Archive for the ‘Ensino’ Category

A graduação nas artes marciais

domingo, dezembro 11th, 2011

Vivemos em uma sociedade, ou melhor, em um mundo, que valoriza a “aparência” das coisas, não importando o que se “É” e sim o que se parece “SER”. Valores que outrora tinham um sentido intelectual e prático, ou ético e moral, hoje já não importam, e é bem visto aquele que tem uma boa memória e consegue decorar uma série de livros, ou ainda aquele que possui uma boa oratória.

Dentro deste contexto, nos deparamos com um problema comum a quase todas as artes marciais modernas: o fato de que hoje as pessoas têm procurado as academias para praticar as diversas modalidades “marciais” em busca da aquisição de uma faixa preta ou qualquer outra graduação que aos olhos dos outros sejam sinônimo de “poder”, ou seja, buscam uma espécie de valorização ou vaidade pessoal que nada tem a ver com o verdadeiro objetivo das artes marciais.

São responsáveis por esta deturpação a maioria dos instrutores, professores e “mestres” da atualidade que, com raras exceções, não se importam com seus alunos e não querem saber o que eles fazem com os “ensinamentos” que recebem. Estão sim, preocupados com o pagamento das mensalidades e com as taxas cobradas para o exame de graduação, que é o motivo pelo qual dão aulas.

Porém, este não é um problema inerente somente as artes marciais… estende-se a todas as áreas da pedagogia e irá persistir até o dia em que as pessoas pararem de agir a partir de elementos externos e passarem a exercitar suas tendências naturais, pois para que se possa realizar um bom trabalho, em qualquer área, é necessário ter VOCAÇÃO. Aliás, deveríamos dar mais atenção a este assunto, pois na vocação está a chave para a realização pessoal e para a tão sonhada felicidade.

Quando nos deparamos com a triste realidade de nosso sistema educacional, chegamos à conclusão de que as atividades que deveriam ser benéficas, como é caso das artes marciais, acabam prejudicando não somente o praticante, mas também a imagem da arte praticada.

Porém, se pararmos por apenas um instante para refletir sobre a prática marcial, certamente chegaremos as seguintes conclusões: Não basta ter socos, chutes e bloqueios fortes, precisamos também ter princípios fortes; Não basta falar de coisas boas, precisamos e devemos praticá-las; Não basta coragem para o combate é preciso coragem para enfrentar a grande luta da vida, onde os desafios são diários; Não basta dominarmos nosso corpo e achar que isto é suficiente para merecer uma faixa preta, devemos tornar “faixa preta” nossa consciência e nosso coração, pois agindo desta forma pouco importará qual a cor da faixa que ostentamos na cintura, até mesmo porque não andamos uniformizados em todas as ocasiões de nossas vidas.

Todos os praticantes de artes marciais deveriam fazer aumentar junto com sua graduação as suas virtudes, para que venham a se tornar pessoas de moral, de bom caráter.

Portanto, somente é faixa preta aquele que, sem preconceitos, busca o conhecimento e procura fazer dele uma prática diária; Somente é faixa preta aquele que respeita a sabedoria eterna, seu mestre, seus companheiros de treinamento, sua família e todos seus semelhantes; Somente é faixa preta aquele que busca harmonizar sua personalidade efêmera deixando assim transparecer, ainda que de forma distorcida, a beleza de sua alma; Somente é faixa preta aquele que dedica sua vida para ensinar o pouco que sabe aos outros, através de seu próprio exemplo; Somente é faixa preta aquele que no meio da confusão moderna ouve a voz da sua consciência e se mantém fiel aos valores que moveram, movem e sempre moverão os grandes guerreiros… ou como está descrito na frase de alguém cujo nome não lembro, mas que jamais esquecerei as palavras:

“Ser um autêntico faixa preta não é ser mais, mas se tornar menos. Menos agressivo. menos vaidoso, menos autoritário, menos cobiçoso, menos invejoso, menos egoísta, menos apegado, menos ignorante, menos violento, menos…”

Autor: ANDRETTA, Denis Augusto Cordeiro.

Detectei um evento cíclico

quarta-feira, novembro 23rd, 2011

Recentemente percebi um acontecimento cíclico e o denominei como “karateca de final de ano”.

O que é isso? Já vou explicar…

Normalmente em um Dojo tradicional, o exame de faixa é realizado apenas uma vez por ano… Geralmente esse evento ocorre em novembro ou dezembro.

Sempre tem aquela turma que treina firme durante o ano todo, rala muito mesmo… Esses karatecas suam o Dogi (kimono) três ou mais vezes todas as semanas do ano e raramente perdem uma sessão de treinamento.
Para estes karatecas eu tiro o meu chapéu (sem querer plagiar o Raul Gil).

Mas sempre tem uma minoria que se acha “esperta”.

O karateca pagou as doze mensalidades do ano mas teve mês que nem apareceu pra treinar… Quando faltam poucas semanas para o exame de faixa, o cidadão aparece todo empolgado para as sessões de treinamento… cumprimenta seus amigos de treino, o Sensei, e treina como se estivesse tudo normal.
A data do exame vai se aproximando… uma semana se passa, duas… eis que o karateca se aproxima do Sensei e dispara:

- Eu vou fazer o exame Sensei?

Isso me deixa triste…
Que disciplina esse karateca está tendo na vida? Ele acha que o Caminho do Karate-Do pode ser comprado mediante o pagamento de mensalidades?

Mas nem tudo está perdido… Consigo enxergar uma luz no fim do túnel… Meu coração se enche de esperança quando o Sensei vira para este aluno e responde carinhosamente:

- Não, você não fará exame. Quantas aulas você fez esse ano? Somente quem frequenta as aulas poderá se submeter ao exame de faixa pois este evento só atesta “o que o aluno já sabe”… Se você não treinou durante o ano, vai demonstrar o quê?

Recentemente pude presenciar um Sensei dizendo isso para um “karateca de final de ano” e fiquei muito feliz pois isso confirma a seriedade do mestre e seu compromisso com o Karate-Do.

Oss!

Seja sincero

domingo, outubro 9th, 2011

Hoje treinei muito firme. Nesse instante estou olhando para o meu Karate-Gi (Kimono) ensopado de suor sobre uma cadeira na mesa da sala… Calma, vou lavá-lo em breve!

Músculos de pernas e braços bastante doloridos, e bolhas na sola do pé fazem-me lembrar com alegria que hoje treinei como se fosse o último treino da minha vida.

Quando o Sensei mandou chutar, eu chutei de verdade.
Quando o Sensei mandou socar, desferi o meu soco mais forte.
Quando o Kihon mesclava deslocamento de base com defesas e contra-ataques, imaginei um adversário fatal na minha frente: um soldado inimigo numa guerra. Se eu não fosse rápido o suficiente, ele teria me matado.
Quando fiz Kata, os adversários eram boinas verdes.

Para alguns pode parecer uma atitude um pouco exagerada… Mas quando se trata de uma arte marcial é assim que devemos encarar cada dia de treino no Dojo: com sinceridade.

Sei que é difícil… e confesso que muitas vezes não treinei com essa atitude.

Mas onde quero chegar?

Imagine a seguinte situação: Uma pessoa cometeu um crime e foi levada a julgamento perante um juiz.
O juiz considerou que pelo fato desta pessoa ser um réu primário(1), sua pena será aliviada.
Se essa pessoa voltar a cometer um crime, não haverá nenhum “desconto” quando um juiz for julgar o seu caso, pois entende-se que esta pessoa já sabia a diferença entre “o que é certo” e “o que é errado” na sociedade em que vive.

Acredito que para nosso crescimento pessoal, devemos atuar diariamente como juiz de nós mesmos. Em outras palavras, se você sabe o que “é o correto”, faça sempre a coisa certa!

Com essa atitude, um karateca que já treinou com sinceridade dando o máximo de si durante toda a aula, no final teve uma sensação que é difícil descrever com palavras (…).

Se um dia você treinou com essa atitude, já sabe como agir em todos os treinos da sua vida…

E por outro lado, se negligenciar o seu treinamento, saberá que a única pessoa enganada nesse dia foi você.

Se fingir cansaço e fizer corpo mole, muitas vezes só você saberá da verdade.

Tudo bem, eu já fiz isso de outras formas:
- Às vezes você não quer mostrar que tem mais técnica que um amigo;
- Pode ser que num treino de velocidade por algum motivo você não queira mostrar que pode ser mais veloz com medo de ser diferenciado pelo grupo de amigos;
- Às vezes não quer dar o seu mawashi na altura do rosto por achar que os amigos que não tem a mesma abertura que você pensarão que está se exibindo…

Mas acredite, se você não der o seu melhor a cada instante, é o seu progresso que estará sendo prejudicado. Pense nisso…

Abraços.

__________
(1) Réu primário é a pessoa que cometeu um ato ilegal pela primeira vez.

Lema do Karate-Do para crianças

terça-feira, julho 12th, 2011

Hoje li o Dojo-Kun (Lema do praticante de Karate-Do) do mestre Funakoshi com uma interpretação realizada para crianças e achei sensacional.

Dojo Kun

O Karate-Do nasceu numa época, séculos XIV e XV, em que várias gerações de reis de Okinawa, ilha do Japão, proibiram que o povo portasse armas. Para se defender dos samurais, a população começou a desenvolver uma forma de luta em que pudesse enfrentar, com as mãos vazias, os samurais com as suas espadas. O treinamento era secreto. Geralmente no silêncio da madrugada. Muitos correram risco de morte para treinar o Karate. Por isso, devemos sempre agradecer a todos os Mestres que dedicaram suas vidas para que pudéssemos treinar hoje o Karate-Do. E é por isso que reverenciamos as suas fotos nos quadros pendurados na parede antes de iniciarmos o treinamento.

Foi Mestre Gichin Funakoshi, pai do Karate Moderno e criador do estilo Shotokan, que no final do Século XIX resolveu transformar o Karate em um método para aperfeiçoar o corpo, a mente e o espírito. Assim, o Karate que no principio era utilizado para treinar o corpo a ponto de transformar os punhos e os pés em uma arma mortal, tornou-se uma Arte Marcial para formar cidadãos úteis à sociedade.

Enganam-se aqueles que pensam em treinar o Karate apenas para ser um bom lutador ou campeão. Para entender melhor qual o objetivo principal do Karate, vamos recordar os Cinco Lemas do Mestre Funakoshi:

• ESFORÇOS PARA A FORMAÇÃO DO CARÁTER
Significa que um Karateca deve além de se esforçar nos treinamentos, ter um bom caráter, ser uma pessoa de bem. Pessoas que mentem, enganam os outros, que são desonestas, não podem dizer que são praticantes de Artes Marciais. Hoje, é muito comum muitas crianças enganarem seus pais, por exemplo, vão à escola e não estudam, atrapalham os colegas com bagunça. E depois, inventam estórias para culpar os outros.

• FIDELIDADE PARA COM O VERDADEIRO CAMINHO DA RAZÃO
Um Karateca sabe definir o que é bom ou ruim. Seguir o verdadeiro caminho da razão é ser uma pessoa que faz as escolhas a partir da razão, ou seja, com inteligência. Escolha inteligente é aquela em que não prejudicamos a nós mesmos e nem as outras pessoas. Fumar, beber, mentir, andar com más companhias, por exemplo, são atitudes prejudiciais, portanto, não inteligentes.

• CRIAR O INTUITO DO ESFORÇO
Uma qualidade importante do ser humano é a dedicação em tudo que faz. Para ser um vencedor na vida é preciso ser uma pessoa esforçada. Quem pratica Karate com seriedade há muito tempo sabe quantas dificuldades foram superadas até aprender o primeiro Kata, a realizar o Kumite e fazer o exame de faixa. Sem esforço nada conseguiremos, a não ser nos tornarmos preguiçosos e relaxados sempre a esperar que os outros façam tudo por nós. Pessoas manhosas geralmente são assim.

• RESPEITO ACIMA DE TUDO
Você já percebeu que antes e após a luta saudamos um ao outro? Significa que o Karateca possui uma atitude de respeito perante as pessoas. Portanto, não discrimina as pessoas pela religião, cor, nível cultural e classe social. Respeita a Natureza evitando qualquer forma de desperdício: papel, alimento, água potável; não joga lixo na rua etc.

• CONTER O ESPIRITO DE AGRESSÃO
Dificilmente quem pratica o Karate vai sair provocando briga na rua. Utiliza as técnicas a não ser em caso de ter de se defender de algum agressor. Não se exibe querendo mostrar que é forte, lutador. A verdadeira força interior não vem dos golpes fortes que aprendeu no Dojo durante os treinamentos, mas da capacidade de se manter calmo diante das provocações.
Portanto, o Karate não se pratica apenas no Dojo, mas durante as 24h através das boas atitudes seja onde estivermos: em casa, na escola, com os amigos.

Título original: O verdadeiro Karateka
Autor: Hélio Arakaki
Fonte: www.muryokan.com.br

Medicine ball

quinta-feira, junho 30th, 2011

Como há algum tempo aquela tradução literal “Caminho das mãos vazias” está impregnada nas minhas idéias, nunca me passou pela cabeça utilizar alguma espécie de aparelho/equipamento para auxiliar nos treinamentos de Karate-Do.

Algumas vezes até mesclei um pouco de exercícios de academia (musculação) com as aulas de Karate, mas não gostei muito da musculação e essa fase foi bastante passageira… Meu irmão, ao contrário, prosseguiu com a musculação e abandonou o Karate-Do. Às vezes ele usava aquelas camisetas coladas ao corpo (baby look?) para exibir seus músculos e eu vivia rindo dele dizendo:
- Cara, só não me compra um pitbull pelo amor de Deus, hein?!
Ironia do destino (ou não), hoje em dia ele é casado e a esposa dele possui uma criação de pitbulls… Pense se não me acabei em gargalhadas quando ele contou a notícia. :)

Pit filhote
Nada contra quem gosta de musculação… só me divertia com aquele estereótipo de que o “cabra macho” tinha que fazer musculação e ser dono de um pitbull… No fundo meu irmão sabe que na verdade tenho grande admiração por quem tem a disciplina de prosseguir com a musculação. É necessário muita força de vontade para ter uma dieta saudável e praticar exercícios regularmente.

Bem, mas vamos voltar ao assunto principal do post. O que essa tal medicine ball tem a ver com o meu treino de Karate-Do?

Para começar a conversa, o que vem a ser isso?

Medicine ball (também conhecido como exercise ball, med ball, ou fitness ball) é basicamente uma bola pesada.

Geralmente é usada para reabilitação ou treinamento para ganho de força. Ela tem um importante papel no campo da medicina esportiva. Ela não deve ser confundida com aquela bola maior, cheia de ar, usada para exercícios de yoga (por exemplo).

Ontem usei uma medicine ball de 3Kg no treino de Karate-Do. Pesquisando, descobri que ela serve para aumentar o poder de explosão em atletas de todos os esportes. Elas tem diferentes formatos… mas a que usei se assemelha a uma bola de basquete como essa aqui:

Medicine ball

Existem outros tipos também como podemos ver:

Medicine ball

Medicine ball

Ainda há alguns menos comuns:

Medicine ball
Não me pergunte como se usa isso!!!

Curiosidade: boxeadores profissionais usam a medicine ball para aumentar seus músculos abdominais.
Como isso é feito? Imagine a cena…
1) O boxeador fica em decúbito frontal (deita no chão “de barriga pra cima”).
2) O treinador segura essa bola pesada lá no alto e solta de maneira que ela caia no barriga do boxeador que está deitado no chão…
3) AAAAAAAAAAaaaiiiiiiiiiiiiiiiiêêêêêêêêêêêê!!!!!!!!!!! (esse foi o kiai do boxeador no momento do impacto!)
Isso simula um soco desferido por um adversário (que pancada deve ser, hein?!)
Até lembrei da cena de um filme onde o mestre do artista marcial interpretado pelo Van Damme joga um coco lá do alto de uma árvore para justamente fortalecer o abdomen do karateca…
Só de lembrar a cena doeu aqui… :)

Achei esse trecho do filme! Clique aqui para assistir.

Outro treino legal com a medicine ball (esse eu fiz!) é:
1) Ficar frente a frente com outro colega;
2) Segurar a medicine ball próxima ao peito, separar e fechar as pernas 1 vez como se fizesse um polichinelo, jogar a bola para que seu colega agarre;
3) Ele agarra ela próxima ao peito, separa e junta as pernas 1 vez e joga novamente para você.
Na segunda repetição, cada colega vai separar e juntar as pernas 2 vezes antes de jogar a bola. Na terceira vez, 3 vezes antes de jogar a bola e assim sucessivamente até que cada colega faça 10 polichinelos antes de jogar a bola.
Isso fortalece braços, peitoral e músculos das pernas.

Abraços.

Karate: “Mãos Vazias” ou “Mente Vazia”?

sábado, junho 18th, 2011

Meditação

“Busca de autoconfiança e disciplina através do treinamento, aprimoramento intelectual e perceptivo frente a um ataque, formação do caráter e de hábitos de saúde decorrentes da meditação ZEN.”

Acima de uma Arte Marcial, Defesa Pessoal, Esporte, o Karate representa uma Filosofia de Vida.

A sua prática constante traz muitos benefícios: físico, social, mental, espiritual, psicológico, desenvolvendo um equilíbrio interno muito grande, fator essencial nos dias de hoje.

Apesar de algumas vezes não termos o controle de uma situação, temos que estar sempre treinados e preparados para reagir com inteligência. O estado de alerta sempre presente no praticante do Karate, faz com que não tenhamos surpresas desagradáveis, pois devemos ser capazes de pressentir uma situação de risco, e assim, se for para o nosso bem, tentar evitá-la.

Existem momentos em nossas vidas, que não temos tempo de organizar um pensamento para tomar a atitude mais correta, seja numa competição esportiva, profissional, ou qualquer outro tipo de desafio que exija uma reação rápida, inteligente e espontânea.

Quando estamos equilibrados emocionalmente, conseguimos deixar nossa mente vazia e limpa. Quando enviamos estímulos ao cérebro captados pelos órgãos dos sentidos, o cérebro manda ao aparelho locomotor, a ordem que determina as diferentes reações de nosso organismo.

A aplicação dessa ordem na prática, vai depender do estado mental e psicológico em que a pessoa se encontra.

Seja por intuição, condicionamento, treino ou puro reflexo, nosso corpo responde rapidamente de acordo com a necessidade da situação, e se o indivíduo for inteligente emocionalmente, o resultado será positivo.

E se o resultado for negativo? Treine, e da próxima vez, com certeza dará certo.

Mas, o que é certo e o que é errado?

Essa resposta está dentro de cada um de nós. Se estamos falando de equilíbrio, certo é o que existe entre o dia e a noite, entre a verdade e a mentira, entre a vida e a morte, entre o ódio e o amor, entre a calma e a agitação, entre o certo e o errado.

Vivemos num mundo altamente competitivo, onde com certeza, quem estiver mais equilibrado emocionalmente, levará vantagens nas maneiras de se relacionar, pensar, sentir e agir, enfim, viver em harmonia com o seu interior e o mundo material e espiritual.

Luci Fonseca Nakama
Bi-campeã Pan-americana
Bi-campeã Sul-americana
10 títulos de Campeã Brasileira
15 títulos de Campeã Paulista

Um dia de ouvinte em uma palestra

quarta-feira, junho 15th, 2011

É sempre bom buscarmos a especialização e aperfeiçoamento no nosso ramo de atividade, não é mesmo?

E como fazer isso? Geralmente as pessoas buscam cursos, livros, revistas, participam de encontros sobre o assunto, dentre outros.

Ontem tive o privilégio de participar de um grupo de ouvintes de uma palestra proferida por uma professora especialista em sua área de trabalho.

Você deve estar pensando… puxa, dessa vez eu duvido que a palestra foi sobre Karate-Do!

Duvidou? Perdeu! :)

Tive a honra de assistir uma palestra da Profa. Luci Nakama.

A Profa. Luci iniciou sua prática no Karate-Do em 1973. Como atleta, segue uma lista com suas principais conquistas:

- 15 títulos de Campeã Paulista
- 10 títulos de Campeã Brasileira
- 2 títulos de Vice-Campeã Sul-americana
- 2 títulos de CAMPEÃ SUL-AMERICANA
- 1 título de 3º lugar Pan-americano
- 3 títulos de Vice-Campeã Pan-americana
- 1 título de CAMPEÃ PAN-AMERICANA
- 9º lugar Campeonato Mundial do Egito
- 8º lugar Campeonato Mundial do México
- 15º lugar Campeonato Mundial do Japão

Como técnica de Kata da Confederação Brasileira de Karatê (CBK) já conquistou títulos em países como México, Colombia, Argentina, França, Estados Unidos, Grécia, Chile, Itália, Espanha, Equador, Canadá, dentre outros.

A palestra iniciou com uma aula completa sobre anatomia humana. Depois de explicar sobre o funcionamento do nosso corpo, a Profa. Luci falou sobre a necessidade da atividade física para que tenhamos saúde.

E então entrou na parte que eu mais esperava. Como o Karate-Do é capaz de trabalhar no fortalecimento de músculos internos, colaborar para uma boa circulação sanguínea e evitar riscos como problemas cardíacos e problemas nos ossos como a osteoporose.

Isso sem falar no equilíbrio emocional que o praticante adquire com o tempo, não é mesmo?
Se aprende a desenvolver a visão periférica, o estado de alerta, a leitura do corpo de quem se aproxima da gente na rua antecipando-se a uma situação de perigo (…).

Profa. Luci Nakama, muito obrigado pelos ensinamentos.

Luci Nakama Sensei

Abraços.

Kata e eu: amigos inseparáveis

domingo, junho 5th, 2011

Hoje acordei de madrugada para visitar a cidade de São Vicente.

São Vicente - SP

O que? Está achando que fui curtir uma praia? Bem, a história não foi bem essa…

Junto a um grupo de amigos, tivemos o privilégio de prestigiar o III Okinawa Karate Shorin Cup 2011.

Até aí nada demais… você pode falar: E daí? Só mais uma competição comum de Karate-Do!

Calma. Vou continuar…

- Antes do início da competição, houve 1 minuto de silêncio e o evento como um todo foi uma homenagem póstuma ao falecimento do Grão Mestre Yoshihide Shinzato.

- Além disso, comemoramos o dia do praticante de Karate. Esse dia é oficial na cidade de São Vicente, pois um vereador criou essa homenagem aos praticantes de Karate-Do.

- Adorei quando no início do evento, o Comitê Organizador falou sobre a importância do Kata e como ele contribui para traços do caráter do praticante como: disciplina, respeito, perseverança. Foi falado também sobre a necessidade de se compreender a frase “Karate Ni Sente Nashi”, e se explicou que no Karate-Do não existe atitude ofensiva. A defesa vem sempre antes do ataque (…), por isso os Kata sempre começam com um movimento de defesa.

- Não houve competição de Shiai Kumite. O evento enfatizou exaustivamente a importância do Kata e como ele ainda é tão praticado em Okinawa – Japão. Eu participei na categoria individual e também em Kata por equipe. Por falar em equipe, Adelmo Sensei e Felipe Dimov: Obrigado amigos!

Se ganhei alguma medalha? Isso realmente não importa. O importante foi reunir aquela quantidade de karatecas com o espírito de amizade, de confraternização.

Houve ainda a presença de algumas pessoas envolvidas na política municipal, e em seus discursos foi prometido que gradativamente o Karate-Do será implementado em todas as escolas da região. Isso se deve a disciplina e a formação de cidadãos do bem, fato já constatado pelas pessoas envolvidas em um projeto que hoje já beneficia mais de 300 crianças.

É isso aí… nada como mais um dia feliz!

Foto1 Foto2 Foto3

Abraços.

Motivação

sábado, maio 28th, 2011

Quer dizer que nesse momento você está desmotivado para agir? E se você fosse uma águia com 40 anos de idade… o que faria?

Certa vez um amigo chamado Marcel criou um tópico numa comunidade chamado Karate Educacional.

Ele se questionava: Não seria redundante chamar o Karate de “Educacional”, uma vez que a prática do Karate por si só, já é extremamente educativa?

Parei um instante para refletir e respondi:

No cenário atual não considero redundante chamar o Karate de Educacional, muito pelo contrário, está cada vez mais difícil encontrar um lugar para a prática educativa do Karate-Do. Se você já encontrou um mestre, é um karateca de sorte. Siga-o enquanto puder.

Parabenizei o amigo pela abertura daquele fórum e afirmei que tinha a certeza de que há mais gente que tenta educar seus alunos através do treinamento das artes marciais.

Karate-Do é superação. Se superar a cada dia, buscando sempre melhorar para si e consequentemente para a sociedade.

Cada pessoa poderá ver o que há de melhor em si ao persistir no Karate-Do (…).

É claro que existem outros caminhos (DO) para se obter o desenvolvimento integral do ser humano. No que se refere às artes marciais temos o Karate-Do, Judo, Aikido. A partícula “DO” no final destas artes reflete o que quis dizer com desenvolvimento integral, e não simplesmente físico ou técnico.

Abraços.

Mukyu

sexta-feira, abril 8th, 2011

Mukyu

Kyu significa “classe”.

Então ao ser aprovado para a Faixa Amarela, o karateca recebe a graduação de 6º Kyu, ou sexta classe.

Conforme o karateca vai adquirindo experiência, as classes vão diminuindo até a primeira classe, que é a Faixa Marrom.

Daí pra frente começam os graus. Ou seja, quando um Faixa Marrom passa no Exame de Graduação para a Faixa Preta ele recebe a graduação de Primeiro Grau, ou 1º DAN, ou ainda Shodan. Dizem que ao obter o Primeiro Grau o karateca já assimilou corretamente as defesas, bases e ataques, e é nesse momento que se inicia de fato sua aprendizagem neste Caminho. Mas esse post não é sobre o Faixa Preta, é sobre o Faixa Branca.

A pergunta é: Um karateca Faixa Branca se enquadra em qual Kyu?

O Kyu ou classe está relacionado à aprovação do karateca perante uma banca de avaliação. Como o karateca iniciante – portador da Faixa Branca – nunca foi submetido à um Exame de Graduação, ele não possui Kyu.

Mas então é incorreto dizer que o Faixa Branca é 7º Kyu? Sim, é incorreto afirmar isso.

Mas se o Faixa Branca não é 7º Kyu ele é o que?

A correta designação para o Faixa Branca é Mukyu, que significa “iniciante” ou “sem classe”. Indicando que trata-se de uma pessoa iniciante numa arte marcial e que nunca foi submetida à uma banca examinadora.

Registro aqui minha sincera admiração aos que já foram Mukyu, aos Mukyu de hoje e aos que se tornarão Mukyu amanhã. Se não houvessem pessoas corajosas ao ponto de iniciar uma jornada que vai durar todo o seu tempo de vida, uma arte marcial simplesmente não sobreviveria ao tempo.

Saudações à todos os Mukyu. Eles compreendem que:

“Uma longa jornada começa com um único passo”.
Lao-Tse

Referências:
ANDRETTA, Denis. AFINAL DE CONTAS A FAIXA BRANCA É OU NÃO UM KYŪ? Acesso em 04/01/2012.