Archive for the ‘História’ Category

Medicine ball

quinta-feira, junho 30th, 2011

Como há algum tempo aquela tradução literal “Caminho das mãos vazias” está impregnada nas minhas idéias, nunca me passou pela cabeça utilizar alguma espécie de aparelho/equipamento para auxiliar nos treinamentos de Karate-Do.

Algumas vezes até mesclei um pouco de exercícios de academia (musculação) com as aulas de Karate, mas não gostei muito da musculação e essa fase foi bastante passageira… Meu irmão, ao contrário, prosseguiu com a musculação e abandonou o Karate-Do. Às vezes ele usava aquelas camisetas coladas ao corpo (baby look?) para exibir seus músculos e eu vivia rindo dele dizendo:
- Cara, só não me compra um pitbull pelo amor de Deus, hein?!
Ironia do destino (ou não), hoje em dia ele é casado e a esposa dele possui uma criação de pitbulls… Pense se não me acabei em gargalhadas quando ele contou a notícia. :)

Pit filhote
Nada contra quem gosta de musculação… só me divertia com aquele estereótipo de que o “cabra macho” tinha que fazer musculação e ser dono de um pitbull… No fundo meu irmão sabe que na verdade tenho grande admiração por quem tem a disciplina de prosseguir com a musculação. É necessário muita força de vontade para ter uma dieta saudável e praticar exercícios regularmente.

Bem, mas vamos voltar ao assunto principal do post. O que essa tal medicine ball tem a ver com o meu treino de Karate-Do?

Para começar a conversa, o que vem a ser isso?

Medicine ball (também conhecido como exercise ball, med ball, ou fitness ball) é basicamente uma bola pesada.

Geralmente é usada para reabilitação ou treinamento para ganho de força. Ela tem um importante papel no campo da medicina esportiva. Ela não deve ser confundida com aquela bola maior, cheia de ar, usada para exercícios de yoga (por exemplo).

Ontem usei uma medicine ball de 3Kg no treino de Karate-Do. Pesquisando, descobri que ela serve para aumentar o poder de explosão em atletas de todos os esportes. Elas tem diferentes formatos… mas a que usei se assemelha a uma bola de basquete como essa aqui:

Medicine ball

Existem outros tipos também como podemos ver:

Medicine ball

Medicine ball

Ainda há alguns menos comuns:

Medicine ball
Não me pergunte como se usa isso!!!

Curiosidade: boxeadores profissionais usam a medicine ball para aumentar seus músculos abdominais.
Como isso é feito? Imagine a cena…
1) O boxeador fica em decúbito frontal (deita no chão “de barriga pra cima”).
2) O treinador segura essa bola pesada lá no alto e solta de maneira que ela caia no barriga do boxeador que está deitado no chão…
3) AAAAAAAAAAaaaiiiiiiiiiiiiiiiiêêêêêêêêêêêê!!!!!!!!!!! (esse foi o kiai do boxeador no momento do impacto!)
Isso simula um soco desferido por um adversário (que pancada deve ser, hein?!)
Até lembrei da cena de um filme onde o mestre do artista marcial interpretado pelo Van Damme joga um coco lá do alto de uma árvore para justamente fortalecer o abdomen do karateca…
Só de lembrar a cena doeu aqui… :)

Achei esse trecho do filme! Clique aqui para assistir.

Outro treino legal com a medicine ball (esse eu fiz!) é:
1) Ficar frente a frente com outro colega;
2) Segurar a medicine ball próxima ao peito, separar e fechar as pernas 1 vez como se fizesse um polichinelo, jogar a bola para que seu colega agarre;
3) Ele agarra ela próxima ao peito, separa e junta as pernas 1 vez e joga novamente para você.
Na segunda repetição, cada colega vai separar e juntar as pernas 2 vezes antes de jogar a bola. Na terceira vez, 3 vezes antes de jogar a bola e assim sucessivamente até que cada colega faça 10 polichinelos antes de jogar a bola.
Isso fortalece braços, peitoral e músculos das pernas.

Abraços.

Um dia de ouvinte em uma palestra

quarta-feira, junho 15th, 2011

É sempre bom buscarmos a especialização e aperfeiçoamento no nosso ramo de atividade, não é mesmo?

E como fazer isso? Geralmente as pessoas buscam cursos, livros, revistas, participam de encontros sobre o assunto, dentre outros.

Ontem tive o privilégio de participar de um grupo de ouvintes de uma palestra proferida por uma professora especialista em sua área de trabalho.

Você deve estar pensando… puxa, dessa vez eu duvido que a palestra foi sobre Karate-Do!

Duvidou? Perdeu! :)

Tive a honra de assistir uma palestra da Profa. Luci Nakama.

A Profa. Luci iniciou sua prática no Karate-Do em 1973. Como atleta, segue uma lista com suas principais conquistas:

- 15 títulos de Campeã Paulista
- 10 títulos de Campeã Brasileira
- 2 títulos de Vice-Campeã Sul-americana
- 2 títulos de CAMPEÃ SUL-AMERICANA
- 1 título de 3º lugar Pan-americano
- 3 títulos de Vice-Campeã Pan-americana
- 1 título de CAMPEÃ PAN-AMERICANA
- 9º lugar Campeonato Mundial do Egito
- 8º lugar Campeonato Mundial do México
- 15º lugar Campeonato Mundial do Japão

Como técnica de Kata da Confederação Brasileira de Karatê (CBK) já conquistou títulos em países como México, Colombia, Argentina, França, Estados Unidos, Grécia, Chile, Itália, Espanha, Equador, Canadá, dentre outros.

A palestra iniciou com uma aula completa sobre anatomia humana. Depois de explicar sobre o funcionamento do nosso corpo, a Profa. Luci falou sobre a necessidade da atividade física para que tenhamos saúde.

E então entrou na parte que eu mais esperava. Como o Karate-Do é capaz de trabalhar no fortalecimento de músculos internos, colaborar para uma boa circulação sanguínea e evitar riscos como problemas cardíacos e problemas nos ossos como a osteoporose.

Isso sem falar no equilíbrio emocional que o praticante adquire com o tempo, não é mesmo?
Se aprende a desenvolver a visão periférica, o estado de alerta, a leitura do corpo de quem se aproxima da gente na rua antecipando-se a uma situação de perigo (…).

Profa. Luci Nakama, muito obrigado pelos ensinamentos.

Luci Nakama Sensei

Abraços.

Sakki

sábado, abril 30th, 2011

Um dia perguntaram para Masatomo Takagi Sensei sobre Funakoshi Sensei, e esta história foi contada:

Já em idade avançada, Sensei Funakoshi não treinava como antes. Porém, pediu a mim (Takagi) que o ajudasse nos treinamentos, tentando atacá-lo sempre que achasse que ele estivesse desatento. Evidentemente que achei aquilo meio bobo, já que eu nunca ousaria fazê-lo tendo em conta sua idade avançada. Meu respeito por ele não admitiria isso.

Porém, fui repreendido severamente diversas vezes por não fazê-lo até que um dia, percebendo-o no canto do Dojo, em aula, dando uma leve cochilada, aproximei-me dele bem devagar e quando estava bem perto, lancei um Uraken bem rápido em sua direção. O golpe foi facilmente desviado, apenas com um movimento lateral de cabeça.
No mesmo instante ele disse:

- Sem chance Takagi, acho que você deveria treinar mais Karate, está muito lento.

Evidentemente que quando contei a meus amigos o ocorrido, disse a eles que talvez Funakoshi Sensei estava brincando de gato e rato comigo, que na verdade ele estava fingindo estar dormindo só pra me pegar.

Até que certo dia, já na Takudai University, num Gashuku, tive que entrar no quarto do mestre para pegar meu Karate-Gi pois compartilhavamos o mesmo quarto. Ao adentrar o quarto, percebi que o Mestre estava num sono profundo. Momento ideal para um ataque surpresa e cheguei a aproximar-me dele com o pensamento bem fresco em minha mente.
Na hora H, pensei o seguinte. Ele não terá chance se eu atacá-lo agora, portanto não farei nada e amanhã cedo lhe direi que o fiz, e que ele nem percebeu. Neste mesmo instante, como se lesse meu pensamento, ainda de olhos fechados ele me disse:

- Takagi, vai atacar logo ou vai ficar aí pensando nisso a noite toda?

Juro, isso aconteceu de verdade! A partir daquele instante nunca mais ousei desconfiar do Sensei.
Essa habilidade se chama em japonês Sakki (literalmente sentir a morte), e é o que buscamos nas Artes Marciais e especialmente no Karate-do.
É aquele sentimento de previsão de perigo, que algo errado está prestes a acontecer. Se conseguirmos sentir isso numa luta, antecipando o ataque do adversário, jamais perderemos uma batalha.
Hoje em dia vemos dezenas de milhares de pessoas, desenvolvendo suas habilidades físicas nas Artes marciais, esquecendo-se do espírito.
Por isso mesmo, quanto mais velho fico, mais distante de me sentir somente um lutador me sinto. Karate é escola de vida.
Melhor adquirir Sakki…

Adaptação de texto escrito originalmente por Roberto Sant’Anna. – http://wwwkenshuseikarate.blogspot.com

Um karateca Esloveno?

sábado, janeiro 29th, 2011

Eslovenia

Hoje conheci pessoalmente o amigo Marjan M. Simonchich.

Esloveno, Marjan realiza um trabalho esotérico muito interessante aqui no Brasil.

Hoje conversamos muito sobre adivinha o quê? Sim, karate.

Marjan treinou até a faixa roxa na Eslovênia e disse sentir muitas saudades da prática do Karate-Do pois não encontrou um lugar para treinar aqui no Brasil.

Ele contou sobre um mestre 6o. Dan chamado Takashi com o qual ele treinava por lá… Num dia ele estava trocando as telhas da sua casa e começou aquele temporal… era muita chuva e vento… ele tentava cobrir o telhado com uma lona plástica mas a coisa estava difícil… Marjan conta que quando Takashi Sensei viu a cena, correu e de imediato começou a ajudar. Ele se lembra da agilidade do mestre. Da velocidade e da facilidade com que o ajudou a executar o trabalho (…).

No espaço de seu escritório que fica próximo ao metrô Praça da Árvore, Marjan conta que de vez em quando executa sozinho os movimentos que ainda se lembra dos Kata…

Foi só apresentá-lo ao site www.karate-do.com.br e ele ficou super entusiasmado. Disse que agora vai poder relembrar os Kata através da área de Vídeos e pretende procurar um Dojo próximo de sua casa aqui em São Paulo para retomar os treinos.

Entre uma história e outra sobre o mundo das artes marciais é perceptível o ótimo astral e o Ki que este karateca cultiva. Foi um prazer conhecê-lo.

Abração Marjan!

Mais um dia daqueles que a gente nunca esquece

sábado, novembro 27th, 2010

Nishimoto Sensei

Hoje conheci pessoalmente Nishimoto Sensei.

Se pudesse resumir a impressão que tive do mestre em uma palavra, acredito que esta seria: simplicidade.

Fiquei lisonjeado pois o mestre convidou-me para fazer uma aula experimental amanhã pela manhã (…). Não preciso nem dizer que meu kimono já está na mochila.

Se nós karatecas às vezes reclamamos (mesmo em silêncio) da rigidez de um bom treinamento de Karate-Do, imagino como deve ter sido a trajetória de alguém que tornou-se mestre numa arte marcial…

Clique aqui e veja uma biografia resumida de Nishimoto Sensei.

Abraços.

Papel de Parede

sábado, abril 3rd, 2010

Há algum tempo lembro-me que tive um dia bem diferente de todos os outros. Acordei de madrugada, providenciei uma mochila com meu kimono e uma faixa branca, e dirigi-me para um bairro chamado Casa Verde aqui em São Paulo.

Meu destino era um dojo de um Sensei de Aikido para realizar a minha primeira aula. Cheguei antes do Sensei, ainda estava escuro… com o nascer do sol o Sensei chegou para abrir o Dojo. Enquanto conversávamos e ele preenchia meu cadastro, os demais alunos começavam a chegar.

Lembro-me que na primeira vez que adentrei o Dojo, não pude deixar de perceber a beleza de um quadro na parede. Era uma pintura que foi dada de presente ao Sensei por um de seus alunos.

O quadro retratava uma cena do filme O Último Samurai que ficou eternizada na mente de apaixonados por artes marciais. Que bela lembrança!

Abaixo estou disponibilizando um link com essa imagem em tamanho bom o suficiente para colocá-la como papel de parede do seu computador.

Clique aqui e a imagem se abrirá numa nova janela.

Abraços.

Um velho amigo

sábado, agosto 22nd, 2009

Hoje fui até um Dojo próximo a minha casa e tive a honra de assistir a aula de um velho amigo, Sensei Fernando Félix…

Em sua aula só haviam dois alunos. Por serem iniciantes ainda treinavam trajando moletom e camiseta.

Era muito bom presenciar a paciência e dedicação de Sensei Fernando ao transmitir cada ensinamento. Depois da aula saímos juntos andando e conversando…

Conversamos sobre muitas coisas. Relembramos professores de Karate que já tivemos e que hoje, por um motivo ou outro, não podemos mais estar em seu convívio…

No meio dessa conversa pude sentir a emoção nas palavras de Sensei Fernando ao expressar a gratidão que tinha pelas pessoas que o ajudaram em sua trajetória. Lembro-me de um trecho de nossa conversa em que ele mencionou algo mais ou menos assim:

… não vejo a hora de concluir minha Faculdade de Educação Física, me reestabelecer, e poder retribuir tudo o que fizeram por mim…

Amigos(as), foram raras as vezes em que eu vi um homem demonstrando com tanta força sentimentos de gratidão.

Como seria maravilhoso se houvessem mais pessoas assim no nosso dia-a-dia. Pessoas de caráter, de honra, pessoas que sabem agradecer.

Ensinar Karate é doar seu tempo para ensinar às pessoas não meramente uma defesa pessoal, trata-se de ensinar a arte de viver bem, a arte de viver em paz consigo e com toda a humanidade.

Sensei Fernando Félix disse, em certo momento, que sentia-se mal por não poder ministrar treinamento várias vezes por semana. Chegou até a rejeitar alguns alunos diante de sua atual circunstância de dedicação aos estudos. Em tom de frustração, disse ainda que só tinha a possibilidade de ministrar treinamento “apenas” uma vez por semana.

E eu digo, encontrar tempo para ministrar uma aula por semana em meio a trabalho e estudos de graduação é um ato de extrema generosidade e preocupação com seu semelhante.

Sensei Fernando Félix, gostaria de dizer que sinto-me honrado por ser seu amigo.

Felizes são as pessoas que podem desfrutar de sua companhia todos os dias. Você é um professor da vida!

E tenha a certeza de que um dia colherá os frutos referentes as sementes que hoje você planta.

Um abraço com Kime,

Carlos Camacho.

Ronin

terça-feira, maio 19th, 2009

Ronin

Na história oriental, os senhores feudais mais poderosos de seus tempos eram conhecidos como Daimyo. Eles possuíam controle sobre imensos territórios e, soldados samurais, juravam lealdade aos senhores vindos dessas famílias.

De acordo com o Bushido, um samurai que perdesse o seu Daimyo deveria praticar o seppuku (suicídio também chamado de harakiri).

Na história dos samurais existiram casos em que um guerreiro não praticou o seppuku após perder seu Daimyo. Às vezes isso ocorreu por vontade do Daimyo, às vezes por outros motivos*.

Solitários, os ronin eram guerreiros que não seguiam o Bushido no que se refere à lealdade ao Daimyo, mas é preciso ressaltar algo importante aqui…

Ser ronin não era opção, era um destino.

Os ronin também portavam um daisho (duas espadas), o símbolo máximo da casta samurai.

Um ronin vivia peregrinando, fazendo um bico ali e outro aqui, normalmente em troca de refeições e de treinamento das artes samurai. Eles foram temidos por sua grande habilidade em combate e por sua independência do Bushido, o que os tornavam muito mais temíveis que os já temidos samurai.

*Vale a pena pesquisar sobre a história da vingança dos 47 ronin.

Parabéns!

segunda-feira, setembro 1st, 2008

Hoje o nosso Blog está comemorando seu aniversário de 2 anos.

No dia 1º de Setembro de 2006 escrevi pela primeira vez neste blog.

Hoje, dois anos mais tarde, é com alegria que vejo que o blog de uma forma ou de outra ajudou muitos amigos. Alguns karatecas, outros não.

Alguns comentários de posts tornaram-se saudáveis bate-papos. Amizades nasceram e relembramos ótimos momentos de nossas vidas.

Este espaço também foi cenário de desabafo, algumas vezes usado para relatar momentos de dor. Momentos estes que também revelaram-se de superação, de um renascer firme e forte.

Algumas autoridades do mundo do Karate nos honraram com sua visita e comentários no nosso Livro de Visitas. Nesse período tivemos mais de 33 mil visitantes.

Aqui reuniram-se pessoas e sentimentos, como ocorre no Dojo.

Este blog causou saudades em corações de karatecas que já praticaram muitos anos mas as circunstâncias da vida os impediram de continuar.

Causou alegria em pessoas que descobriram nessa arte marcial um modo de vida, e relatam isso com toda a sinceridade e amor.

E no que depender de nós – pois esse espaço foi construído em conjunto – esse blog ainda fará muitos aniversários.

Um forte abraço,

Carlos Camacho.

Homenagem aos 100 anos da Imigração Japonesa

domingo, julho 27th, 2008

Homenagem aos 100 anos da Imigração Japonesa

Capítulo I

Capítulo II

Capítulo III

Capítulo IV