A definição do que é o “Dô” a seguir é minha. Essa definição certamente muda de pessoa para pessoa. É muito provável que cada um tenha sua própria definição para esse caminho…
“Dô”, do ideograma michi, caminho.
Daí vem o termo “gueido”, o caminho das artes.
Existem as artes relacionadas ao gueijutsu – são as artes nas quais suas obras sobrevivem através dos tempos.
Como exemplos podemos citar a caligrafia, as partituras de músicas ou os livros de poesia.
Existem as artes relacionadas ao gueinô – nessas artes suas obras devem ser recriadas pelos artistas.
Como exemplos temos o teatro nô, chanoryu e o Karatê-Do.
Estudando um pouco sobre a cultura oriental descobri a existência de vários “Dô”.
Posso citar: gadô (caminho da pintura), kôdô (caminho da fragrância do incenso), onkyokudô (caminho da música), tôgueidô (caminho da cerâmica), kabukidô (caminho do drama – kabuki), haikaidô (caminho do poema haikai), shodô (caminho da caligrafia), nôgakudô (caminho do drama lírico clássico – nô), kadô (caminho das flores), chadô (caminho do chá).
Nenhum havia me cativado como o Karatê-Dô.
Todos esses caminhos possuem grandes segredos. Tais segredos só podem ser desvendados após muitos anos, décadas dedicadas a esse caminho.
Na verdade compreendi que ao escolher seu caminho (ou talvez seja o caminho que te escolhe) você sente que isso é uma escolha para a vida toda. Como o Dô é vitalício, fatalmente amanhã você se tornará melhor que hoje. A melhoria é um resultado natural do treinamento contínuo.
Tudo isso está diretamente ligado a tradição. Os segredos do Dô normalmente são transmitidos de pai para filho, de mestre para discípulo. Isso é inevitável uma vez que as artes gueinô precisam disso para resistir ao tempo.
Por ter essa compreensão senti-me na obrigação de ter discípulos.
Eu sabia que quando recebesse a faixa preta viria junto uma grande responsabilidade. Além de iniciar o verdadeiro treinamento junto a meu mestre, havia chegado a minha vez de passar esse conhecimento para frente. Como já disse alguém famoso: não importa o conhecimento que você possui, o importante é o que você faz com o que tem.
Esse é o meu entendimento do “Dô”.
Abraços,
Carlos Camacho.
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