Reunião da Associação Shotokaikan
Como estive ausente na reunião de 14 de setembro pois já havia me comprometido previamente com outro evento, nesta manhã chuvosa de domingo fui até o Dojo para a reunião que tinha como pauta principal a definição da data do exame de graduação de 2008.
Em conversa com o Shihan Ramon foi definida a data e hora: 14 de dezembro às 14hs.
A idéia é unificarmos as classes para que todos realizem exame de graduação juntos. Os alunos do Shihan, os alunos do Sensei Marcelo e meus alunos farão exame juntos. E após o exame faremos a nossa confraternização de final de ano.
Após a reunião fomos embora caminhando juntos de uma boa conversa sobre Karate-Do.
Falávamos sobre a relação existente entre Jutsu e Do. Em nenhum momento esses termos foram usados, mas esse era o foco da discussão.
Uma questão que me incomodava teve a oportunidade de ser colocada em pauta. Eis que perguntei ao Shihan:
“- Os mestres não afirmam que depois que realizamos o mesmo movimento 1000, 2000 ou mais vezes os músculos envolvidos nessa movimentação adquirem memória?”
“- Sim. É verdade.”
“- Então se treinarmos incansavelmente braços e pernas controlando a força para que seja possível aplicar a técnica em competições, nossos músculos não irão adquirir a memória de sempre controlar a força no momento do impacto?”
“- É aí que se pode ver um artista marcial em ação. Vencer um adversário sem ferí-lo… O controle usado no shiai kumite é a demonstração de que um artista poderia ter causado graves danos ao seu adversário se fosse necessário.“. Nesse momento o Shihan falou sobre a história do chinês Huo Yuanjia, lembrando sua luta contra o japonês chamado Akutagawa. Segundo o Shihan, o lutador demonstrou Budo parando um golpe antes de atingir seu adversário. O golpe provavelmente terminaria o combate (…). Muitas pessoas não viram o que aconteceu. Muitas pessoas viram mas não entenderam.. E é para ser assim mesmo… O budoka não age para que os outros vejam, ele age para si próprio.
Ah! Quando eu assisti esse filme em outubro do ano passado acabei deixando a dica aqui.
Bem… As conversas com o Shihan são sempre extremamente enriquecedoras. Não sei se elas sanam as questões que tenho ou se desencadeiam uma série de outras questões (…).
Já aprendi que toda essa parte teórica/filosófica da arte é importante, mas não tem sentido se não mantermos a assiduidade no treinamento não é mesmo?! Então eu vou parar de filosofar e vou é treinar!
É interessante como aprendemos muito através do treinamento ao longo dos anos. Um dia um amigo (Sensei João Batista) fez uma analogia da evolução do nosso aprendizado no Karate com o passar do tempo versus as cores das faixas. Ele falava sobre a folha de uma árvore que em uma determinada estação do ano se solta e cai no chão. Essa folha está verde mas com o tempo vai escurecendo… Fica marrom e por fim volta a terra tornando-se adubo, fazendo com que o ciclo da vida recomece.
Mas por que eu me lembrei dessa história agora? Não disse que iria parar de filosofar? Heheh..
Agora chega. Estou indo treinar!
Abraços.