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Lembranças: Meus alunos

sexta-feira, dezembro 7th, 2007

Lembranças: Meus alunos.

Meus alunos são na totalidade crianças então meu treinamento por enquanto não é muito rígido.

Preciso explorar um lado lúdico para que eles continuem interessados pela arte.

Por outro lado, nunca vendi uma faixa. Cada aluno que se graduou sob minha instrução foi por merecimento.

Nesse final do ano realizamos Exame de Faixa lá no Dojo. Eu tenho 10 alunos mas destes somente 4 realizaram o Exame. Somente os que tinham boas chances de aprovação foram submetidos ao Exame. Felizmente os 4 foram aprovados. :)

Não me considero um instrutor extremamente rígido. O fato é que a mesma sinceridade que eu tenho de meu Sensei, eu tenho com eles. Só o treinamento sério e constante trará bons frutos.

Se um aluno está indo mal, indico onde é preciso melhorar e converso com ele para ver se as idéias batem. Por outro lado, quando um aluno está indo bem, faço elogios reforçando que sempre podemos melhorar.

É claro que às vezes surge um aluno que se destaca, e aí fico me policiando para não ficar elogiando muito esse aluno pois isso causaria resultados negativos na turma.

No começo era uma turma de iniciantes. Nesse momento usei um pouco de behaviorismo (Skinner) do tipo: O melhor aluno, o mais assíduo, o que aprender o primeiro Kata direitinho, o que tiver mais disciplina… depois de X meses será presenteado com um Kimono Meikyo novinho, etc, etc…

Hoje felizmente isso já não é necessário. Já existe um grupo de amigos que está curtindo verdadeiramente praticar o Karate-Do e isso – como já disseram numa propaganda de cartões de crédito – não tem preço!

Oss!

Carlos Camacho.

Lembranças: Sensei Ramon

sexta-feira, dezembro 7th, 2007

Lembranças: Sensei Ramon.

De 2002 a 2010 treinei sob supervisão do Sensei Ramon.

Sensei Ramon não se importa com quantidade de alunos, mas sim com qualidade de ensino.

Muito exigente, Sensei Ramon cobra esforço de seus alunos e sem que diga nada, seus alunos percebem que ele assim o faz porque quer o melhor pra gente. Ele deseja que sejamos bons karatecas, bons alunos, bons filhos, bons cidadãos. Por esse motivo conduz suas aulas com muita seriedade e amor pelo que faz.

Segunda-feira passada (03/12/2007) fui treinar e no Dojo só estavam 3 karatecas: Sensei Ramon, Juan e Nilo. Detalhe: Juan deve ter uns 7 anos e Nilo uns 5. Ambos são filhos do Sensei Ramon.

Ele não se importa se haverão muitos ou poucos alunos do Dojo, para ele os dias/horários de treino são sagrados. Muitas vezes percebi que ele estava com forte gripe, outras vezes com dor de cabeça e outras vezes algum problema pessoal exigia seu tempo mas raramente ele deixou de ir ministrar seu treinamento.

Já discuti (no bom sentido) com ele algumas vezes que faço questão em pagar a mensalidade, mas ele nunca aceitou pois me disse que eu mantenho o website karate-do.com.br onde há informações sobre o nosso Dojo, e isso exige muito mais dedicação do que o pagamento de mensalidades. Como ele é teimoso, parei de insistir nesse assunto. Ele é um homem de honra.

Tenho certeza que ele já perdeu boas oportunidades de emprego por causa disso. Ele é o tipo de pessoa que não realiza nenhuma ação que vá contra seus princípios. É o tipo de pessoa que a noite sempre pode encostar no travesseiro e dormir tranqüilo com sua consciência.

Ele me elogia de vez em quando, e quando o faz eu tenho dificuldades em conter a emoção pois ele faz isso com todo o seu coração. No último domingo (02/12/2007) ele me elogiou por um trabalho que venho realizando e pra variar fiquei com aquele nó na garganta.

Os elogios referentes ao meu caminho no Karate também não são raros. Quando realizo um Kata melhor do que costumava executá-lo, ele costuma dizer: “- Estamos no caminho certo! Agora é daí pra melhor hein?!”. Vindo do Sensei Ramon isso é um grande elogio para mim.

Ele me ensinou que sempre podemos melhorar.

“Treinando com afinco, hoje seremos melhores que ontem, e amanhã seremos melhores que hoje”.
Sensei Ramon.

Lembranças: Sensei Alexandre Coradini

sexta-feira, dezembro 7th, 2007

Lembranças: Sensei Alexandre Coradini

De 1993 a 2001 treinei com o Sensei Alexandre Coradini.

Seus métodos de ensino eram muito rígidos. O fortalecimento das pernas e braços era obtido por uma sistemática sequência de exercícios.

Lembro-me que certo dia, depois de um treino focado nos membros superiores, cheguei em casa e não conseguia segurar um copo cheio d´água para tomar… No dia seguinte ficava moído.

Lembro-me também que um dia depois de um treino de pernas a dor era tanta que eu voltava pra casa me escorando nas paredes das casas, a dor era grande. Ao ver uma pizzaria poucos metros dali um sorriso estampou-se em minha face. Me arrastei até a porta da pizzaria e perguntei: Vocês entregam a domicílio via motoboy, certo?

Sim, respondeu a moça do caixa.

Quero uma pizza mas estou um pouco longe de casa, poderia aproveitar uma carona com o motoboy?

Sim, não vejo problemas. Disse ela.

Demorou! Então me vê uma 1/2 calabreza e 1/2 mussarela no capricho! :P

Sensei Alexandre Coradini tinha orgulho em me inscrever nas competições. Ele costumava me elogiar quando me passava um novo movimento ou Kata e eu conseguia assimilar esse conhecimento. Assim que eu começava a aprender um Kata e assimilava a sequência dos movimentos, lembro-me dele dizendo: “- O diagrama do Kata você já sabe, agora só depende de você!”

Era uma época em que sentia estar amadurecendo tecnicamente. Apesar da minha memória não ser muito boa, noutro dia lembrei-me de uma experiência que passamos juntos e postei no blog.

Em 2001 Sensei Alexandre Coradini decidiu parar de ministrar aulas e desde então vou visitá-lo sempre que possível para colocarmos a conversa em dia.

Lembranças: Sensei Luis Macedo

sexta-feira, dezembro 7th, 2007

Lembranças: Sensei Luis Macedo.

De 1987 a 1993 treinei com o Sensei Luis Macedo.

Sensei Luis Macedo fundou a Associação Combate Ninja de Artes Marciais.

Não foi por indicação de nenhum amigo que o conheci, na verdade foi ao acaso que encontrei seu Dojo como mencionei nesse artigo -> Clique aqui.

Nunca vi tanto controle físico e mental como o de Sensei Luis Macedo. Quando minha mãe viu um Karate-Gi para ser lavado e soube que eu estava treinando Karate, ficou muito preocupada e foi até a academia assistir um treino.

Para espanto dela, naquele dia (como de costume) o Sensei lutou com todos os alunos, desde os iniciantes até os mais graduados. Minha mãe assistia minha luta com o coração na mão. Sensei Luis Macedo aplicava ashi barai e eu caia no chão, me levantava e ele sapecava uma sequência de mawashi geri no rosto. Cada mawashi geri estalava bem alto, quando eu começava a ficar esperto e defendia algum mawashi tomava ashi barai e ia pro chão de novo… Nessa hora minha mãe perplexa com a minha suposta surra adentrou o Dojo desesperada gritando “O que é isso? O Sr. está machucando meu filho!!”

Sim, isso ocorreu. Vocês podem imaginar o mico que passei né?!

O Sensei imediatamente interrompeu o Shiai e explicou que era só um treino de reflexo, e que ele não estava me fazendo nenhum mal. Minha mãe perguntou-me se estava tudo bem. Eu disse “-Claro mãe! Espere lá fora por favor, tudo bem?!”. Ela então saiu do Koto e aguardou lá fora…

Srs(as), o impressionante era que todos aqueles mawashi realmente não estavam me causando dor tamanho era o controle e preparo físico do Sensei Luis Macedo. Faziam um barulhão como o de “bater palmas” mas toda a potência do golpe era controlada.

Simplesmente incrível!

Sensei Luis nunca me disse que eu estava indo bem. Acho que o fato de não ficar tecendo elogios para ninguém deve ter sido influência do aprendizado que teve com seu mestre…

Quando ele achava que eu merecia uma nova graduação, ele simplesmente dizia que eu podia entregar-lhe o dinheiro para ele comprar a faixa e solicitar o Diploma junto a Federação. Após o pagamento, dias depois ele simplesmente entregava a faixa e o Diploma. Havia uma certa formalidade mas nada de data de exame agendada, parentes presentes, etc.

Quando seus alunos participavam de campeonatos, frequentemente a Academia recebia homenagens por ter garimpado o maior número de medalhas. O impressionante é que o número de atletas não era muito grande, e sim a qualidade técnica dos mesmos. Sensei Luis Macedo sempre foi muito respeitado no mundo das artes marciais.

Uma vez vi ele demonstrando um ‘Kata?’ de Ninjutsu numa competição com uma katana em cada mão… Eu nunca esqueci a habilidade demonstrada naquela apresentação…

Em 1993 a academia Combate Ninja precisou ser demolida para a construção de uma obra da prefeitura (duplicação da Estrada de Itapecerica) e fiquei sem saber onde o Sensei continuaria a ministrar aulas.