Archive for outubro, 2007

Está esperando o quê?

quinta-feira, outubro 11th, 2007

Está esperando o quê?

Hoje recebi um e-mail de um amigo que acessou o site.

Ele disse ter parado de treinar há algum tempo e está muito estressado com problemas no trabalho. Pediu-me ajuda para encontrar alguma academia para que ele pudesse voltar a treinar.

No nosso blog temos uma lista de academias e dojos que você pode ajudar a deixá-la mais completa informando novos endereços! Confira em:

http://blog.karate-do.com.br/onde-treinar/

Além disso lembrei-me de um tópico sobre qual o momento certo para relaxar e mandei o link para ele. O link é esse aqui:

http://blog.karate-do.com.br/2006/09/22/quando-relaxar/

Não devemos esperar o final de semana, o feriado, as férias ou qualquer data futura para aproveitar o momento. É preciso perceber quando o estresse está começando a tomar conta do nosso organismo.

Identificar tensões e ter uma estratégia para livrar-se delas é um ótimo caminho para evitar o estresse.

De qualquer maneira dessa vez você não tem desculpa nenhuma para deixar de relaxar, afinal amanhã é feriado não é?! :)

Abração,

Carlos Camacho.

Dia 9

terça-feira, outubro 9th, 2007

Dia 9

Exame de Faixa

sexta-feira, outubro 5th, 2007

Reflexões sobre o Exame de Faixa no Ensino das Artes Marciais

Até 2007 no Dojo Shotokaikan temos realizado 2 Exames de Faixa por ano. Um em cada semestre.

Como abri minha turma em novembro de 2006, meus alunos só realizaram um Exame até o momento. Esse primeiro exame foi realizado em 21 de Abril deste ano. Você pode ver algumas fotos em:

http://blog.karate-do.com.br/album/exame-21abr2007/

Na época do primeiro exame tínhamos mais de 12 alunos treinando com frequência. Dentre eles estavam:

- Brenno, Airam, Nilton, Rafael de Jesus, Roberto e outros.

Os alunos citados acima não realizaram exames por algum dos seguintes motivos:
- Começaram há pouco tempo e não tinham assimilado a técnica ref. ao 7o. Kyu (Faixa Branca); ou
- Rendimento Escolar não estava satisfatório; ou
- Baixa frequência nas aulas; ou
- Falta de disciplina.

A cada um foi explicado o(s) motivo(s) pelo qual não participaria do Exame de Faixa. Souberam também que deveriam melhorar para estarem aptos a realização do próximo exame.

Muitos Dojos promovem os alunos de 6 em 6 meses (as vezes até de 4 em 4) mesmo que estes alunos não tenham assimilado os movimentos e melhorado sua técnica. Isso é muito triste. A impressão que dá é que os pré-requisitos para passar no Exame são meramente estar com a mensalidade em dia e pagar a taxa do Exame.

Considero-me um privilegiado. No Dojo Shotokaikan só treina comigo quem estiver realmente com muita vontade de treinar. Quando temos problemas de indisciplina, o aluno é lembrado de que o Dojo é lugar para treinar firme, e que naquele instante deve estar passando algum filme legal na TV ou deve haver algo lá fora que desperte o interesse do aluno mais do que a minha aula, pois um aluno indisciplinado atrapalha a todos. Atrapalha a aprendizagem dos amigos e fere o Lema do Karatê-Do (“Respeito acima de tudo!“)

Por falar em Lema do Karatê-Do, nós o repetimos em voz alta em todas as aulas. Acreditamos que isso nos renova e nos dá forças para realizarmos um treino com concentração, união e paz. Quando em formação, peço que cada aluno fale uma das frases do Dojo-Kun, assim eles acabam aprendendo ao invés de ficarem apenas repetindo o que eu digo. É preciso sentir cada frase quando as pronunciamos. É preciso por em prática cada uma delas e esse é um grande desafio.

Nós não devemos treinar firme só na véspera de um Exame de Faixa. Acredito que é preciso treinar firme em cada aula. Levar a sério o treinamento é o único caminho para o desenvolvimento.

Tudo bem, confesso que tem dia que a gente tá com aquela preguiça.. Não quer quem pensar em se exercitar… Nos dias de frio então.. Heheh!

Mas é por isso que vamos ao Dojo. Quanto temos amigos unidos com o mesmo objetivo, nossa força se une com as outras e o resultado é uma energia capaz de superar qualquer obstáculo.

São raras as pessoas que tem comprometimento com o treinamento. As vezes um karateca vai até o Dojo e ao chegar lá e verificar que só ele foi, ele vira as costas e vai embora pra casa… São poucos os que diante dessa circunstância vai ao vestiário, se troca, e treina. Mas treina firme! Treina como se estivesse acompanhado de muitos amigos, treina como se aquele dia fosse sua única oportunidade de fazer o que mais gosta.

Até hoje conheci poucas pessoas assim, algumas conheci na minha infância, outras há poucos anos.

Todas chegaram a faixa preta e deram aulas. Algumas já pararam de dar aulas, outros continuam até hoje. Mas o que há de comum entre essas pessoas? Essa resposta eu descobri: é o amor pela sua arte. Não pela arte que escolheram, mas pela arte que os escolheu.

No último final de semana fui a casa de um amigo fazer uma visita. Ele é uma dessas pessoas. Já parou de dar aulas faz um tempo, mas seu treinamento continua em dia (E tenho certeza que continuará treinando até o fim de sua vida).

Nossa conversa foi breve mas deu pra matar as saudades. Ele me emprestou um Livro e disse que é muito interessante, vai me ajudar a conhecer melhor a vida de um grande mestre. Quando ele disse isso eu fiquei em silêncio e pensei: “Mal sabe ele que eu aprendo sobre a vida de um grande mestre em cada conversa que temos”.

Bem, vou concluir esse post porque tá ficando muito grande. :)

Concluindo: pessoas que amam o que fazem vão continuar fazendo por toda a vida. Eu sou muito grato pois tive a sorte de encontrar professores de Karatê-Do que souberam me mostrar toda a beleza dessa arte e o que ela pode fazer por mim e pelos outros (…).

Se um dia um de meus alunos tiver essa compreensão terei certeza de que o papel de educador foi alcançado, e certamente esse dia será um dos mais felizes da minha vida.

Oss!

Carlos Camacho.

O Sábio e o Cientista

terça-feira, outubro 2nd, 2007

As diferenças entre um sábio e um cientista? São muitas e não posso dizer todas. Só algumas.

O sábio conhece com a boca, o cientista, com a cabeça. Aquilo que o sábio conhece tem sabor, é comida, conhecimento corporal. O corpo gosta. A palavra “sapio”, em latim, quer dizer “eu degusto”… O sábio é um cozinheiro que faz pratos saborosos com o que a vida oferece. O saber do sábio dá alegria, razões para viver. Já o que o cientista oferece não tem gosto, não mexe com o corpo, não dá razões para viver. O cientista retruca: “Não tem gosto, mas tem poder”… É verdade. O sábio ensina coisas do amor. O cientista, do poder.

Para o cientista, o silêncio é o espaço da ignorância. Nele não mora saber algum; é um vazio que nada diz. Para o sábio o silêncio é o tempo da escuta, quando se ouve uma melodia que faz chorar, como disse Fernando Pessoa num dos seus poemas. Roland Barthes, já velho, confessou que abandonara os saberes faláveis e se dedicava, no seu momento crepuscular, aos sabores inefáveis.

Outra diferença é que para ser cientista há de se estudar muito, enquanto para ser sábio não é preciso estudar. Um dos aforismos do Tao-Te-Ching diz o seguinte: “Na busca dos saberes, cada dia alguma coisa é acrescentada. Na busca da sabedoria, cada dia alguma coisa é abandonada”. O cientista soma. O sábio subtrai.

Riobaldo, ao que me consta, não tinha diploma. E, não obstante, era sábio. Vejam só o que ele disse: “O senhor mire e veja: o mais importante e bonito do mun­do é isto: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas – mas que elas vão sempre mudando…”

É só por causa dessa sabedoria que há educadores. A educação acontece enquanto as pessoas vão mudando, para que não deixem de mudar. Se as pessoas estivessem prontas não haveria lugar para a educação. O educador ajuda os outros a irem mudando no tempo.

Eu mesmo já mudei nem sei quantas vezes. As pessoas da minha geração são as que viveram mais tempo, não pelo número de anos contados pelos relógios e calendários, mas pela infinidade de mundos por que passamos num tempo tão curto. Nos meus 74 anos, meu corpo e minha cabeça viajaram do mundo da pedra lascada e da madeira – monjolo, pi­lão, lamparina – até o mundo dos computadores e da internet.

Os animais e plantas também mudam, mas tão devagar que não percebemos. Estão prontos. Abelhas, vespas, cobras, formigas, pássaros, aranhas são o que são e fazem o que fazem há milhões de anos. Porque estão prontos, não precisam pensar e não podem ser educados. Sua programação, o tal de DNA, já nasce pronta. Seus corpos já nascem sabendo o que precisam saber para viver.

Conosco aconteceu diferente. Parece que, ao nos criar, o Criador cometeu um erro (ou nos pregou uma peça!): deu-nos um DNA incompleto. E porque nosso DNA é incompleto somos condenados a pensar. Pensar para quê? Para inventar a vida! É por isso, porque nosso DNA é incompleto, que inventamos poesia, culinária, música, ciência, arquitetura, jardins, religiões, esses mundos a que se dá o nome de cultura.

Pra isso existem os educadores: para cumprir o dito do Riobaldo… Uma escola é um caldeirão de bruxas que o educador vai mexendo para “desigualizar” as pessoas e fazer outros mundos nascerem…

Rubem Alves.