Archive for novembro, 2009

Makiwara: Use com moderação

quinta-feira, novembro 26th, 2009

Hoje por volta das 6 horas da manhã (5 horas se desconsiderarmos o horário de verão) eu tive a bela experiência de socar cem vezes um makiwara.

A seguir temos uma imagem exemplo do que é um makiwara.

Makiwara

Desde criança quis ter o meu próprio makiwara… Lembro-me que certa vez (devia ter uns dez anos) peguei uns três sacos de batata; coloquei-os um dentro do outro; usei um lençol velho no seu interior e enchi de areia; Amarrei a boca do saco e o pendurei numa madeira que servia de sustentação para o telhado do quintal lá de casa… Tinha desenvolvido o meu primeiro saco de areia. Esse aí apanhou muito hein?! rsrs

Brincadeiras à parte, é preciso ter cuidado quando se usa um equipamento para desenvolvimento da força. O esforço repetitivo pode causar lesões então é preciso alguns cuidados, especialmente quando estamos falando do makiwara.

1) Se uma criança se aventurar a usar o makiwara, haverá um stress da estrutura óssea, músculos, tendões, ligamentos… isso certamente vai ocasionar problemas ortopédicos severos. Os ligamentos podem ficar frouxos, originando hérnias da cápsula articular nos ligamentos das articulações ósseas e calosidades. Em outras palavras, costumo dizer que “vai dar groselha”!

2) O ideal é iniciar o uso do makiwara na fase adulta. Mesmo assim é preciso estar atento pois algumas deformações que não percebemos no início do treinamento podem se agravar e gerar problemas de coluna devido à posturas quase sempre incorretas.
Existem vários karatecas com calos no seiken (punho) e problemas no cotovelo. Não pense que é bonito ter um seiken calejado, isso é um problema de lesão ocasionado por treino indevido. Lembre-se que treino indevido compromete a sua saúde.
O Karate-do que treinamos hoje visa nos trazer saúde, não tirá-la.

3) Fatalmente haverá contrações repetidas de grupos musculares específicos no uso do makiwara. Se o seu filho é karateca e no Dojo ou academia onde ele treina existe makiwara, você como pai deve certificar-se de que o professor é um profissional competente. Isso evitará problemas futuros.

4) Jovens karatecas geralmente adquirem lesões por conta própria. Quero dizer que geralmente constroem um makiwara em casa e descem a porrada na madeira.
É uma busca (posso chamar de fé) da perfeição, onde o karateca acredita que socando o makiwara cada vez mais forte o levará a melhoria de técnica e aumento da força.
A longo prazo, a aplicação dos efeitos da técnica incorreta favorecerá a lesão deste karateca.

Sacos de areia como aqueles utilizados por boxeadores contribuem para o aumento de força do soco. São confeccionados justamente para absorver os impactos que nossos músculos e ossos sofreriam se os socos fossem desferidos numa superfície mais rígida!

Prestando atenção nestas dicas acredito que o amante do Karate-Do sofrerá menos lesões durante o seu Caminho.

Nota: Enquanto socava o makiwara hoje cedo, estava sendo observado pelo Sensei Edson Nakama.
Aproveito para agradecer o carinho com o qual fui recebido pela família Seidokan.

Osu!

Eles vão e vem…

domingo, novembro 8th, 2009

Em uma de nossas conversas, meu Sensei disse-me que a missão de ensinar Karate não é fácil…

Você dedica uma vida em prol disso tudo e às vezes seu melhor aluno te abandonará. Às vezes você se surpreenderá pois anos mais tarde este aluno poderá voltar a treinar… É preciso estar com o espírito em paz e atentar para não ficar frustrado nessas ocasiões. Continue, siga seu caminho.
O Karate é assim mesmo… alguns enxergam nele um Caminho a ser seguido, outros nunca o reconhecerão como tal. Sabemos que não é um caminho suave, e poucos estarão dispostos a caminhar lado a lado com você.
Sensei Ramon Cabrera.

Agradeci os ensinamentos do Sensei mas desta vez fui pra casa pensando…
Será?! Será que isso um dia vai realmente acontecer comigo? Meus alunos moram todos do lado do Dojo e eu sempre encontro eles na rua… acho que talvez seja pequena a probabilidade da desistência de um aluno antigo.

É… eu estava redondamente enganado. E a experiência do Sensei como sempre falou mais alto.

Relatarei abaixo uma breve história relacionada a tudo isso.

Certa vez, um de meus melhores alunos disse que precisava conversar comigo…

Como a aula já estava para começar, perguntei-lhe se poderíamos conversar após o treinamento… ele concordou.

Acabado o treino ele – um de meus melhores alunos – veio até mim:

- Sensei, minha família se mudará de Estado em duas semanas e eu irei também.

O aluno me explicou o motivo da mudança e eu o apoiei. Ele tinha um avô em Pernambuco que estava com a saúde debilitada devido a idade. Então a filha deste homem (mãe do meu aluno) decidiu largar tudo e ir conviver ao seu lado durante o tempo que ainda lhe restava.

Essa nossa despedida ocorreu em dezembro de 2008.

Ontem fiquei surpreso ao rever este aluno no Dojo. Feliz por conhecer sua dedicação ao treinamento e saber que treinará com afinco; Triste por ter a certeza de que ele perdeu um ente querido.

A vida é assim… um ciclo. Em momentos de dor chegamos a pensar que isso só ocorre conosco, só ocorre com as pessoas que amamos… Questionamos os propósitos de Deus.

A verdade é que essa é a natureza. Nascer, crescer, desenvolver-se, reproduzir-se para a perpetuação da espécie, morrer. É um ciclo natural… o ciclo da vida.

Para nós ocidentais é difícil aceitar a morte. Um budoka, aquele que segue o caminho do guerreiro, aprende a ter outro ponto de vista sobre a morte. Mas enfim, esse post não é para discutir sobre morte, mas sim sobre a vida.

Rafael, seja bem-vindo novamente ao Dojo Shotokaikan. É uma honra para nós termos você em nosso convívio. Estávamos com saudades!

O ambiente de treino fica muito melhor com sua presença. Quando um karateca treina com toda a sua vontade, os demais karatecas são contagiados por esse espírito. E é justamente assim que deve ser a postura de um karateca… sempre… em cada aula… em qualquer atividade. Dar o melhor de si em tudo o que fizer, buscando superar-se a cada instante. Esse é o espírito do guerreiro.

Temos muito trabalho pela frente.. Então até a próxima aula! :)

Um forte abraço em nome de todos do Dojo Shotokaikan,

Carlos Camacho.

Saber esperar

segunda-feira, novembro 2nd, 2009

Recebi um convite de meu Sensei pra realizar exame de Shodan para Nidan. (1o. Dan para 2o. Dan)
Recusei o convite.
O exame seria agendado para dezembro/2009.
Acredito que para um exame de graduação, o karateca deve estar consciente de que está em plenas condições pra realizá-lo.
Este ano foi um ano de muita luta pra mim, principalmente no que se refere aos estudos acadêmicos. A dedicação aos estudos fez com que minha dedicação ao treinamento não fosse como eu gostaria.
Meu Sensei disse que o fato de eu ser dedicado aos meus alunos conta muito no exame, etc. Mas eu acho que tecnicamente posso melhorar um bocado quando voltar com a frequencia do treinamento.
Concluindo: não me julgo apto para o exame.
O exame deve ser um evento de comum acordo entre o mestre e o aluno. Se um dos dois considerar que o momento não é oportuno, o exame deve ser adiado.

Oss!