O super-herói

O super-herói

Vivemos, hoje, a sensação de lutar, lutar, e ainda assim não dar conta de tudo o que precisa ser feito. As pessoas trabalham como loucas, mas nunca conseguem o retorno desejado.

Amam seus filhos, mas se sentem culpadas por não estar com eles tanto quanto gostariam. Amam o companheiro, mas não têm energia para desfrutar desse amor após uma longa jornada de trabalho. Desejam permanecer atualizadas, mas não conseguem ler os livros, as revistas, entre outras publicações que compram.

O sentimento que fica é de um eterno devedor. E o resultado disso? Quanto mais as pessoas sentem esse vazio, mais o preenchem com imagens.

Querem ser super-heróis. Prevalece o “eu sou o máximo”, “eu sou sensacional”, “eu sei de tudo”, como se nunca cometessem erros.

Esse caminho leva à exaustão. Ninguém consegue ser o máximo o tempo todo e acertar sempre.

Viver a essência

As pessoas têm absoluta certeza sobre o que têm de fazer, e o mundo ainda assim não evolui. Todo mundo erra, mas faz pose de bacana.

As pessoas machucam quem amam, mas sempre têm uma justificativa na ponta da língua. Falta humildade.

Se a gente observar, as relações não andam, ficam amordaçadas, as famílias estão fragmentadas, o trabalho das pessoas se sustenta abaixo de muita pressão.

Nas empresas, todo mundo sabe o que precisa ser feito e acha que sua proposta tem de prevalecer. E só há uma forma disso se estabelecer, que é destruindo as relações e a confiança das pessoas.

No fim das contas, quais são as pessoas que acabam dando certo?

Aquelas mais simples, que constroem suas vidas com significado, baseadas nos sentimentos do coração, sem a preocupação de ganhar do outro sempre.

Vivem sua essência.

Aplauso a qualquer custo

O modelo darwiniano é perfeito para explicar a sociedade em que vivemos: só os mais adaptáveis sobrevivem.

Isso é predatório e catastrófico para a dignidade do ser humano. A civilização do jeito que está, em que você quer ser aplaudido a qualquer custo, dá origem ao grupo dos abençoados e dos desprezados. Começa a surgir o favorecimento apenas para a minoria.

Esse modelo, que me faz lembrar a música do grupo Abba, The winners take all (Os vencedores levam tudo), dá sucesso e lucro só para poucos.

Nesse cenário excludente, as pessoas estão inseguras, mas procuram mostrar certeza. Elas erram, mas procuram mostrar que sabem.

Tenha dúvidas

Uma pessoa sem dúvidas não mudará nunca. A confusão motiva a busca de novas respostas. Se observarmos os profissionais, os pais, as mães, os filhos, todos têm muita certeza e pouca dúvida.

Está se criando, por exemplo, uma geração de jovens que não tem dúvidas e, por isso, não lêem e não buscam o novo.

Nos relacionamentos, não há mais a atitude de “me ensina como se faz, eu quero aprender”.

O resultado disso é que hoje o mundo está travado.

Todo mundo sabe o que é certo, todo mundo precisa ser super-herói.

Roberto Shinyashiki

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