Budô: Ouvir o Som do Vento e da Água
Budô: Ouvir o Som do Vento e da Água
O homem pode se dividir em duas partes: parte externa ou superficial e interna ou mental. O controle ideal seria semelhante ao do Texto anterior (Mente em “Ken” e “Tai”), mas também pode dizer-se que, para um lutador, sua parte externa deve colocar-se em estado calmo e a parte interna em estado dinâmico e ativo.
Yagyu Tajimano kami diz: “O vento em si não emite nenhum som. Mas, se vier a soprar mais baixo e em contato com diversos tipos de obstáculos, emite vários tipos de sons. A água quando cai, não tem som, mas ao chocar-se contra algum obstáculo, produz diversos sons. Assim, deve-se reagir calmamente de acordo com as circunstâncias e necessidades. Deve-se manter a calma superficialmente, porém, no interior deve-se se estar em ação para se aprimorar.”
No Budô, o corpo em movimento nervoso não é recomendável e também se deve evitar a influência mental pela movimentação superficial.
Existem os termos:
IN, que se pode traduzir como pólo negativo, lua, noite, dorsal; e
YOU, pólo positivo, Sol, dia, facial.
Ambos são necessários para compreensão de tudo que nos cerca. Devem ser ajustados equilibradamente, simultaneamente com a sua parte externa e interna do corpo. Quando a sua parte interna for YOU (ativa), a parte externa é IN (calma) ou virce-versa, deverá sempre haver um equilíbrio entre a mente e o corpo.
O “Ki” pode ser expresso na alegria, no estado de atenção, de alerta de vontade, nos anseios, etc. e assim se pode trabalhar com o KI (energia de ação) em grande uso no seu interior e com cuidado e precaução no exterior ou, no interior calma e exterior ativo. Expondo o KI desse modo, tudo isso deve ser natural como o amanhecer e o anoitecer.
Assim, Ken (ataque), Tai (defesa), Dou (movimento) e Sei (parado) devem ser ajustados harmonicamente e alternadamente no seu interior e exterior do corpo ou inversamente.
Um pássaro d’água que flutua sobre a mesma, aparentemente está calmo, mas por baixo da superfície da água está utilizando cuidadosamente suas patas a procura de iscas.
Existem duas faces opostas chegando à perfeição, cujo trabalho do corpo no seu íntimo e no exterior se torna uma ação conjunta, perfeitamente livre e espontânea. Jubei Yagyu analisando o provérbio acima citado, diz: “Durante a luta tenha sua mente tranqüila consigo mesmo, consiga ouvir o sussurro do vento e da água”.