Archive for the ‘Ensino’ Category

Escute o seu Mestre

domingo, abril 5th, 2009

Ontem ocorreu mais um feliz evento do Dojo Shotokaikan.

Sensei Ramon recebeu uma bela homenagem dos meus alunos na data de seu aniversário.

O Sensei admirou-se com o crescimento (no sentido literal da palavra) de alguns de meus (seus) discípulos, pois fazia algum tempo que não os via. É mesmo… quando criança nosso desenvolvimento físico e mental ocorre numa velocidade assustadora.

Por já ter um compromisso agendado não foi possível ao Sensei ficar até o fim da festa mas sua presença certamente trouxe-nos muita alegria.

Além da felicidade de poder compartilhar a companhia do Sensei, tivemos o privilégio de escutar suas palavras que são sempre engrandecedoras.

Perceba que os karatecas ali presentes não apenas ouviram, mas escutaram o discurso do Sensei. Há uma diferença.

Escutar é diferente de ouvir. Ouvir a gente ouve o que é dito no campo do significado estrito das palavras. Dojo é Dojo, Makiwara é Makiwara. Escutar exige treino e autoconhecimento. Já ouviram dizer que cada um aprende de um jeito? Muito bem.. então você não vai achar estranho se eu disser que cada um escuta de um jeito. Isso acontece porque cada um dá significados diferentes às coisas, e os novos significados que criamos ao escutarmos algo ou alguém é que nos difere das outras pessoas. Nosso conhecimento é único, nosso ponto de vista é singular.

É possível escutar o Sensei quando ele executa um Kata! Quando ele apresenta um bunkai no silêncio de uma aula no Dojo!

Um bom karateca é aquele que sabe escutar o seu mestre.

Abraços,

Carlos Camacho.

O Casamento, a União

domingo, março 15th, 2009

Tive a honra de ser convidado para o casamento dos amigos Jane & Joani.

Ontem a noite, dia 14/03/2009 foi uma data muito especial na vida deles. Neste dia eles passam a atuar juntos em seus projetos de vida, tornando-se uma única força, uma única fé, compartilhando sonhos e planos, vitórias e derrotas. Viver a vida em união.
Desejamos muita saúde, paz e prosperidade aos amigos recém-casados. Parabéns e felicidades!

União.

União é uma palavra que também tem especial significado no Karate.

Perceba isso em tudo o que fizer durante o seu treino.

Os antigos mestres vão além das percepções do Dojo e falam sobre a união com a natureza. Segundo as palavras destes sábios, o Kime (nossa força máxima) vem da terra!

Os mestres dizem que as forças da natureza fazem parte do Karateca, ou melhor, o Karateca está integrado à natureza.

Se está lutando em campo aberto durante o dia, fique com as costas para o sol de maneira que seu adversário receba a luz solar no rosto. Assim você usará a natureza a seu favor.
Se uma luta ocorre em campo aberto e há relevo, fique na parte mais alta de maneira que seu adversário tenha também a terra como obstáculo.
Essa integração com a natureza era parte da educação dos Samurais. Estes guerreiros conheciam muito bem a natureza e sabiam respeitá-la.

Vamos finalizar esse post voltando a falar da união.

Imagine-se no seu treino de kihon executando o oi-suzi (soco em avanço).

Nesse momento você está em hidari zenkutsu-dachi guedan barai (perna esquerda na frente, base zenkutsu e defesa baixa). É um momento de alerta, onde você espera a ordem do Sensei para desferir um soco com seu punho direito que neste instante está fechado junto a cintura.

O Sensei ordena o início da movimentação: Hajime!

Seu cérebro envia sinais elétricos e seu pé direito exerce uma grande força contra o solo fazendo com que essa força “ande” em seu corpo.
Essa energia vai subindo a partir de seu pé, passa pela parte inferior da perna direita, parte superior e continua subindo.
Ao chegar no quadril, juntamente com a rotação deste, seus dois braços também se movimentam…
O braço esquerdo que estava em guedan barai vindo fortemente para a cintura e, seu braço direito que estava imóvel na cintura avança em direção ao alvo munido de toda essa energia acumulada. Energia vinda de pé + perna parte inferior + perna parte superior + rotação dos quadris + impulso do braço direito.

Essa força é ainda multiplicada pela rotação do próprio braço que só termina praticamente ao atingir o alvo, momento em que emerge o grito de Kiai:
“EEEEEEEEEEEIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!”

Nossa! Falar sobre isso pessoalmente é muito mais fácil do que tentar descrever em palavras! :)

Abraços e um ótimo final de semana.

Carlos Camacho.

Eu também já esqueci a minha faixa em casa…

sábado, fevereiro 28th, 2009

Ontem às 18:30h estava vestindo meu Karate-Gi. Estava começando uma aula de Karate do Sensei Jair Davanso numa academia próxima ao meu local de trabalho…

Eu estava sem a minha faixa pois não havia planejado treinar nesse dia.

Ao ver que eu estava sem a minha faixa, Sensei Jair Davanso perguntou:

- Carlos, por que não está usando sua faixa?

- Não estava nos meus planos treinar hoje Sensei… mas como houve a possibilidade, aqui estou.

O Sensei desamarrou a sua própria faixa da cintura e emprestou-me dizendo: – Tome, use a minha. Eu tenho outra faixa na mochila e vou usá-la.

Imaginem só a honra que tive em aceitar usar a faixa de Sensei Jair Davanso… E imaginem também a responsabilidade que de forma transparente estava sobre mim…

Minha dedicação naquela noite foi algo diferente, algo especial.

Nunca esquecerei esse gesto do amigo e Sensei. Um gesto de humildade, generosidade, confiança e amizade.

Oss!

É só pra dizer…

sexta-feira, novembro 7th, 2008

Esse post é só pra dizer obrigado. Já vou explicar o motivo e quem estou agradecendo…

Amanhã, dia 08/11/2008 precisarei me ausentar no Dojo devido a um importante compromisso de estudos na Universidade.

O amigo Darison Reis, 3º kyu (faixa verde), se propôs a ministrar uma aula para a minha turma neste dia.

Este post é para agradecer o amigo Darison pela gentileza.

Meus alunos estão se preparando para o Exame de Faixa que ocorrerá dia 7 de dezembro e cada aula é muito importante para que eles dêem o melhor de si. Corrigindo-se, exigindo-se, superando-se.

Darison San, já disse isso mas repito: É uma honra ser seu amigo.

Domo Arigato Gozaimashita (Muito obrigado!)

Oss!

Darison San

Conhecendo a si mesmo

sábado, junho 7th, 2008

Na semana que vem o Dojo Shotokaikan participará de um Geiko conduzido pelo Sensei Ramon.

A programação é que o treinamento se inicie no Dojo Shotokaikan e se estenda até o Parque Burle Marx.

Data do evento: Dia 15 de Junho de 2008.
Início: 10 horas da manhã.
Previsão de término: 14 horas.
Local de início/término: Dojo Shotokaikan. Rua Itapaiuna – Associação Peinha – São Paulo – SP.
Traje: Kimono. Levar tennis para o treino no Parque Burle Marx.

Veja algumas matérias já publicadas sobre o significado do Geiko:

  • http://blog.karate-do.com.br/2007/04/02/geiko/
  • http://blog.karate-do.com.br/2007/08/01/tradicao-japonesa/
  • Oss!

    Carlos Camacho.

    II Festival de Karatê-Do

    sábado, abril 19th, 2008

    II Festival de Karatê-Do

    Hoje foi realizado o II Festival de Karatê-Do do Dojo Shotokaikan.

    Mantendo o ideal de cooperação entre os atletas, realizamos o kihon repetidas vezes e os amigos foram apontando aspectos que poderiam ser melhorados.

    Parabéns à todos os presentes e agradecimentos especiais ao amigo Darison que nos honrou com a sua presença nesta manhã de sábado ensolarada.

    No evento de hoje os alunos que demonstraram melhor desempenho foram: Rafael, Thays e Liliane.

    Bandana

    A título de incentivo, o Rafael recebeu como lembrança uma bandana confeccionada em homenagem aos 100 Anos da imigração japonesa. Foi em 18 de junho de 1908 que chegou ao porto de Santos o navio Kasato Maru (Ok, isso é uma outra história… :P )

    Clique e veja as fotos do Festival!

    Mais uma vez parabéns à todos e até o próximo Festival!

    Abração e bons treinos!

    Carlos Camacho.

    Kanji

    segunda-feira, fevereiro 4th, 2008

    No meu cartão de visitas coloquei um Kanji chamado Chikara que significa Força.

    Todo mundo me pergunta o que ele significa… Então lembrei-me que conheço um site muito legal que tem muitos exemplos de Kanji e seus significados.

    Segue o link: http://www.nj.com.br/kanji/index.php

    Abração,

    Carlos Camacho.

    Kung Fu

    terça-feira, janeiro 22nd, 2008

    Kung Fu

    Hoje visitei o Instituto Yau-man de Cultura Chinesa do Brasil.
    O Instituto está localizado na Rua Graúna, 45 – Indianópolis – São Paulo – SP. Tel.: (11) 5543-6739

    Fui recebido pelo Grão Mestre Yip Fu Kwan, líder mundial do Estilo Yau Man de Wu-Shu (Kung-Fu).

    O estilo Yau Man é o estilo do andarilho ou mendigo. Este estilo possui uma forte ligação com a Medicina Tradicional Chinesa, tradição que se mantém até os dias atuais. O Grão Mestre Yip Fu Kwan realiza atendimento na Medicina Tradicional Chinesa, além de ministrar um curso de 2 anos que compreende: Acupuntura, Moxabustão, Ventosa, Eletroterapia, Auriculoterapia e Fitoterapia. No Instituto também ministra-se Tai Chi Chuan.

    O Mestre Yip Fu Kwan iniciou seus estudos como discípulo de Liu Fou Ming, líder da 4ª geração do estilo Yau-Man. Deixou Hong Kong em 1973 e, após viajar pelo mundo, escolheu São Paulo como moradia. Há mais de 30 anos no Brasil, o Mestre Yip tem compartilhado seu conhecimento e transmitido a seus alunos parte importante da filosofia e cultura chinesa, sendo hoje o único Grão-Mestre e o líder mundial deste estilo.

    Enquanto aguardava o início da aula, André – sobrinho do mestre - realizou a limpeza do local de treinamento. Achei que o André conduziria a aula mas o próprio mestre foi quem conduziu o treinamento.

    Houveram várias execuções de um Kati (sequência de movimentos), treino com o bastão e treino de chutes no saco de areia.

    Pude distinguir quatro tipos de chutes. Três faziam uso da planta do pé: O primeiro era executado na tíbia, com o “pé virado para fora”; o segundo no joelho, com o pé “virado para dentro”; o terceiro frontal na altura do estômago. O último era um chute circular que utilizava o “peito do pé” para atingir a região das costelas.

    Foi muito interessante constatar que o uso da energia (Qi em chinês / Ki em japonês) do quadril também é essencial nessa arte marcial.

    Agradeci muito a enorme atenção e hospitalidade do mestre, que frisou que o Instituto estará sempre de portas abertas para me receber.

    Site do Instituto: http://www.yau-man.com.br

    O Kata

    sábado, novembro 17th, 2007

    O Kata

    A palavra Kata, traduzida aproximadamente do japonês significa “A maneira pela qual as coisas são realizadas”. É em geral usada para descrever um esquema ao qual devemos nos conformar. Esse conceito de disciplina tem enorme importância na cultura japonesa.

    A cerimônia do chá, por exemplo, é realizada sob a forma de um kata. A maneira pela qual um chá é preparado, servido e consumido forma um conjunto, um kata, ou seja, uma série de ações estruturadas.

    Ikebana, a arte de arranjar as flores, é realizada como um kata, exatamente como a arte da caligrafia, onde há uma maneira muito estruturada de trabalhar com o pincel, a tinta e a tela.

    A idéia de Kata é em geral encontrada nas artes marciais. Nos tempos antigos, os samurais tinham de dominar numerosos e diversos katas, não apenas nas artes marciais, mas também na arte de arranjar as flores, na caligrafia e na cerimônia do chá.

    Mas no nível de formação dos samurais, pouco importava se o kata que dominavam fosse o da defesa pessoal ou o da preparação do chá. O domínio de qualquer kata levava à mesma realização e lhes proporcionava as mesmas lições sobre a paciência, o respeito, o autocontrole, a perseverança e a precisão, para citar apenas algumas qualidades.

    Sendo assim, o kata não é uma finalidade em si, mas sim um meio que permite atingir um objetivo: as lições que nos ensinam. É essa a essência da prática de um kata.

    É importante dominar um kata não apenas porque ele deve ser realizado corretamente, mas sobretudo em razão daquilo que aprendemos durante o processo de domínio. Como com qualquer mestre, é importante respeitar o Kata, mas é o ensino que ele ministra que tem a maior importância.

    A simpatia ou a antipatia que sentimos por um determinado mestre – quer se trate de uma pessoa, quer se trate de um kata – não deve fazer com que percamos de vista o ensino que precisamos assimilar.

    Carlos Camacho realizando um Kata

    Abraços,

    Carlos Camacho.

    Aula de ontem

    quinta-feira, novembro 8th, 2007

    Aula de ontem

    Na aula de ontem Sensei Ramon conduziu o treinamento e estavam presentes os alunos Nilton e Carlos. :)

    Treinamos muito kihon e resistência física. Teve aquele exercício conhecido como mergulho, onde você fica em posição para fazer flexões de braço mas abaixa sua cabeça próxima ao solo e movimenta-se para frente como se fosse realmente um mergulho, entrando e saindo d´água. Acho que esse treino teve origem na Índia, depois vou pesquisar sobre isso…

    Na segunda parte da aula treinamos bastante Kata.

    Sensei Ramon pediu que o Nilton executasse o Heian Shodan a partir de um ‘canto’ do Dojo, lugar ao qual ele já estava acostumado. Ele executou o Kata do começo ao fim.

    Depois Sensei Ramon pediu que ele se posicionasse no canto oposto ao qual ele executou o Heian Shodan inicialmente, e então pediu que fizesse o Kata novamente. Nilton se perdeu nos movimentos e errou a sequência de ataques e defesas.

    Sensei Ramon disse que o Nilton sabia o Kata, mas seu pensamento estava atrapalhando a execução.

    Nesse instante Sensei Ramon pediu que o Nilton ficasse novamente no canto oposto para nova tentativa. Só que desta vez Sensei Ramon solicitou que ele fechasse os olhos dizendo: “- Confie em você, faça o Kata com concentração e Kime pois não permitirei que você atinja alguma coluna ou parede… Hajime!”

    Nilton executou o diagrama corretamente, do começo ao fim.

    Ao terminar Sensei Ramon disse: “- Pronto! Pode abrir os olhos…”.

    Quando abriu os olhos Nilton percebeu que havia parado no mesmo lugar onde começou, uma indicação de que havia realizado o Kata corretamente.

    Sensei Ramon finalizou sua explicação: “- Está vendo! Você já conhece o Kata. Falta apenas um pouco de confiança… Quando você tenta ‘se lembrar’ do Kata sua mente trava seus movimentos… Tente realizar o Kata sem se preocupar se está indo para o lado certo… Nós precisamos ‘pensar’ o Kata apenas quando estamos começando a aprendê-lo. Depois que aprendemos, devemos executá-lo sem pensar. É preciso se manter concentrado e deixar o Kata fluir”.

    Achei incrível o que aconteceu. E agradeci muito em pensamento por mais este aprendizado.

    Na minha vez Sensei Ramon pediu que eu também executasse o Heian Shodan, só que de trás pra frente.

    Como assim? Isso mesmo, comecei pelas defesas shuto uke em kokutsu dachi e fui tentando executar os movimentos na ordem contrária a que aprendemos.

    Quando Sensei Ramon demonstrou até parecia fácil, mas quando tentei… Nossa! Precisei de várias tentativas para cumprir a missão, e passo-a-passo bem devagar!

    Depois dessa experiência Sensei Ramon me perguntou: “- Quer tentar fazer o Heian Nidan assim?” :D

    A aula terminou naquele momento de descontração. Em silêncio, mais uma vez agradeci por poder ter participado daquela aula.

    Abração,

    Carlos Camacho.