Archive for novembro, 2007

Boa Sorte amigos!

segunda-feira, novembro 26th, 2007

No próximo domingo, dia 2 de dezembro de 2007 será realizado as 15 horas o Exame de Faixa oficial do Dojo Shotokaikan.

Temos dois amigos aptos a realização do Exame:

Faixa Laranja
- Darison que atualmente é faixa laranja, fará exame com o objetivo de aprovação para a faixa verde;

Faixa Marrom
- Marcelo que atualmente é faixa marrom, fará exame com o objetivo de aprovação para a faixa preta.

Sensei Ramon e todos os amigos do Dojo Shotokaikan já estão na torcida enviando votos de Boa Sorte!

Oss!

Carlos Camacho.

Histórias Verídicas

sábado, novembro 24th, 2007

Histórias Verídicas

Há alguns dias li duas histórias contadas por dois amigos Karatecas. São histórias de momentos que certamente marcaram suas vidas, e fiquei muito feliz em poder dividir isso com eles. Agora é momento de dividir essas histórias com vocês.

História 1

“Quando estive junto a Schneider Sensei para receber as instruções finais de Mestre Egami me recordo de termos nos encontrado tarde da noite, para lá de meia-noite. Entrei em seu carro e pegamos uma estrada em direção a sua casa e a conversa se transcorreu por todo o percurso em relação a Egami Shihan.

Subitamente ele sai do meio da estrada, entra numa vicinal. Haviam árvores por todos os lados e algumas com folhagens que quase vinham em cima do carro. Comigo eu pensava, caramba, porque os Mestres que encontro gostam de morar tão escondidos? Nem estou falando da verdadeira aventura que passei para chegar até ele e ainda seria difícil de o achar se ele não quisesse ser achado…

Bem ao chegar, tive que tomar cuidado com seu cão pastor, o Apache! Eu tive que deixar ele me cheirar e é claro com a supervisão do Sensei para que nada desse errado. Ao fundo de sua casa existe um dojo, próprio dele e para lá fui conduzido. Era o meu aposento.

Minha cama já estava pronta num canto do Dojo e lá ele me deixou… com o Apache de guarda na minha porta!!

Adentrando ao dojo, a disposição de diversas armas Okinawenses e samuraicas, nenhum contato com o mundo, nenhum som, o Tatami estendido à frente, o espelho, o quadro de Mestre Egami por ele assinado, os treinamentos que me aguardavam, subtamente me dei conta de uma realidade maior: uchideshi*.”
Filié Jr.

*Uchideshi é um aluno em tempo integral, que mora com o mestre em sua casa, oficina ou dojô.

História 2

Minha recordação tem um misto de tristeza e satisfação (tipo: missão cumprida);

Trata-se do dia do enterro de meu Sensei, Claudinier (Pezão).

Tristeza por questões óbvias, pela falta que este ser humano faria a cada um dos presentes ali…

Missão cumprida, satisfação, pois pela primeira vez em minha vida, vi um enterro onde ao invés de terno e gravata ou roupa social, a grande maioria estava de Karate-Gi; Foi algo realmente marcante e muito bonito. O próprio Sensei foi enterrado devidamente, também de “kimono”, pois a família entendeu que alguém que viveu intensamente por esta arte não poderia estar vestido de forma diferente.

Foi emocionante, lembrando um pouco aquelas cerimônias feitas por militares…

Carregamos o caixão e ao colocá-lo no local onde seria enterrado, após algumas palavras de um dos familiares, Todos realizamos um cumprimento, que nunca em minha vida teve tanto significado quanto aquele…(basta dizer que neste momento estou emocionado de novo…só de lembrar).

Obrigado Filié por me proporcionar uma chance de dividir esse momento tão marcante em minha vida, com vocês. Até porque ao transcrever nossa lembrança, repassamos tudo em detalhes e é como se estivéssemos repetindo aquela emoção…
Marcel Cavalcante

O Kata

sábado, novembro 17th, 2007

O Kata

A palavra Kata, traduzida aproximadamente do japonês significa “A maneira pela qual as coisas são realizadas”. É em geral usada para descrever um esquema ao qual devemos nos conformar. Esse conceito de disciplina tem enorme importância na cultura japonesa.

A cerimônia do chá, por exemplo, é realizada sob a forma de um kata. A maneira pela qual um chá é preparado, servido e consumido forma um conjunto, um kata, ou seja, uma série de ações estruturadas.

Ikebana, a arte de arranjar as flores, é realizada como um kata, exatamente como a arte da caligrafia, onde há uma maneira muito estruturada de trabalhar com o pincel, a tinta e a tela.

A idéia de Kata é em geral encontrada nas artes marciais. Nos tempos antigos, os samurais tinham de dominar numerosos e diversos katas, não apenas nas artes marciais, mas também na arte de arranjar as flores, na caligrafia e na cerimônia do chá.

Mas no nível de formação dos samurais, pouco importava se o kata que dominavam fosse o da defesa pessoal ou o da preparação do chá. O domínio de qualquer kata levava à mesma realização e lhes proporcionava as mesmas lições sobre a paciência, o respeito, o autocontrole, a perseverança e a precisão, para citar apenas algumas qualidades.

Sendo assim, o kata não é uma finalidade em si, mas sim um meio que permite atingir um objetivo: as lições que nos ensinam. É essa a essência da prática de um kata.

É importante dominar um kata não apenas porque ele deve ser realizado corretamente, mas sobretudo em razão daquilo que aprendemos durante o processo de domínio. Como com qualquer mestre, é importante respeitar o Kata, mas é o ensino que ele ministra que tem a maior importância.

A simpatia ou a antipatia que sentimos por um determinado mestre – quer se trate de uma pessoa, quer se trate de um kata – não deve fazer com que percamos de vista o ensino que precisamos assimilar.

Carlos Camacho realizando um Kata

Abraços,

Carlos Camacho.

Recordações de um Karateka

sexta-feira, novembro 16th, 2007

Importante: Se você tem estômago fraco, sente enjôo com facilidade, recomendo não ler esse post.

No início de 1993 eu tinha 15 anos, 5 anos de Karatê e portava o 5o. Kyu – Faixa Vermelha.

Era um sábado, 9 horas da manhã e o sol já brilhava naquele dia de verão. Eu estava de Karate-Gi pois em alguns instantes começaria uma competição de Karate em um Centro Educacional Esportivo chamado Jorge Brudder.

Havia ganhado várias competições realizadas no ano anterior e já era conhecido pelos karatecas da minha categoria. Fazia coleção de troféus e medalhas e ficava me vangloriando contando aos amigos como tinham sido os pontos que me levaram rumo à vitória naquelas ocasiões.

Imaturo, acreditava que “não tinha pra ninguém” naquele dia, e que a única coisa que separava aquele lindo troféu sobre a mesa de cerimônia das minhas mãos era o tempo.

Naquela época usava-se somente protetor bucal e luvas, além disso na disputa estavam misturados atletas de vários estilos de Karate, Kung Fu e Full Contact.
Não haviam muitas regras visando a integridade do atleta. Se você acertasse um mawashi na cabeça do adversário sem controle de kime e o mesmo caísse sem ter condições de continuar o combate, você ganhava a luta por “nocaute técnico”.

Momentos antes da convocação para o início do evento, um atleta de Kung Fu da minha categoria (o qual eu já havia derrotado nos últimos campeonatos) se aproximou e perguntou se eu havia treinado bastante para aquele dia.

“- É claro!”, respondi com um ar de arrogância.

Ele então me propôs: “- Que tal uma lutinha aqui fora mesmo para aquecer?”

Meu super ego não me deixou declinar daquele desafio.

“- Pode vir!” exclamei.

Estávamos a alguns metros de distância, o piso era de cimento naquele local ao ar livre que era fora do koto.

Enquanto ele corria na minha direção eu aguardei seu ataque.

Ao se aproximar ele saltou desferindo um tub yoko geri.

Me esquivei para contra-golpear antes que ele tocasse o chão, mas no momento da esquiva meu pé esquerdo estava raspando no chão de concreto quando encontrou um grande pedaço de vidro que ficou entre meu pé e o chão. Quando a atleta de Kung Fu caiu ele atingiu meu pé com todo o seu peso, fazendo com que o vidro acabasse de perfurar algumas artérias.

Naquele instante percebendo que meu pé estava ficando roxo tive o reflexo de puxar o pedaço de vidro de dentro do meu pé. Ao realizar essa ação o sangue começou a esguichar a um metro de distância.

Muitas pessoas curiosas imediatamente me cercaram e algumas gritavam por socorro. Um amigo viu aquela cena e foi chamar meu Sensei, Alexandre Coradini.

Rapidamente meu Sensei apareceu. Primeiramente ele pediu para que a multidão se afastasse um pouco, pois logo estaria chegando uma ambulância que ele tinha chamado.

Ele desamarrou minha faixa vermelha da cintura e a amarrou ao redor do meu pé numa tentativa de estancar o sangue que não parava de jorrar. Ele percebeu que eu estava apavorado e tentava me acalmar repetindo o tempo todo: “- Calma Carlos, tudo vai ficar bem. Mantenha a calma”.

Logo a ambulância chegou e me levaram as pressas para o hospital mais próximo.

Chegando lá com o Kimono todo ensanguentado, enfermeiros levaram uma maca até a ambulância para que pudessem me levar para o setor de Enfermagem.

Ao adentrar a enfermagem lembro-me de haver uma enfermeira negra, alta e obesa. Ela desamarrou a faixa do meu pé, examinou o estado e disse sorrindo:

“-Ah, você pratica Judô não é?!”

“-Não, é Karate..” eu respondi. Aí ela disse:

“-Ah! Então você é muito forte. Vai tirar isso de letra…” sorrindo de novo.

Ela colocou um palito de picolé dentre meus dentes e disse: “- Morda isso”. Naquela hora eu fiquei preocupado com a sensação de que algo ruim estava pra acontecer… :(

Ela derramou um frasco de iodo dentro da ferida, que imediatamente ferveu jogando espuma branca e vermelha pra todo lado… Amigos acreditem, tive a nítida impressão de que a mulher tinha ateado fogo no meu pé!

Segurei a maca com força e tentei gritar mas a voz não saiu. Contraí meu corpo todo e por um momento achei que fosse desmaiar, mas isso não aconteceu. A enfermeira então segurou a gase com uma espécie de alicate com as extremidades longas e a introduziu na ferida secando-a. Ela olhou, olhou e disse: “-Olha rapaz, não vou dar ponto porque não há carne aqui para ser costurada (eu podia ver o osso do meu dedão), o negócio vai ser fazer um curativo e você vai trocando esse curativo diariamente até a ferida se fechar sozinha”.

Então a enfermeira fez o curativo e me liberou.

Fiquei uns 2 meses usando chinelo até a total cicatrização, e durante um bom tempo sentia aflição sempre que algo/alguém tocava esse pé, mas hoje ele está novinho em folha. :)

Desse episódio tirei muitas lições, mas acredito que a maior foi a de aprender a ser humilde.

Até hoje mantenho contato com o Sensei Alexandre Coradini, e às vezes nos lembramos alegremente de momentos como esses. Momentos que se apresentaram difíceis quando aconteceram, mas que hoje nos dão alegria ao serem lembrados.

Às vezes determinado acontecimento nos parece uma coisa ruim, mas tente olhar de um ponto de vista diferente, certamente o ocorrido irá colaborar muito para o seu desenvolvimento.

Um forte abraço,

Carlos Camacho.

Kenneth Funakoshi

quinta-feira, novembro 15th, 2007

Um pouco de história… :)

Kenneth Funakoshi nasceu em Honolulu em 4 de Setembro, 1938. O seu pai, Yoshio era primo terceiro de Sensei Gichin Funakoshi (1869 – 1957) e tinha praticado Karate com ele em Okinawa de 1915 até 1925.

Com 10 anos de idade Kenneth Funakoshi começou o estudo de Judo no Fort Gakuen Japanese Language School. Durante os estudos na University of Hawaii, praticou Kempo com Adriano Emperado no Palama Settlement. Emperado tinha sido estudante de William Chow. Chow, por sua vez, era um estudante de Masayoshi James Mitose, que tinha popularizado o Kenpo Karate (ou Kempo Jiu-Jitsu) em Hawaii. Funakoshi treinou com Emperado de 1956 até 1959.

Em 1960, Funakoshi começou a treinar Shotokan com Hirokazu Kanazawa, que tinha sido enviado para o Hawai pela Japan Karate Association. Passados 3 anos, Kanazawa foi seguido por Masataka Mori, que por sua vez foi seguido 3 anos depois por Tetsuhiko Asai. Funakoshi estudou um total de 10 anos com Kanazawa, Mori e Asai. Em 1969, depois de Mori partir do Hawaii, Funakoshi foi nomeado instrutor chefe da Karate Association of Hawaii.

Funakoshi ensinou no Hawaii até 1986, quando se muda para a California. Lá ele funda a Funakoshi Shotokan Karate Association cujo hombu dojo se situa em Milpitas, California, e com filiados em todo o mundo.

Link do hombu dojo do Shihan Funakoshi. Clique aqui.

“Você conhece o seu Kata depois que tiver executado ele mil vezes”.
Kenneth Funakoshi

Abraços,

Carlos Camacho.

Aula de ontem

quinta-feira, novembro 8th, 2007

Aula de ontem

Na aula de ontem Sensei Ramon conduziu o treinamento e estavam presentes os alunos Nilton e Carlos. :)

Treinamos muito kihon e resistência física. Teve aquele exercício conhecido como mergulho, onde você fica em posição para fazer flexões de braço mas abaixa sua cabeça próxima ao solo e movimenta-se para frente como se fosse realmente um mergulho, entrando e saindo d´água. Acho que esse treino teve origem na Índia, depois vou pesquisar sobre isso…

Na segunda parte da aula treinamos bastante Kata.

Sensei Ramon pediu que o Nilton executasse o Heian Shodan a partir de um ‘canto’ do Dojo, lugar ao qual ele já estava acostumado. Ele executou o Kata do começo ao fim.

Depois Sensei Ramon pediu que ele se posicionasse no canto oposto ao qual ele executou o Heian Shodan inicialmente, e então pediu que fizesse o Kata novamente. Nilton se perdeu nos movimentos e errou a sequência de ataques e defesas.

Sensei Ramon disse que o Nilton sabia o Kata, mas seu pensamento estava atrapalhando a execução.

Nesse instante Sensei Ramon pediu que o Nilton ficasse novamente no canto oposto para nova tentativa. Só que desta vez Sensei Ramon solicitou que ele fechasse os olhos dizendo: “- Confie em você, faça o Kata com concentração e Kime pois não permitirei que você atinja alguma coluna ou parede… Hajime!”

Nilton executou o diagrama corretamente, do começo ao fim.

Ao terminar Sensei Ramon disse: “- Pronto! Pode abrir os olhos…”.

Quando abriu os olhos Nilton percebeu que havia parado no mesmo lugar onde começou, uma indicação de que havia realizado o Kata corretamente.

Sensei Ramon finalizou sua explicação: “- Está vendo! Você já conhece o Kata. Falta apenas um pouco de confiança… Quando você tenta ‘se lembrar’ do Kata sua mente trava seus movimentos… Tente realizar o Kata sem se preocupar se está indo para o lado certo… Nós precisamos ‘pensar’ o Kata apenas quando estamos começando a aprendê-lo. Depois que aprendemos, devemos executá-lo sem pensar. É preciso se manter concentrado e deixar o Kata fluir”.

Achei incrível o que aconteceu. E agradeci muito em pensamento por mais este aprendizado.

Na minha vez Sensei Ramon pediu que eu também executasse o Heian Shodan, só que de trás pra frente.

Como assim? Isso mesmo, comecei pelas defesas shuto uke em kokutsu dachi e fui tentando executar os movimentos na ordem contrária a que aprendemos.

Quando Sensei Ramon demonstrou até parecia fácil, mas quando tentei… Nossa! Precisei de várias tentativas para cumprir a missão, e passo-a-passo bem devagar!

Depois dessa experiência Sensei Ramon me perguntou: “- Quer tentar fazer o Heian Nidan assim?” :D

A aula terminou naquele momento de descontração. Em silêncio, mais uma vez agradeci por poder ter participado daquela aula.

Abração,

Carlos Camacho.

Por que você faz reverência?

terça-feira, novembro 6th, 2007

Certa vez meu sensei me ensinou que tudo o que você fizer, seja no Dojo ou em outra atividade que você realize, você deve compreender porque você o faz.

Tendo isso em mente, pergunto à você: – Por que você faz reverência ao entrar no Dojo? :D

Porque fazemos reverência para o Sensei e para os colegas de aula quando estamos praticando artes marciais?

Clique aqui e confira um artigo sobre o que é Reishiki.

Abração,

Carlos Camacho.