Archive for julho, 2007

Parábola: A janela limpa

terça-feira, julho 31st, 2007

Parábola: A janela limpa

Recém-casados, eles se mudaram para um bairro muito tranqüilo. Na primeira manhã que passavam na casa, enquanto tomavam café, a mulher olhou pela janela e viu que a vizinha pendurava lençóis no varal e comentou com o marido:

– Que lençóis sujos ela está pendurando no varal!

Está precisando de um sabão novo. Se eu tivesse intimidade, perguntaria se ela precisa de ajuda para lavar as roupas!

O marido observou calado. Alguns dias depois, novamente, durante o café da manhã, a vizinha pendurava lençóis no varal e a mulher comentou novamente com o marido:

– Nossa vizinha continua pendurando os lençóis sujos! Se eu tivesse intimidade perguntaria se ela quer que eu a ensine a lavar as roupas! E assim, a cada dois ou três dias, a mulher repetia seu discurso, enquanto a vizinha pendurava suas roupas no varal. Passado um tempo a mulher se surpreendeu ao ver os lençóis muito brancos sendo estendidos, e empolgada foi dizer ao marido:

– Veja, ela aprendeu a lavar as roupas, será que outra vizinha ensinou? O marido calmamente respondeu:

– Não, hoje eu levantei mais cedo e lavei os vidros da nossa janela!

E assim é. Tudo depende da janela, através da qual observamos os fatos.

Cada um vê o mundo de uma forma. Portanto, antes de criticar, verifique se você contribuiu em algo para resolver o problema.

Perceba seus próprios defeitos e limitações.

Olhe, antes de tudo, para sua própria casa, para dentro de você mesmo.

Lave sua vidraça. Abra sua janela!

Autor desconhecido

Mudança de Faixa

terça-feira, julho 31st, 2007

Em pesquisas relacionadas aos pré-requisitos exigidos na mudança de faixa em diferentes artes, achei muito legal as exigências de uma arte para que o aluno seja provomido à Shodan (Faixa Preta).

Além de uma bateria de exigências técnicas, faz parte das exigências a lista a seguir:

- Explicar como a vaidade e o egoísmo atrapalham a felicidade e o desenvolvimento humano (…);

- Explicar as influências na saúde, psique, e espírito na prática da arte;

- Ser capaz de permanecer razoavelmente tranqüilo em situações de ameaças físicas e psicológicas;

- Dar exemplos experimentais de seu dia-a-dia de ter sido capaz de contornar situações conflitantes produzindo harmonia e amizade;

- Demonstrar competência em falar em público, sem barreiras;

- Demonstrar capacidade de tolerância em situações cotidianas;

- Demonstrar estar conduzindo sua vida de forma organizada e equilibrada;

- Demonstrar ser uma pessoa capaz de fazer amigos;

- Demonstrar ser capaz de fazer tarefas que exijam delicadeza, equilíbrio e paciência;

- Demonstrar ser capaz de receber ofensas e críticas sem se alterar exageradamente;

- Ser capaz de colocar seu ponto de vista sem entrar em conflito com o interlocutor;

- Demonstrar capacidade de liderança sabendo conduzir pessoas em harmonia;

- Demonstrar ser pessoa que saiba ouvir;

- Demonstrar zelo e cuidados com sua aparência em todos os sentidos;

- Demonstrar naturalidade em suas ações;

(Outras competências à critério do Mestre)

Até breve!

Carlos Camacho.

Steven Seagal

segunda-feira, julho 30th, 2007

O texto a seguir é parte de uma entrevista com o Shihan Steven Seagal ao Sensei Larry Reynosa do Makoto Dojo, para edição de um livro sobre o que deve ser o Aikido para um iniciante.

(…)

Geralmente tenho a atitude quase de desrespeito ou desdém, com o tipo de pessoas que estão envolvidas nas Artes Marciais somente para conseguir uma faixa preta. Eles que vão a uma loja e comprem uma. Os benefícios que se colhem com as Artes Marciais não tem nada a ver com a cor da faixa, tem a ver com o desenvolver do despertar do espírito, o desenvolver da calma e força mental e emocional e o desenvolver da saúde física e coisas desse tipo.

Acho que isso é algo que você deveria mencionar às pessoas, que se eles querem comprar uma Faixa Preta, que vão a uma loja e comprem uma. Existem várias lojas vendendo em todas as cidades.

Vejam as iscas jogadas, para todas as intenções e propósitos; É a maneira que é feito lá fora por pessoas que querem dinheiro, e seu propósito para ensinar Artes Marciais é somente o dinheiro.

Meu conselho é ter cuidado com pessoas que dizem que vão te dar uma graduação depois de certo tempo. Você tem que ter cuidado com os charlatões nas Artes Marciais. Um dos sinais indicadores dos charlatões, e eu acho que isso deveria também estar no livro, é alguém que diz “- Sim, vamos te dar tal nível em tanto tempo”, que para mim é uma prova automática de alguém ser falso, porque o nível tem que ser algo muito pessoal. Algumas pessoas aprenderão certas coisas em seis meses, e outras pessoas demorarão seis anos. Não há modo disso ser senão de acordo com o nível pessoal.

(…)

Dia 26

quinta-feira, julho 26th, 2007

Dia 26

Yoshitaka/Gigo Funakoshi

terça-feira, julho 24th, 2007

Ontem terminei a tradução da biografia do mestre Gigo Funakoshi, filho de O’SENSEI. Está disponível como primeira matéria na nossa homepage.

Acredito ser uma história interessante para todos os praticantes de Karate-Do, e até mesmo para os admiradores dessa arte marcial.

A tradução para a língua portuguesa e a publicação no nosso site foi autorizada pelo autor, Sr. Gallardo, ao qual sou grato por nos conceder esse privilégio.

Abração e uma ótima semana!

Carlos Camacho.

Dia 23

segunda-feira, julho 23rd, 2007

Dia 23

Reflexões de Budô

segunda-feira, julho 16th, 2007

Reflexões de Budô…

Takekurabe

Takekurabe significa aferição de altura. Isso explica o ato de aproximar-se ou chocar-se contra o adversário, para evitar de tomar uma postura rebaixadora. Em qualquer situação, para penetrar no adversário, é necessário que o corpo se alongue, se estenda ao todo que fique mais solto, à vontade, cheio de reflexos, evitando que se torne encolhido ou espremido. Assim, deve-se enfrentar o adversário, corajosamente, frente a frente, dominador, exercendo pressão no adversário e com força, como se fosse numa aferição de altura.

O segredo das técnicas

A luta não é magia, portanto, não há necessidade de esconder certas técnicas, fazendo segredo. O bom método seria transmitir as técnicas mais fáceis de assimilar, evoluindo para as mais difíceis, juntamente com as teorias mais simples de adaptação e, pouco a pouco, de acordo com o progresso do indivíduo se aprofundando nos assuntos mais complexos. Na luta, as vezes, é melhor utilizar as técnicas fenomenais, não só por aquele que está com o nível técnico em condições de entender do assunto e ter capacidade para utilizá-las com grande aproveito, como por aquele que ja é um mestre.

No Budô, o mestre pode se orgulhar, mesmo que ensine tudo que conhece. Ninguém consegue superá-lo porque existe constante progresso e aprimoramento entre professor e o aluno. Não merece respeito, aquele que leva o budô, exibindo aos leigos os seus mil e um manejos, impressionando-os. O budô não é show, portanto deve ser modesto e servir para o aperfeiçoamento de algo mais na formação de sua personalidade. Possuir bons princípios e confiança, evitando tomar o caminho malévolo e a auto-destruição consequentemente.

A importância dos treinos e seus reflexos

Existe uma tendência no campo esportivo de que as teorias antecipam-se às praticas em geral. As posições de lutas são mais fáceis de assimilar do que as movimentações na luta. Estas tendências ocorrem principalmente quando o adepto tenta se aperfeiçoar fugindo de sua prática e permanecendo longe das experiências vividas.

Os reflexos e as técnicas instantâneas não nascem com os pensamentos ou cálculos e sim através do fenômeno natural que é a maior repetição e a sedimentação constante dos treinos e estes se revelam de um modo mais econômico e perfeito contra diversas formas e tipos de ataques. O treino deve objetivar a vitória, descobrir o caminho real da vida e com persistência no treino, o corpo adquire suas teorias. Através dos treinos, atingindo certo nível, consegue-se diminuir os problemas e tensões que abalam a mente, que trabalham em conjunto e unidade.

Os movimentos na luta tornam-se automáticos e inconscientemente reagem contra qualquer situação em que se encontrem de modo tranqüilo. Toda esta automatização se adquire com o aprimoramento da pesquisa no treino e a dedicação, conseguindo ultrapassar seus ensinamentos, atingindo então o “Satori” (perfeição, iluminação) que não se aprende através de ensinamentos e isto se descobre com o próprio corpo.

Então surge a dúvida – como deve ser o seu treino para que as teorias não se antecipem às práticas? Isto, Yagyu esclarece através da denominação – “grau da lua e da água” (Suiguetsu-no-Kurai). A Lua reflete na água em diversas formas, por motivos de muito tipos de ondas influenciadas pelo ambiente, mas a imagem real é única. O indivíduo bem formado e equilibrado, mesmo de um ambiente sujo, não se contamina, em perfeito estado. É como uma jóia bem lapidada que mesmo dentro da lama, não perde o brilho. Porém, uma pedra não lapidada, a sujeira e a poeira facilmente aderem a ela. manter o estado mental em “Mushim”, quer dizer não ficar escravizado por interesses e idéias confusas e também de mal conceito mental.

Não se define a imagem real do estado mental mas, pode concretizar-se, exemplificando como a água que não possui forma definida, se situando em qualquer recipiente, quer seja redondo ou quadrado, livremente. Não se deve preocupar somente com um conteúdo de treinamento. Assim nos golpes a aplicar, acompanham as técnicas, para as quais participam suas leis e princípios fundamentais. A força mental é a origem das técnicas e a forma ou base de lutar é a origem dos movimentos nos golpes. Através da lealdade consigo mesmo, consegue-se adquirir a vitória, mas com o engano e malandragem, a vitória vem raramente. Não se deve progredir com teorias emprestadas, fugindo das próprias experiências que vive.

A Luta

Um estilo explica: quando enfrentar o adversário seriamente, em frente, surgem duas faces na mente. Uma é para vencê-lo e dominá-lo, outra é o medo tentando fugir da situação, pois a outra é uma coragem falsa e imposta. Aceitar esta realidade e treiná-la para fortificá-la cada vez mais se faz necessário para ter o domínio perfeito das técnicas, inclusive o seu físico. A essência do budô é utilizar ao máximo o trabalho fenomenal da mente, pesquisando-a, sedimentando-a gradativamente para o melhor.

Um cego aproxima-se da cobra sem medo, pois ele não a vê e não conhece o perigo. No início do treino, surge uma etapa em que se enxerga o medo e não consegue se movimentar, mas com persistência, ultrapassando essa barreira, aprende-se a se afastar do perigo.

Quem é bom no zen é bom na luta?

Seus objetivos são distintos, mas muitos falam de seu relacionamento e se confundem. Zen é para ultrapassar o mundo da vida ou da morte, para adquirir a paz espiritual ou mental, conseguindo assim a mente clara e o bom raciocínio, anulando todos os problemas que nos cercam. Deste modo, estando numa situação, no meio de mil adversários, mesmo o seu corpo sendo triturado, consegue manter o estado mental consciente. Mas este estado mental não serve para livrá-lo da morte. Mas, sim, para não temê-la.

Portanto, a diferença no budô seria afastar ou defender-se da morte com auto-confiança. Assim, o estado mental em equilíbrio pode enfrentar e resolver os problemas de modo mais conveniente e útil para si.

Concluindo, só o treino mental não basta, é necessário fortalecer a técnica através do corpo, evitando desta maneira, a influência maléfica. Assim a mente nunca será ameaçada.

Treino ao ar livre

domingo, julho 15th, 2007

Treino ao ar livre

O treino de ontem foi realizado ao ar livre e o local escolhido foi o Parque Burle Marx.

Daqui em diante aproveitaremos todas as oportunidades de treinamento em locais ao ar livre, pois foi uma experiência enriquecedora.

Já havia tido experiências em treinamentos no contato com a natureza, mas esta foi a primeira vez em que eu conduzi o treino.

O zazen foi muito interessante, podíamos ouvir o som dos pássaros e de uma nascente de água; das pessoas praticando corrida, podíamos sentir a brisa bem como o calor do sol.

Sensações que antes apenas as imaginávamos quando o zazen era praticado no Dojo agora eram realidade. Expliquei à eles que existe a prática do zazen em caminhada, mas isso será um outro post… :)

Aproveito para agradecer aos pais, tias e avós que autorizaram a participação dos alunos: Brenno, Adriana, Melissa, Evelyn, Thays e Liliane.

Sobre o Parque Burle Marx

Com 138 mil metros quadrados, o parque oferece trilhas no bosque de Mata Atlântica, um lago, uma nascente, um orquidário, além do jardim projetado e restaurado pelo próprio Burle Marx. É um local mais destinado a passeios e conversas, pouco a prática de esportes. É proibida a entrada com bolas, animais domésticos, motos, bicicletas e patins.

Parque Burle Marx

Karatê: Luta, esporte ou arte marcial

domingo, julho 15th, 2007

Karatê: Luta, esporte ou arte marcial?

Sabemos que as práticas de combate desarmado são tão antigas quanto a própria humanidade. A história das Artes Marciais confunde-se com a evolução humana e perde-se no tempo. Na Grécia antiga, disputas esportivas, passando pelo oriente – India, China e Japão -, o florescimento das Artes de Guerra dotadas de preceitos filosóficos, éticos e morais.

Porém, ao se chocarem com a cultura ocidental, principalmente nos países da América, as Artes Marciais vêm sofrendo ao longo das gerações uma perda de valores e princípios antes inerentes a sua estrutura.

O Karate em particular foi fundamentado no Japão pelo Bushido, a via dos antigos Samurais, onde uma série de aspectos formais e conceitos relativos à disciplina, ao comportamento cortês, a boa educação e o empenho pelo esforço e persistência eram peças fundamentais na vida desses guerreiros.

Hoje a popularização das Artes Marciais trouxe a inserção de competições esportivas no Karate, no Judô, no Taekwondo e entre outras, que se destacam por utilizarem regras de proteção à integridade física de seus atletas e visam à competição saudável e amistosa. E embora adaptadas aos novos tempos, estas modalidades ainda mantém no seio de seu aprendizado aqueles fundamentos relativos ao adequado comportamento do indivíduo perante a sociedade, ou seja, trata-se do “esporte” moderno aliado ao tradicionalismo do “Marcial”.

O grande problema que muitas vezes têm descaracterizado a beleza das milenares Artes é o surgimento recente de modalidades de simples “lutas”, onde objetivo único tem se mostrado decidir quem é o mais forte vencendo duelos, como uma espécie de circo de arena que distrai o povo das questões mais sérias da sociedade. Tais modalidades são originárias das Artes Marciais tradicionais, porém desprovidas dos aspectos culturais a elas inerentes.

Considera-se de enorme perigo à sociedade a expansão de tais modalidades, em virtude da falta de orientação de seus praticantes quanto à necessidade de desenvolver o autoconhecimento, controle e moderação no uso prático e na argumentação dos aspectos que envolvam o confronto corpo-a-corpo. Uma comparação ilustrativa, seria conceder licença ao porte de armas para um cidadão cujo perfil psicológico não se enquadre no mínimo dos requisitos necessários para tal intento. Pois se compreende que um perito em Artes Marciais pode, em determinadas situações, causar lesões graves e até mesmo levar a morte de seu adversário no caso de confronto real.

Felizmente existem muitos instrutores com excelente formação, seja acadêmica ou aquela desenvolvida nos treinamentos diários, que disseminam a orientação educacional correlativamente ao ensino e aprendizagem de seus alunos. Cuidado porém devemos ter com os maus orientadores, aqueles que deixaram de lado o que deveria ser o principal objetivo das Artes Marciais: o caminho do desenvolvimento pessoal, e prezam por direcionar seus discípulos com a restrita mentalidade de “vencer lutas”.

Esse processo de desvirtuamento ético e moral tem ocorrido nas mais diversas modalidades, o que descarta a hipótese de discriminarmos apenas determinadas disciplinas em particular. Caberá então ao leigo, antes de iniciar-se na prática propriamente, pesquisar e analisar o perfil psicológico e social que envolve cada grupo de praticantes e escolher aquele que melhor se adapte às suas necessidades, sendo que, se encontrar uma verdadeira escola de Artes Marciais terá logo nas primeiras impressões um clima de respeito mútuo e cortesia entre os seus praticantes.

por André S. Maraschin

Parábola: O bambu chinês

quarta-feira, julho 4th, 2007

Parábola: O bambu chinês

Depois de plantada a semente deste incrível bambu, não se vê nada, absolutamente nada, por 4 anos, exceto o lento desabrochar de um diminuto broto, a partir do bulbo.

Durante 4 anos, todo o crescimento é subterrâneo, numa maciça e fibrosa estrutura de raiz, que se estende em todas direções dentro da terra.

Mas então, no quinto ano, o bambu chinês cresce, até atingir 24 metros. Covey escreveu: “Muitas coisas na vida (pessoal e profissional) são iguais ao bambu chinês.”

Você trabalha, investe tempo e esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento, e, às vezes, não se vê nada por semanas, meses ou mesmo anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando e nutrindo, o “quinto ano” chegará e o crescimento e a mudança que foram processados vão deixá-lo espantado.

O bambu chinês mostra que não podemos desistir fácil das coisas… Em nossos trabalhos, especialmente projetos que envolvam mudanças de comportamento, cultura e sensibilidade para ações novas, devemos nos lembrar do bambu chinês para não desistirmos fácil frente às dificuldades que surgem e que são muitas…

Autor desconhecido