Archive for março, 2007

Parábola: Hora de Morrer

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: Hora de Morrer

Ikkyu, um mestre zen, era muito inteligente até quando era apenas um menino. O seu instrutor possuía uma preciosa xícara de chá, uma peça antiga e rara. Ikkyu acabou quebrando essa xícara e ficou completamente perplexo.

Ouvindo os passos de seu instrutor, ele segurou os pedaços da xícara atrás de si. Quando o mestre apareceu, Ikkyu perguntou:

- Mestre, por que as pessoas têm de morrer?

- Isto é natural… – explicou o homem mais velho – Tudo tem de morrer e tem um tempo determinado para viver.

Ikkyu, mostrando a xícara despedaçada, acrescentou:

- Era tempo de sua xícara morrer.

Parábola: A lua não pode ser roubada

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: A lua não pode ser roubada

Riokan, um mestre zen, vivia o tipo mais simples possível de vida em uma pequena cabana no sopé de uma montanha. Uma noite, um ladrão visitou a cabana e surpreendeu-se ao descobrir que não havia nada nela para ser roubado. Ryokan voltou e o pegou.

- Você provavelmente veio de longe para me visitar – disse ele ao gatuno – E não deve voltar com as mãos vazias. Por favor, tome minhas roupas como um presente.

O ladrão ficou completamente desnorteado. Ele pegou as roupas e escapuliu.

Ryokan sentou-se nu, observando a lua.
- Pobre rapaz…. – ele pensou – Eu gostaria de poder ter dado a ele esta bela Lua.

Parábola: Uma xícara de chá

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: Uma xícara de chá

Nan-in, um mestre japonês, recebeu um professor universitário que o visitou para fazer perguntas sobre o zen. O professor estava cheio de idéias, e fazia muitas perguntas.

Nan-in serviu o chá. Ele encheu completamente a xícara de seu visitante e depois continuou a servir mais chá nela. O professor observou o derramamento de chá até não poder mais se controlar.

- Já está derramando! Não cabe mais nada! – Falou o professor.

- Como esta xícara – disse Nan-in – Você está cheio de suas própria opiniões e especulações. Como posso lhe mostrar o zen a menos que você primeiro esvazie sua xícara?

Budô: Formas de lutar

quarta-feira, março 21st, 2007

Budô: Formas de lutar

Assim, através dos treinos, adquirir e assimilar as cinco formas de luta e todas as técnicas. O corpo aumenta sua flexibilidade, toma decisões corretas e obtém o ritmo certo, facilitando os reflexos e impulsos. No início vence um adversário, depois dois, três e muitos outros, aprendendo o certo e o errado na luta e, gradativamente, começando a perceber seu real objetivo.

Não se deve apressar e nem precipitar nos treinos e sim conhecer vários tipos de adversários, inclusive o preparo mental deles, alcançando essa meta com as próprias experiências vividas.

O Triplo Filtro

terça-feira, março 20th, 2007

O Triplo Filtro

Na Antiga Grécia, Sócrates foi famoso por sua sabedoria e pelo grande respeito que professava a todos.

Um dia, um conhecido se encontrou com o grande filósofo, e lhe disse:

- Sabe o que escutei sobre teu amigo?

- Espera um minuto – replicou Sócrates. Antes que me diga qualquer coisa, quero que passes por um pequeno exame. Eu o chamo de exame do TRIPLO FILTRO.

- Triplo Filtro? – perguntou o outro.

- Correto – continuou Sócrates. Antes de que me fale sobre meu amigo, pode ser uma boa idéia filtrar três vezes o que vai dizer.

- O primeiro filtro é a VERDADE. Está absolutamente seguro de que o que vai me dizer é certo?

- Não – disse o homem. Realmente só escutei sobre isso e…

- Bem – disse Sócrates. Você então realmente não sabe se é certo ou não.

– Agora me permita aplicar o segundo filtro, o filtro da BONDADE. É algo bom o que vai me dizer do meu amigo?

- Não, pelo contrário…

- Então, deseja me dizer algo ruim dele, porém não está seguro de que esteja certo.

- Mesmo que agora eu quizesse escutá-lo – continuou Sócrates – ainda não poderia, pois falta um filtro, o filtro da UTILIDADE. Me servirá de algo, saber o que você vai me dizer do meu amigo?

- Não, na verdade não…

- Bem – concluiu Sócrates. Se o que me desejas dizer não é certo, nem tão bom e tão pouco me será útil, por que eu iria querer saber?

Use esse triplo filtro toda vez que vierem te contar algo sobre alguém ou sobre algum assunto. É bom se certificar que os fatos sejam “verdadeiros”, expressem “bondade” e te tragam alguma “utilidade”.

Parábola: O vinho e a água

segunda-feira, março 19th, 2007

Parábola: O vinho e a água

Nos Alpes Italianos existia um pequeno vilarejo que se dedicava ao cultivo de uvas para produção de vinho. Uma vez por ano, acontecia uma grande festa para comemorar o sucesso da colheita.

A tradição exigia que, nessa festa, cada morador do vilarejo trouxesse uma garrafa do seu melhor vinho para colocar dentro de um grande barril, que ficava na praça central.

Um dos moradores pensou: “Por que deverei levar uma garrafa do meu mais puro vinho? Levarei água, pois no meio de tanto vinho o meu não fará falta.” Assim pensou e assim fez.

Conforme o costume, em determinado momento, todos se reuniram na praça, cada um com sua caneca para provar aquele vinho, cuja fama se estendia muito além das fronteiras do país. Contudo, ao abrir a torneira, um absoluto silêncio tomou conta da multidão.

Do barril saiu … água! “A ausência da minha parte não fará falta”, foi o pensamento de cada um dos produtores…

Muitas vezes somos conduzidos a pensar: “Existem tantas pessoas no mundo. Se eu não fizer a minha parte, isto não terá importância.” … e assim vamos beber água em todas as festas…

O prêmio

segunda-feira, março 19th, 2007

O prêmio

Comecei a ministrar aulas de Karatê em novembro do ano passado. Na época, inscrevi muitas crianças e pra falar a verdade a maioria delas não tinha uma boa disciplina.

Os praticantes de artes marciais sabem que a disciplina é algo imprescindível para o seu desenvolvimento. Disciplina em diversos aspectos: respeito perante o Sensei, perante os amigos de treino e disciplina consigo mesmo, pois ninguém pode obrigar uma pessoa a ser persistente com o objetivo de alcançar uma meta. Se o próprio aluno não possui em si a vontade de aprender corretamente, é difícil que um fator externo consiga mudar essa atitude.

Do contrário, quando alguém está disposto a aprender, aumentar essa chama e fazê-la crescer diariamente é fácil. Aumentando a chama da vontade de aprender, o aluno sentirá esse calor após cada aula, e se sentirá feliz por esse sentimento.

Desde o ano passado até hoje, o tempo revelou quem realmente deseja aprender Karatê. Naquele tempo era difícil distinguir pois apesar dos verdadeiros karatecas estarem no grupo, a questão da disciplina era um problema a ser trabalhado.

Certo dia eles receberam o seguinte desafio: Quem se dedicar mais ao treino, prestar atenção constante e tiver disciplina exemplar ganhará um Kimono. Esse período de avaliação terá duração de 3 meses e o Kimono será entregue no final de março. Seguindo essa mesma idéia, quem for indisciplinado receberá um ponto negativo, e três pontos negativos impossibilitará o aluno de assistir a próxima aula. É claro que tudo isso vem da teoria do Behaviorismo de Skinner.

Minha esposa já possui alguma prática educacional e foi ela quem propôs o desafio. A ajuda através do reforço positivo era para ser usada durante pouco tempo. Já as regras combinadas com o grupo deverão ser praticadas sempre.

Ela estava certa (ela e o psicólogo B. F. Skinner), pois com isso as crianças mudaram de comportamento e foram percebendo que só haviam vantagens em ser bom aluno.

A data da premiação será finalmente na próxima quinta-feira, e vejo em seus olhos que eles estão extremamente ansiosos em saber quem foi o vencedor.

No fundo todos que estão treinando são vencedores, pois são disciplinados e demonstram grande interesse em aprender Karatê.

Noutro dia alguns alunos estavam brincando e gritando perto do Dojo e um dos alunos, o Guilherme, chamou a atenção das crianças dizendo que ali não podiam fazer barulho para não atrapalhar a aula. Isso representa uma mudança de atitude muito grande pois alguns meses atrás o Guilherme estava dentre as crianças que gritavam do lado de fora do Dojo…

Dentre os meus ideais não estão formar campeões Pan-Americanos ou Senseis, minha meta é fazer dos meus alunos pessoas melhores, pessoas que saibam distinguir o certo do errado, que compreendam seus direitos e deveres, que respeitem a si e aos seus semelhantes. E estou orgulhoso pois isso certamente está ocorrendo.

Em Junho próximo haverá exame de faixa. Quem tiver dominado as técnicas de Uke (defesas), Zuki (ataques), Kihon, Kata e Shiai (Luta) referentes a faixa branca serão submetidos a avaliação de uma Banca Examinadora formada por faixas pretas. Se todos continuarem treinando com a mesma garra que têm treinado em busca da premiação do Kimono, tenho certeza de que todos serão aprovados (…).

Uma ótima semana à todos!

Carlos Camacho. :)

Tradição

sexta-feira, março 16th, 2007

Na aula de ontem no Dojo, além do Sensei Ramon estavam presentes para me auxiliar: Lamarque, Marcelo e Antônio.

Expliquei aos alunos que o Kimono não é branco simplesmente para sabermos que está na hora de lavá-lo. Na verdade existe toda a tradição do uso do kimono branco na prática do Karatê. A cor branca do kimono simboliza a paz, a harmonia, a ausência de pensamentos negativos. Fazendo essa abordagem corrigi um erro que havia cometido do último exame de faixa quando disse que o kimono era branco simplesmente por questões de higiene… :)

O Antônio participou do treinamento e ajudou-me bastante pois pedi que todos os alunos observassem atentamente seu comportamento e movimentos.

O Lamarque emprestou-me a Hakama e deixou que eu a usasse. Os alunos ficaram maravilhados com a beleza da Hakama e imediatamente perguntaram o que era aquela vestimenta.

A Hakama é um tipo de vestimenta tradicional do Japão. Cobre a parte inferior do corpo e se assemelha a uma saia larga.

Existem dois tipos de hakama, inteiriço (como uma saia), ou dividido (como calças) conhecida por unamori (hakama de equitação).

Originalmente os unamori eram usados por samurais para proteger as pernas enquanto andavam a cavalo. A pé, a hakama esconde as pernas, tornando mais difícil prever a movimentação, dando assim vantagem em combate.

Atualmente as hakamas são usadas apenas em situações extremamente formais, como a cerimônia do chá, casamentos e funerais; também por atendentes de templos xintoístas e por praticantes de certas artes marciais japonesas como aikido, iaido, kenjutsu, kendo e kyudo.

Abração,

Carlos Camacho. :P

A seguir uma imagem de um atleta usando a hakama…

Hakama

Parábola: A ratoeira

quarta-feira, março 14th, 2007

Parábola: A ratoeira

Um rato olhando pelo buraco na parede vê o fazendeiro e sua mulher abrindo um pacote. Pensou logo em que tipo de comida poderia ter ali. Ficou aterrorizado quando descobriu que era uma ratoeira. Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos: “Tem uma ratoeira na casa, uma ratoeira na casa.”

A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:

– Desculpe-me sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não me incomoda.

O rato repetiu a história ao porco.

– Desculpe-me sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.

O rato dirigiu-se à vaca e repetiu a história.

– O que sr. Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não!

Então o rato voltou para a casa, cabisbaixo e abatido, para encarar a ratoeira do fazendeiro. Naquela noite ouviu-se um barulho, como o de uma ratoeira pegando sua vítima. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia. No escuro, ela não viu que a ratoeira prendeu a cauda de uma cobra venenosa. A cobra picou a mulher. O fazendeiro levou-a imediatamente ao hospital. Ela voltou com febre. Todo mundo sabe que, para alimentar alguém com febre, nada melhor que uma canja. O fazendeiro pegou seu cutelo e foi providenciar o ingrediente principal. Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá- los, o fazendeiro matou o porco. Como a mulher não melhorou, muitas pessoas vieram visitá-la. O fazendeiro então sacrificou a vaca para alimentar toda aquela gente.

Na próxima vez que você ouvir dizer que alguém está diante de um problema e acreditar que o problema não lhe diz respeito, lembre-se: quando há uma ratoeira na casa, toda a fazenda corre risco.

Ensinando ou Aprendendo?

terça-feira, março 13th, 2007

Na aula de ontem distribui o material sobre Budô para os meus alunos e, após o treino, conversamos um pouco a respeito.

Discutimos o Lema do Karatê (Dojo Kun) e o significado de cada uma das 5 frases deixadas pelo Mestre Funakoshi.

Fico muito feliz em ver que todos estão aprendendo muitas coisas, na verdade também estou aprendendo muito com eles a cada dia. Às vezes não sei se eles aprendem comigo ou eu com eles…

Alguns pais e meu Sensei assistiram a aula de ontem, espero que tenham gostado… :P

Vou deixar abaixo um texto do escritor Roberto Shinyashiki.

Abraços,

Carlos Camacho.

Sabe por que quase todos são melhores avós do que quando foram pais? É que o tempo lhes mostrou que algumas das verdades em que antes acreditavam cegamente causaram sofrimentos inúteis e, compreendendo mais perfeitamente como a vida funciona, eles puderam alterar para melhorar seus pontos de vista.

Quando os pais iniciam a educação dos filhos, geralmente estão na faixa etária entre 20 e 30 anos. Nessa idade, ainda buscam a auto-afirmação e por isso, normalmente, passam mensagens para as crianças que atuam como ordens expressas.

Passados alguns anos, e após muitas frustrações, freqüentemente os pais mudam a maneira de ver o mundo. Percebem que muitas de suas idéias eram falsas e procuram opções saudáveis de vida.

O problema, no entanto, é que, apesar dessas mudanças, os filhos crescem e continuam seguindo todas as orientações distorcidas que receberam deles na infância.

O pai que dizia à filha para não confiar em ninguém acaba descobrindo que ela não consegue estabelecer uma relação afetiva gratificante.

A mãe que incentivava o filho a ser sempre o melhor em tudo percebe que ele não consegue desfrutar a vida nem tem amigos, pois acostumou-se a sempre encarar as pessoas como adversárias.

Os pais se arrependem quando vêem que os filhos seguiram aquelas antigas instruções nascidas de sua própria insegurança. Mas ficam sem coragem de pedir desculpas pelas orientações que deram no passado e não criam a oportunidade para que os filhos evoluam também.

Se você perceber que seu filho tem problemas gerados por orientações com as quais você já não concorda, é bom ter a grandeza de compartilhar humildemente com ele seu arrependimento sincero por haver transmitido tais mensagens e, se for o caso, pedir o perdão dele.

Muitas pessoas passam a vida simplesmente seguindo estritamente orientações que receberam na época de infância, como se fossem maldições das quais não conseguem se desvencilhar. A mudança do modo de pensar dos pais é uma das maneiras mais eficazes de ajudá-las em seu processo de libertação.

Um exemplo: dois jovens se casaram e seus pais ficaram muito amigos. Sempre se encontravam, viajavam juntos, tinham uma comunicação bem aberta. Quando o casamento dos jovens apresentou sérias dificuldades e eles pensaram em separar-se, os sogros ficaram preocupados. Começaram a conversar sobre o modo de os filhos se conduzirem e o estilo de casamento que tinham adotado. Então se deram conta de que os filhos repetiam as mesmas condutas deles, pais, quando eram mais jovens e estavam sofrendo idênticos problemas de início de casamento que eles tiveram.

Fizeram uma reflexão profunda, e um dia os quatro deixaram cartas ao jovem casal. Nessas missivas, cada um deles assumia a responsabilidade por todas as mensagens negativas que enviara para os filhos e falava das frustrações que tais condutas haviam causado em suas vidas como casados. As mensagens dos pais terminavam mais ou menos assim:

“É muito triste ver vocês repetirem coisas que nós fizemos e ensinamos a vocês na infância. Foram coisas que não deram certo e nos fizeram sofrer. Nós amamos vocês e torcemos para que encontrem agora o seu próprio jeito de amar”.

Ter a humildade de reconhecer um erro é o primeiro passo para resolver verdadeiramente um problema.

Roberto Shinyashiki