alegria, a vida, o calor, a força, a glória, o poder mental e representa o descobrimento. Ela lhe desperta novas esperanças no caminho, dando-lhe vivacidade, alegria, desprendimento e leveza. Agora ele deve procurar desinibir-se para desenvolver seu brilho, mas também diminuir a ansiedade e as preocupações, construindo sua confiança, energia e inteligência na solução dos problemas que surgirão.
A cor dessa graduação mostra que o praticante deve reter conhecimentos e desenvolver a luz da sabedoria e da criatividade, e assim como o sol, ela deve trazer a luz para as situações difíceis.
O Amarelo simboliza: criatividade, as idéias, o conhecimento, alegria, juventude e nobreza. Apesar do amarelo estar relacionado ao elemento terra, também é uma cor Yang e representa o descobrimento e a abertura para o conhecimento do Karatê.

Faixa Vermelha
A Faixa Vermelha (Aka Obi) – 5º Kyu (Go Kyu):
A cor vermelha sugere motivação, atividade e vontade. Ela atrai vida nova e pontos de partida inéditos.
Essa é a cor do fogo, da paixão, do entusiasmo e dos impulsos. É a cor mais quente, ativa e estimulante. Ainda é uma cor primária que não pode ser formada pela mistura de outras cores, mostrando assim, que o praticante ainda deverá manter-se puro e fiel ao estilo de Karatê que elegeu.
Essa faixa, pela sua vibração, dá mais energia física, mostrando que agora, mais do que nunca é necessária força de vontade para não desistir da conquista dos seus ideais. Persistência, força física, estímulo e poder são seus traços típicos.
Embora o vermelho represente agressividade, perigo, fogo, sangue, paixão, destruição, raiva, guerra, combate e conquista, também simboliza aquilo que deve ser contido pelo seu portador. Esta cor faz com que você se sinta mais vigoroso, expansivo e pronto para avançar adiante em algum sentido evidente. Ela tende a atrair o olhar das pessoas e chamar a atenção. Se você usar vermelho, isso pode indicar que tem ardor e paixão, ferocidade e força. As pessoas que gostam de ação e drama apreciam essa cor. É uma cor de uma energia muito forte e o praticante deve ter o cuidado e a persistência para não se deixar ser vencido por ela e desistir do caminho. Sendo a cor do sangue, o vermelho também está relacionado à vida e à força de uma energia vital máxima. Esta é uma cor Yang.

Faixa Laranja
A Faixa Laranja (Daidaiiro obi) – 4º Kyu (Yon Kyu):
Esta cor é a mistura do vermelho com o amarelo, representado que o conhecimento dos graus anteriores deve estar contido nesta graduação e trazendo as qualidades dessas duas cores. Nos diz que devemos procurar o sucesso no treino diário, agilidade, adaptabilidade, estimulação, atração e plenitude.
Essa cor também simboliza aquilo que o praticante deve buscar: o encorajamento, estimulação, robustez, atração, gentileza, cordialidade e tolerância.
Esta é a cor da comunicação, do calor afetivo, do equilíbrio, da segurança e da confiança. Quem chega nessa faixa deve acreditar que agora tudo é possível, pois essa cor estimula o otimismo, generosidade, entusiasmo e o encorajamento.
A cor laranja mostra ao praticante que ele deve fortalecer as energias e a sua vontade de vencer. A cor laranja está situada entre o elemento fogo e o elemento terra, portanto, carrega um pouco das características dos dois elementos. Também é uma cor Yang.

Faixa Verde
A Faixa Verde (Midori Obi) – 3º Kyu (Sankyu):
O verde é uma cor que representa Esperança e a Fé. É a cor mais harmoniosa e calmante de todas. Ela simboliza harmonia e equilíbrio.
Essa cor, que nos chega depois das cores quentes iniciais, nos dá a impressão de que chegamos a um oásis, depois de atravessar um árduo deserto, mas devemos saber que ainda há mais deserto a vencer.
Ela também representa as energias da natureza, esperança, perseverança, segurança e satisfação, fertilidade. O portador deve procurar desenvolver a sua sensibilidade para se comunicar com a natureza interna e externa a si mesmo.
Significa também a harmonia em que devemos estar com ela, junto com o ar, a água e o fogo, elementos da vida que proporcionam bem-estar ao ser humano.
Essa cor simboliza uma vida nova, a energia, a fertilidade, o crescimento e a saúde. Por outro lado, quando em mau aspecto, mostra um orgulho excessivo, superioridade e arrogância.
O verde é ligado ao elemento madeira e a primavera.
Representa o crescimento, desenvolvimento, natureza e saúde. Também significa a etapa da juventude, estando relacionado a este estado emocional, mostrando assim, que os conhecimentos ainda não se encontram bem claros ou maduros para os praticantes. Ainda lhes falta amadurecer mais e delineá-los melhor.

Faixa Roxa
A Faixa Roxa ou Violeta (Murasaki Obi) – 2º Kyu (Nikyu):
O roxo é uma mistura das cores azul e vermelho. Essa é a cor usada pelos sacerdotes católicos para refletir santidade e humildade.
Ela gera sentimentos como respeito próprio, dignidade e auto-estima.
Esta é uma cor metafísica. É também a cor da alquimia, das transformações e da magia. Ela é vista como a cor da energia cósmica e da inspiração espiritual.
A cor violeta é excelente para purificação e cura dos níveis físico, emocional e mental.
Simboliza: dignidade, devoção, piedade, sinceridade, espiritualidade, purificação e transformação. Quando em mau aspecto determina manias e fanatismo.
Representa o mistério, expressa a sensação de individualidade, influenciando emoções e humores, mas também simboliza a dignidade, a inspiração e justiça. Gera tensão, poder, tristeza, piedade, sentimentalidade.
Tendo isso tudo em mente, a cor desta graduação nos indica que devemos encontrar novos caminhos e elevar nossa intuição espiritual.

Faixa Marrom
A Faixa Marrom (Chairo Obi)– 1º Kyu (Ichi Kyu):
É a cor da solidificação. Representa a constância, a disciplina, a uniformidade adquirida e a observação das regras mantidas até aqui. Representa a conexão do praticante com o patrono do estilo que lhe foi passado, representado por seus mestres.
Para criar essa cor, você precisa misturar o vermelho com o preto e, portanto, ela tem alguns dos seus atributos. Também representa a autocrítica e a dependência dos mestres para chegar até aqui. Significa que se está completando o processo de amadurecimento, tanto nos conhecimentos técnicos quanto no aspecto mental.
Essa faixa, pela sua cor, emana a impressão de algo maciço e denso, compacto.
Sugere segurança e isolamento. Representa também uma poluição que deve sempre ser limpa, através da prática fiel aos princípios do Budô.
Uma pessoa que gosta de vestir-se com marrom por certo é extremamente dedicada e comprometida com o seu trabalho, sua família e seus amigos.
A cor marrom gera organização e constância, especialmente nas responsabilidades do cotidiano. As pessoas que gostam de usar essa cor são capazes de ir “à raiz das coisas” e lidar com questões complicadas de forma simples e direta. São pessoas “sensatas”.

Faixa Preta
A Faixa Preta (Kuro Obi) – 1º Dan (Sho Dan):
É a junção de todas as cores. Enfim o corpo e a mente chegaram ao final de uma jornada e ao início de outra mais elevada. A faixa na cor preta, representa humildade, autocontrole, maturidade, serenidade, disciplina, responsabilidade, dignidade e conhecimento. É a cor do poder, induz a sensação de elegância e sobriedade. Onde o que está fora não entra e o que está dentro não sai.
Observa-se que na maioria das sociedades ocidentais, o preto quase sempre é a cor da morte, do luto e da penitência, mostrando assim o estado mental de quem atingiu essa graduação.
Em geral, essa cor é usada por pessoas que rejeitam as regras convencionais ou são regidos por outras normas sociais, como é o caso dos padres ou dos guerreiros que seguem o Budô.
Essa cor também nos dá uma noção de tradição e responsabilidade. É a ausência de vibração da “não cor” que dá a sensação de proteção ou afastamento.
Por outro lado, absorve, transmuta e devolve as energias negativas, transformadas em positivas.
A meditação nessa cor permite a introspecção, favorece a auto-análise e permite um aprofundamento do indivíduo no seu processo existencial.
Remove obstáculos, vícios e emoções não desejadas. O excesso traz melancolia, depressão, tristeza, confusão, perdas e medo. A cor preta relaciona-se ao elemento água que adapta-se a todas as formas e contorna todos os obstáculos. É o símbolo do máximo Yin.

Fonte: http://karatesantamariense.blogspot.com/2008/01/o-significado-da-cor-das-faixas.html

Dúvidas no caminho…

sábado, outubro 25th, 2008

Com o silêncio da noite
Me deixei levar
Provavelmente despertei
Em horário aproximado
ao do Sensei Edimar

Meditei e levantei
Colocando-me em pé
Para afastar o sono de vez
Faço de minha companhia
Uma xícara de café

Abri o browser para navegar
a página é o login do Orkut
Após o login acessei essa comunidade
Ciente de que a distância
Não separa amigos de verdade

Em breve também estarei em aula
Tendo o prazer de reunir-me com outros karatecas
Um encontro no Dojo é sempre uma prece
Cada um em busca da própria superação
Sem perceber que o dia amanhece

Às vezes surge uma dúvida no caminho
Talvez seja natural para quem está a buscar…
Hoje mais uma dúvida tenho eu
É com prazer que vou compartilhar

Se o caminho é infinito
Se cada dia podemos e devemos nos esforçar
Se tivermos sorte
Certamente hoje seremos melhores que ontem
E amanhã seremos melhores que hoje

Se a evolução é constante
Por que exigem-me exames?
Para que obter segundo, terceiro grau?
Quem venera isso por favor não me entenda mal

Deixo essa questão no ar
Pois essa é a dúvida que atualmente está no meu caminho
O amigo que quiser ajudar-me na questão
Não se reprima, exponha o coração

Não precisa tentar responder com rimas
Não é preciso prosa ou poesia
Pois quando a mensagem vem do coração
Ela tem a sinceridade em si mesma
E como aquela propaganda de cartões de crédito já disse
Isso não tem preço…

Carlos Camacho

Transformação

quinta-feira, outubro 23rd, 2008

Não deveríamos manter os vícios confinados dentro de nós como prisioneiros.

Prisioneiros estão sempre planejando escapar.

Se transformarmos os vícios em nossos amigos, eles podem nos ajudar.

Por exemplo, a energia necessária para a teimosia é quase igual a da determinação, só que a primeira é negativa e a segunda é positiva.

A alma aprende a transferir tal energia.

Raiva torna-se tolerância.

Ganância vira contentamento.

Arrogância muda para auto-respeito.

Ken O’Donnell.

Reunião da Associação Shotokaikan

domingo, outubro 5th, 2008

Como estive ausente na reunião de 14 de setembro pois já havia me comprometido previamente com outro evento, nesta manhã chuvosa de domingo fui até o Dojo para a reunião que tinha como pauta principal a definição da data do exame de graduação de 2008.

Em conversa com o Shihan Ramon foi definida a data e hora: 14 de dezembro às 14hs.

A idéia é unificarmos as classes para que todos realizem exame de graduação juntos. Os alunos do Shihan, os alunos do Sensei Marcelo e meus alunos farão exame juntos. E após o exame faremos a nossa confraternização de final de ano.

Após a reunião fomos embora caminhando juntos de uma boa conversa sobre Karate-Do.

Falávamos sobre a relação existente entre Jutsu e Do. Em nenhum momento esses termos foram usados, mas esse era o foco da discussão.

Uma questão que me incomodava teve a oportunidade de ser colocada em pauta. Eis que perguntei ao Shihan:

“- Os mestres não afirmam que depois que realizamos o mesmo movimento 1000, 2000 ou mais vezes os músculos envolvidos nessa movimentação adquirem memória?”

- Sim. É verdade.

“- Então se treinarmos incansavelmente braços e pernas controlando a força para que seja possível aplicar a técnica em competições, nossos músculos não irão adquirir a memória de sempre controlar a força no momento do impacto?”

- É aí que se pode ver um artista marcial em ação. Vencer um adversário sem ferí-lo… O controle usado no shiai kumite é a demonstração de que um artista poderia ter causado graves danos ao seu adversário se fosse necessário.“. Nesse momento o Shihan falou sobre a história do chinês Huo Yuanjia, lembrando sua luta contra o japonês chamado Akutagawa. Segundo o Shihan, o lutador demonstrou Budo parando um golpe antes de atingir seu adversário. O golpe provavelmente terminaria o combate (…). Muitas pessoas não viram o que aconteceu. Muitas pessoas viram mas não entenderam.. E é para ser assim mesmo… O budoka não age para que os outros vejam, ele age para si próprio.

Ah! Quando eu assisti esse filme em outubro do ano passado acabei deixando a dica aqui.

Bem… As conversas com o Shihan são sempre extremamente enriquecedoras. Não sei se elas sanam as questões que tenho ou se desencadeiam uma série de outras questões (…). :P

Já aprendi que toda essa parte teórica/filosófica da arte é importante, mas não tem sentido se não mantermos a assiduidade no treinamento não é mesmo?! Então eu vou parar de filosofar e vou é treinar! :)

É interessante como aprendemos muito através do treinamento ao longo dos anos. Um dia um amigo (Sensei João Batista) fez uma analogia da evolução do nosso aprendizado no Karate com o passar do tempo versus as cores das faixas. Ele falava sobre a folha de uma árvore que em uma determinada estação do ano se solta e cai no chão. Essa folha está verde mas com o tempo vai escurecendo… Fica marrom e por fim volta a terra tornando-se adubo, fazendo com que o ciclo da vida recomece.

Mas por que eu me lembrei dessa história agora? Não disse que iria parar de filosofar? Heheh..

Agora chega. Estou indo treinar! :)

Abraços.

E os agradecimentos vão para…

quinta-feira, agosto 28th, 2008

Na sexta-feira de 15 de Agosto fiquei lisonjeado ao receber um telefonema do amigo Sensei Jair Davanso.

Ele iria fazer uma viagem importante naquele dia e perguntou-me sobre a possibilidade de substituí-lo numa aula de uma academia.

Prontamente respondi que era possível e teria prazer em fazê-lo.

A aula foi tranquila e tive a impressão de que os alunos gostaram.

Passaram-se alguns dias e somente ontem fui à academia conversar com o Sensei Jair.

É claro que levei meu kimono e aproveitei para treinar com a turma. :)

Antes da aula tivemos a oportunidade de conversar um pouco. Ele agradeceu muito o fato de eu ter dado aquela aula e ficou muito feliz em saber que tudo correu bem.

Após o treino conduzido por Sensei Jair, fiquei lisonjeado com as palavras que ele direcionou à toda turma:

Pessoal, tenho algumas palavras para vocês antes de encerrarmos a aula de hoje…

Dou aulas aqui há muitos anos e durante todo esse tempo faltei apenas 4 ou 5 vezes.

Como vocês já conhecem, esse é o Sensei Carlos. Na última vez em que faltei, solicitei ao professor Carlos que me substituísse para que vocês não perdessem a aula.

Todas as vezes em que isso ocorrer, eu exijo que vocês respeitem o Sensei Carlos da mesma forma que me respeitam. Gostaria que soubessem que, seja o professor Carlos ou seja qualquer outro professor, se eu convidar algum professor para me substituir é porque estou seguro de que ele é plenamente capaz de conduzir a aula de vocês sem nenhum problema. Significa que eu conheço muito bem e confio no professor que estiver com vocês enquanto eu estiver ausente.

É claro que não desejo precisar me ausentar, mas se isso voltar a ocorrer quero que estejam cientes disso e conto com vocês para que mantenham sempre o respeito“.

Nesse momento eu é que fiquei muito feliz com as palavras do Sensei Jair. O mais legal é saber que também posso contar com sua amizade, e é muito bom ter essa certeza.

Os meus sinceros agradecimentos vão mais uma vez para o Karate-Do. Sem ele sei que provavelmente nunca teria conhecido o Sensei Jair (…).

Os propósitos de Deus

segunda-feira, agosto 25th, 2008

Um depoimento

Ontem na comunidade ‘Estudos sobre Karate-Do’ do Orkut, o karateca Diego levantou a questão: O karate pode ser usado como uma terapia de ajuda? Um ser humano consegue melhorar sua confiança, superar traumas e crescer pessoalmente e espiritualmente? Através dele pode-se obter esperanças para o futuro?

Respondi o tópico do Diego, e transcrevo o meu depoimento abaixo:

Na semana passada, quarta-feira, meu coração dava a impressão de que iria explodir a qualquer momento, tamanha era a dor que eu sentia no peito…

Acabei de perder um familiar muito próximo, e o enterro foi no domingo de 17 de Agosto.

Essa semana estive questionando os propósitos de Deus, pois o meu querido Danilo era só um menino…

Na segunda-feira não tive condições de ir ao trabalho… Não conseguia dormir ou me alimentar pois o sofrimento da perda consumia todas as minhas forças…

Na terça consegui dormir algumas horas e fui para o trabalho. Todos me davam palavras de carinho mas isso só aumentava aquela angústia.

Na quarta meu coração parecia que iria explodir. Durante a tarde saí do trabalho e dei algumas voltas andando no quarteirão.. Chorei muito… Isso aliviou um pouco a dor que sentia no peito, mas ela ainda estava lá.
Sentia que neste dia também não iria conseguir dormir, então fui ao Dojo.

O Sensei não havia chegado. O amigo Marcelo estava fazendo aquecimento aguardando o Sensei… O cumprimentei e fui para o outro canto do Dojo.

Disse em pensamento: “- Bassai Dai!” e executei o Kata.
Depois mentalizei: “- Kanku Dai!” e executei o Kata.
Pensei “- Empi!” e executei o Kata.
“- Gojushiho Dai!” e executei o Kata.
Voltei a repetí-los, um a um, Bassai, Kanku, Empi e Gojushiho…
E de novo…
E de novo…
E de novo…
Até que um sentimento de paz invadiu meu peito. Compreendi que Deus quis assim.

Não iria adiantar continuar procurando razões para o ocorrido. O correto era ter fé e acreditar que isso tinha que acontecer.

Deus sabe a hora de cada um de nós. E a hora do Danilo havia chegado.

Sei que sentirei sua falta para sempre, mas sei também que ele está num lugar melhor do que eu agora. E sinto que de lá ele me dá forças para continuar aqui.

Na última sexta-feira foi a sua missa de 7o. Dia. Foi duro receber os abraços e sentimentos de familiares, amigos e conhecidos. Mas mais uma vez senti que ele lá de cima nos dava muita força para seguir em frente.

Sua mãe é minha sogra. Seu pai, meu sogro. Sua irmã, minha esposa. Juntos estamos mais fortes e sabemos que ele está bem agora. E recebemos uma energia boa que surge de forma inexplicável em nossos corações.

Na verdade sabemos que essa energia possui explicação.

Viu Diego, eu mesmo já busquei e achei um crescimento espiritual através do Karate-Do.

Ao querido Danilo Hessel Reimberg,

OSS!

Danilo Hessel Reimberg e eu

Por que eu treino Karatê?

terça-feira, agosto 12th, 2008

As diferenças existentes entre a nossa cultura e a cultura japonesa tornam essa questão muito interessante no sentido de permitir que se expresse o que há de mais importante sobre a sua prática: o seu umwelt, a sua visão de mundo.

Tenho certeza que um aluno do mestre Funakoshi não amava esse caminho, não amava kata, e não amava tudo no karatê. Seu árduo treinamento deixava-o exausto sempre. Fazia-o refletir sobre a finalidade de seu caminho…

E além disso: a cada grau obtido, não haviam sorrisos e fotos. Por que? Porque sua obrigação aumentava. O karateca sabia que ao ser aprovado num exame, aumentava a obrigação com o seu mestre, com o seu Dojo. Agora era necessário corrigir e auxiliar um número maior de karatecas que tinham graus menores que o seu. O número de técnicas a serem absorvidas/mantidas agora era maior, e isso iria exigir mais treinamento (…)

Por que eu treino? :)

Eu treino porque acredito que um professor, seja de karatê, de português ou de física, deve estar sempre atualizado e preparado para conduzir seu aluno ao próximo degrau na escada do conhecimento.

No caso do karatê, não vai adiantar eu ler um monte de livros ou assistir séries inteiras de filmes sobre artes marciais. O karatê é uma arte que se aprende através da prática. Por isso mantenho a frequência nos treinos e sempre peço para que meu Sensei me corrija. Faço isso para que meus alunos aprendam corretamente. Faço isso para que meu Sensei não pense que está “perdendo seu tempo” ao tentar transmitir-me seus conhecimentos. Faço isso porque algo em mim sempre diz: “- Kime!

Abraços,

Carlos Camacho.

Mais duas questões

domingo, julho 6th, 2008

O amigo Marcel elaborou mais 2 questões lá na comunidade Estudos sobre Karate do Orkut.

2. O seu entendimento do que seja Budo é transmitido em suas aulas (seja por você ou por seu Sensei)?

Eu acredito que todo professor almeja transmitir tudo o que sabe para seus alunos.
Se no seu conhecimento está inserido o Budo, naturalmente as pessoas que estão ao seu lado poderão perceber tudo isso.
Se sua conduta não é digna e ética, cedo ou tarde as pessoas também vão perceber.

3. Você concorda com a afirmação de que O BUDO NÃO TEM SIDO MAIS ENSINADO NAS AULAS DE KARATE?

Pra mim Budo está no auto-conhecimento. Se você cria um ambiente com condições para que o aluno conheça-se melhor, acredito que este é um bom caminho.

Não posso concordar ou discordar com a pergunta pois para isso seria necessário frequentar todas as aulas de Karate existentes. Pensando bem, nem assim seria capaz de responder pois muitas vezes o que vemos não corresponde à realidade.

Nosso ponto de vista sobre determinado assunto é moldado segundo as vivências que tivemos até aquele momento. Dessa forma, um fato que pode nos parecer estranho num primeiro momento, será visto com outros olhos após passarmos por outras experiências na vida (…).