Reflexões de Natal

Meditação

Olá amigos(as),

Neste post explanarei um pouco sobre algo que tem preenchido meus pensamentos há algum tempo…

Tenho me perguntado se o Karatê que vemos hoje em alguns Dojos, Academias e mídia é o Karate com o espírito de paz ensinado por Mestre Funakoshi. A resposta sincera que me vem a mente é: “-Não, não é”.

Muitas vezes ouvi colegas se queixando sobre o espírito de agressão com o qual eram atacados por seus adversários nas competições, muitas vezes até desrespeitando as regras estabelecidas pela competição (…).

Hoje muitos Karatecas (e professores) praticam visando exclusivamente a obtenção de boas técnicas para viabilizar o êxito em competições, aumentarem currículos, conseguirem patrocínio, fama, dinheiro, sucesso. Para obter tudo isso, não são raras as ocasiões em que um espírito desleal toma sua consciência enquanto estão na competição e seu adversário está pontos na sua frente, afinal o tempo está correndo e perder não está nos planos.

Será que quando Mestre Funakoshi criou o lema do Karate-Do, dentre os quais destaco “Conter o Espírito de Agressão”, ele imaginara que isso seria compatível com o espírito desse tipo de competidor em busca do ouro? Quem sou eu para dar essa resposta, é só uma das indagações que me faço às vezes…

Será que valores como o egoísmo, prepotência e vaidade tem origem no Karate ensinado pelo mestre ou são valores ocidentais (ou não) incorporados à prática indevidamente através dos tempos?

Já fui muito competitivo. Após algumas lições* hoje não sou mais.
*( http://blog.karate-do.com.br/2007/11/16/recordacoes/ )

Isso não é uma crítica para com todos que praticam o Karate Esportivo. Tenho consciência de que existem karatecas e professores sérios e que conseguem ensinar a lealdade, a disciplina e o respeito para seus alunos mesmo em meio ao treinamento esportivo. Quanto cito os valores não relacionados à ética, não estou generalizando, estou apenas explanando sobre o que tenho presenciado nos últimos eventos em que participei seja como técnico, árbitro ou espectador.

Acredito que o Kumite, assim como o Kihon e o Kata são essenciais e estão relacionados entre si quando falamos em um aprendizado eficiente de Karate. Mas quando treinamos o Kumite para competição, treinamos o sun-dome, a parada do golpe centímetros antes do alvo.
O treino constante de parar o golpe molda nossa técnica, e igualmente molda nosso Kime.
Com o Kime “preso” nessa metodologia de treinamento, conseguiremos usá-lo em sua totalidade se necessário for? Bem, eis aqui mais um dos paradoxos encontrados nas artes marciais: treinamos para não lutar (…).

Hoje uma aluna me disse que ouviu de um adulto que o Karate é algo excessivamente violento, e violência é ruim. Disse à ela – Evelyn – o seguinte:
Quando gritamos com alguém, xingamos alguém ou ficamos com vontade de bater em alguém, isso é violência. O ser humano tem a violência em sua essência. Se alguém lhe faz algo que você considera uma grande ofensa, instintivamente você vai querer bater nessa pessoa, a não ser que você raciocine que não é o correto a ser feito e controle sua raiva.
No Karate nós aprendemos a nos conhecer, reconhecer quando surge a raiva e assim aprendemos a controlá-la.
No Karate não existe atitude ofensiva. Você já reparou que todos os Kata começam com uma defesa? Um karateca nunca dá o primeiro golpe, ele evita a briga a qualquer custo. Sempre!
O fato de aprendermos a controlar nossa raiva, nos torna uma pessoa pacífica. E a paz é oposta a violência, por isso descordo do que essa pessoa lhe disse.

Terminado o assunto, realizamos o Zazen (meditação) e terminamos a aula.

Oss!

Carlos Camacho.

One Response to “Reflexões de Natal”

  1. Flávio disse:

    Pelos ensinamentos do mestre Funakoshi entendo que ele visava a formação do ser humano prioritariamente. Perseverança, disciplina, busca do aperfeiçoamento pela repetição, respeito ao próximo, são alguns valores constantes de seus ensinamentos que devemos tentar praticar sempre.

    Muitos entedem o karatê como sendo sinônimo de “socos e chutes”. Os “socos e chutes” são uma parte dessa filosofia de vida que estaria relacionada com a parte física, condicionamento. O karatê é muito mais abrangente. Entendo que se poderia eventualmente praticar o karatê sem aprender “socos e chutes”, mas não é possível dizer que se pratica o karatê executando somente “socos e chutes”.

    Flávio.

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