Ippon

Entrevista?

Não… longe disso.

Ontem fui presenteado com uma informal conversa com Nakama Sensei.
O mestre falou sobre as competições de Karate realizadas no ocidente em comparação as competições no Japão.
No Japão, quando as chaves vão terminando e sobra somente um karateca de cada lado, a platéia inteira fica em silêncio para assistir o combate final.
Não é esporte, trata-se de um combate de Budô.
O silêncio é sinal de respeito.
Nunca se ouvirá gritos, aplausos ou algo do tipo: “- Vai lá Fulano! Arrebenta!!”
A arbitragem da luta final é especial. O árbitro central normalmente tem cabelos brancos, o que denota as décadas que tem de vivência no Karate-Do. Mas a verdade é que o público não se importa se o árbitro comete um erro… o que importa não é a derrota ou a vitória.
Os karatecas estão em Zanshin, em união, buscam o ponto perfeito… Ippon!
Mas não é o Ippon que vemos por aqui… é diferente. O que buscam, é um golpe que se levado a cabo, levaria o oponente ao chão sem chances de continuar o embate. Um golpe com base firme (dois pés enraizados no chão), com Kime, com timing, consciência… que atinge o alvo de maneira certeira. Ao desferir este golpe, o karateca está avançando, indo ao encontro com atitude.
Quando isso ocorre, ninguém tem dúvidas do dano que este karateca poderia ter causado se não tivesse domínio de sua técnica. Nem seu adversário, nem a arbitragem, nem o público. Todos se rendem à beleza desse momento.

One Response to “Ippon”

  1. Olívio disse:

    Profundo…
    Paz.
    Olívio.

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