Reflexões sobre o Exame de Faixa no Ensino das Artes Marciais
Até 2007 no Dojo Shotokaikan temos realizado 2 Exames de Faixa por ano. Um em cada semestre.
Como abri minha turma em novembro de 2006, meus alunos só realizaram um Exame até o momento. Esse primeiro exame foi realizado em 21 de Abril deste ano. Você pode ver algumas fotos em:
http://blog.karate-do.com.br/album/exame-21abr2007/
Na época do primeiro exame tínhamos mais de 12 alunos treinando com frequência. Dentre eles estavam:
- Brenno, Airam, Nilton, Rafael de Jesus, Roberto e outros.
Os alunos citados acima não realizaram exames por algum dos seguintes motivos:
- Começaram há pouco tempo e não tinham assimilado a técnica ref. ao 7o. Kyu (Faixa Branca); ou
- Rendimento Escolar não estava satisfatório; ou
- Baixa frequência nas aulas; ou
- Falta de disciplina.
A cada um foi explicado o(s) motivo(s) pelo qual não participaria do Exame de Faixa. Souberam também que deveriam melhorar para estarem aptos a realização do próximo exame.
Muitos Dojos promovem os alunos de 6 em 6 meses (as vezes até de 4 em 4) mesmo que estes alunos não tenham assimilado os movimentos e melhorado sua técnica. Isso é muito triste. A impressão que dá é que os pré-requisitos para passar no Exame são meramente estar com a mensalidade em dia e pagar a taxa do Exame.
Considero-me um privilegiado. No Dojo Shotokaikan só treina comigo quem estiver realmente com muita vontade de treinar. Quando temos problemas de indisciplina, o aluno é lembrado de que o Dojo é lugar para treinar firme, e que naquele instante deve estar passando algum filme legal na TV ou deve haver algo lá fora que desperte o interesse do aluno mais do que a minha aula, pois um aluno indisciplinado atrapalha a todos. Atrapalha a aprendizagem dos amigos e fere o Lema do Karatê-Do (“Respeito acima de tudo!“)
Por falar em Lema do Karatê-Do, nós o repetimos em voz alta em todas as aulas. Acreditamos que isso nos renova e nos dá forças para realizarmos um treino com concentração, união e paz. Quando em formação, peço que cada aluno fale uma das frases do Dojo-Kun, assim eles acabam aprendendo ao invés de ficarem apenas repetindo o que eu digo. É preciso sentir cada frase quando as pronunciamos. É preciso por em prática cada uma delas e esse é um grande desafio.
Nós não devemos treinar firme só na véspera de um Exame de Faixa. Acredito que é preciso treinar firme em cada aula. Levar a sério o treinamento é o único caminho para o desenvolvimento.
Tudo bem, confesso que tem dia que a gente tá com aquela preguiça.. Não quer quem pensar em se exercitar… Nos dias de frio então.. Heheh!
Mas é por isso que vamos ao Dojo. Quanto temos amigos unidos com o mesmo objetivo, nossa força se une com as outras e o resultado é uma energia capaz de superar qualquer obstáculo.
São raras as pessoas que tem comprometimento com o treinamento. As vezes um karateca vai até o Dojo e ao chegar lá e verificar que só ele foi, ele vira as costas e vai embora pra casa… São poucos os que diante dessa circunstância vai ao vestiário, se troca, e treina. Mas treina firme! Treina como se estivesse acompanhado de muitos amigos, treina como se aquele dia fosse sua única oportunidade de fazer o que mais gosta.
Até hoje conheci poucas pessoas assim, algumas conheci na minha infância, outras há poucos anos.
Todas chegaram a faixa preta e deram aulas. Algumas já pararam de dar aulas, outros continuam até hoje. Mas o que há de comum entre essas pessoas? Essa resposta eu descobri: é o amor pela sua arte. Não pela arte que escolheram, mas pela arte que os escolheu.
No último final de semana fui a casa de um amigo fazer uma visita. Ele é uma dessas pessoas. Já parou de dar aulas faz um tempo, mas seu treinamento continua em dia (E tenho certeza que continuará treinando até o fim de sua vida).
Nossa conversa foi breve mas deu pra matar as saudades. Ele me emprestou um Livro e disse que é muito interessante, vai me ajudar a conhecer melhor a vida de um grande mestre. Quando ele disse isso eu fiquei em silêncio e pensei: “Mal sabe ele que eu aprendo sobre a vida de um grande mestre em cada conversa que temos”.
Bem, vou concluir esse post porque tá ficando muito grande.
Concluindo: pessoas que amam o que fazem vão continuar fazendo por toda a vida. Eu sou muito grato pois tive a sorte de encontrar professores de Karatê-Do que souberam me mostrar toda a beleza dessa arte e o que ela pode fazer por mim e pelos outros (…).
Se um dia um de meus alunos tiver essa compreensão terei certeza de que o papel de educador foi alcançado, e certamente esse dia será um dos mais felizes da minha vida.
Oss!
Carlos Camacho.