Diário de Bordo

Enquanto isso no Dojo Shotokaikan…

No treino do último sábado que ministrei no Dojo Shotokaikan tudo fluiu muito bem no início da aula, mas depois um de meus alunos parou de treinar com Kime e investiu esforços em divertir a turma (…).

Se isso tivesse ocorrido no ano passado, provavelmente teria solicitado que se retirasse imediatamente do Dojo e o notificaria sobre uma suspensão. Além disso, o deixaria ciente de que se isso se repetisse, ele seria impedido de voltar aos treinos até que seus pais viessem conversar comigo.

Estou sempre aberto para reavaliar minhas atitudes e de uns tempos pra cá tenho pensado nessa conduta severa que mantinha como Instrutor.

Após longos períodos de reflexão e de alguns puxões de orelhas de amigos mais experientes mudei minha atitude sobre os atos de indisciplina dos alunos. O motivo da mudança poderia resumir-se com a seguinte pergunta:

“- Quem é que nos primeiros anos da vida escolar nunca jogou bolinhas de papel na cabeça do colega, usou uma caneta bic como zarabatana ou deixou percevejos na cadeira de outro aluno enquanto ele estava ausente?”

O que quero dizer é que todos nós erramos até que seja compreendido que determinadas ações não são corretas. Viver em sociedade é algo que aprendemos através de erros e acertos. E leva um tempo até conhecermos as regras.

Durante esse tempo, o professor (professor / pai / mãe / irmão mais velho etc.) tem papel importante nesse processo até que a criança consiga andar sozinha. Depois que compreendi esse importante papel, parei de suspender alunos por várias aulas e nunca mais expulsei ninguém do Dojo.

Não quero dizer que meu ponto de vista é o correto nem tampouco deve ser visto como um conselho, pois como diz a sabedoria popular, “se conselho fosse bom não seria de graça…” :)

Abração e bons treinos,

Carlos Camacho.

One Response to “Diário de Bordo”

  1. Flávio disse:

    Na minha opinião as crianças problemáticas são as que necessitam de maior atenção. No entanto, não é isso que verificamos na realidade.

    Por exemplo, nas escolas, local de grande importância para educação das crianças, elas são isoladas em algum canto da sala, punidas com suspensão ou até expulsas em decorrência de notas baixas que são consequência de um comportamento inadequado. De fato, educar crianças problemáticas é muito mais trabalhoso. Julgo correta a sua atitude nesse caso, pois uma suspensão poderia afastá-los definitivamente do convivio com o sensei, mas ao mesmo tempo criou um grande desafio para o sensei que é continuar tentando formá-los para a vida da melhor forma posssível.

    Não o conheço pessoalmente, mas pelo que eu tenho lido, posso concluir com certeza que o sensei está muito bem preparado para isso, pois o senhor é um excelente professor e também uma excelente pessoa.

    Flávio.

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