Archive for março, 2007

O super-herói

sexta-feira, março 30th, 2007

O super-herói

Vivemos, hoje, a sensação de lutar, lutar, e ainda assim não dar conta de tudo o que precisa ser feito. As pessoas trabalham como loucas, mas nunca conseguem o retorno desejado.

Amam seus filhos, mas se sentem culpadas por não estar com eles tanto quanto gostariam. Amam o companheiro, mas não têm energia para desfrutar desse amor após uma longa jornada de trabalho. Desejam permanecer atualizadas, mas não conseguem ler os livros, as revistas, entre outras publicações que compram.

O sentimento que fica é de um eterno devedor. E o resultado disso? Quanto mais as pessoas sentem esse vazio, mais o preenchem com imagens.

Querem ser super-heróis. Prevalece o “eu sou o máximo”, “eu sou sensacional”, “eu sei de tudo”, como se nunca cometessem erros.

Esse caminho leva à exaustão. Ninguém consegue ser o máximo o tempo todo e acertar sempre.

Viver a essência

As pessoas têm absoluta certeza sobre o que têm de fazer, e o mundo ainda assim não evolui. Todo mundo erra, mas faz pose de bacana.

As pessoas machucam quem amam, mas sempre têm uma justificativa na ponta da língua. Falta humildade.

Se a gente observar, as relações não andam, ficam amordaçadas, as famílias estão fragmentadas, o trabalho das pessoas se sustenta abaixo de muita pressão.

Nas empresas, todo mundo sabe o que precisa ser feito e acha que sua proposta tem de prevalecer. E só há uma forma disso se estabelecer, que é destruindo as relações e a confiança das pessoas.

No fim das contas, quais são as pessoas que acabam dando certo?

Aquelas mais simples, que constroem suas vidas com significado, baseadas nos sentimentos do coração, sem a preocupação de ganhar do outro sempre.

Vivem sua essência.

Aplauso a qualquer custo

O modelo darwiniano é perfeito para explicar a sociedade em que vivemos: só os mais adaptáveis sobrevivem.

Isso é predatório e catastrófico para a dignidade do ser humano. A civilização do jeito que está, em que você quer ser aplaudido a qualquer custo, dá origem ao grupo dos abençoados e dos desprezados. Começa a surgir o favorecimento apenas para a minoria.

Esse modelo, que me faz lembrar a música do grupo Abba, The winners take all (Os vencedores levam tudo), dá sucesso e lucro só para poucos.

Nesse cenário excludente, as pessoas estão inseguras, mas procuram mostrar certeza. Elas erram, mas procuram mostrar que sabem.

Tenha dúvidas

Uma pessoa sem dúvidas não mudará nunca. A confusão motiva a busca de novas respostas. Se observarmos os profissionais, os pais, as mães, os filhos, todos têm muita certeza e pouca dúvida.

Está se criando, por exemplo, uma geração de jovens que não tem dúvidas e, por isso, não lêem e não buscam o novo.

Nos relacionamentos, não há mais a atitude de “me ensina como se faz, eu quero aprender”.

O resultado disso é que hoje o mundo está travado.

Todo mundo sabe o que é certo, todo mundo precisa ser super-herói.

Roberto Shinyashiki

Parábola: O Ladrão Que Virou Discípulo

quarta-feira, março 28th, 2007

Parábola: O Ladrão Que Virou Discípulo

Uma noite quando Shichiri Kojun estava recitando sutras um ladrão com uma espada entrou em seu zendo, exigindo seu dinheiro ou a sua vida. Shichiri disse-lhe:

- Não me perturbe. Você pode encontrar o dinheiro naquela gaveta.

E retomou sua recitação. Um pouco depois ele parou de novo e disse ao ladrão:

- Não pegue tudo. Eu preciso de alguma soma para pagar os impostos amanhã.

O intruso pegou a maior parte do dinheiro e principiou a sair.

- Agradeça à pessoa quando você recebe um presente – Shichiri acrescentou. O homem lhe agradeceu, meio confuso, e fugiu.

Poucos dias depois o indivíduo foi preso e confessou, entre outras coisas, a ofensa contra Shichiri. Quando Shichiri foi chamado como testemunha, disse:

- Este homem não é ladrão, ao menos tanto quanto me diz respeito. Eu lhe dei o dinheiro e ele inclusive me agradeceu por isso.

Após o homem ter cumprido sua pena, foi a Shichiri e tornou-se um de seus discípulos.

Parábola: O Quebrador de Pedras

terça-feira, março 27th, 2007

Parábola: O Quebrador de Pedras

Era uma vez um simples quebrador de pedras que estava insatisfeito consigo mesmo e com sua posição na vida. Um dia ele passou em frente a uma rica casa de um comerciante.

Através do portal aberto, ele viu muitos objetos valiosos e luxuosos e importantes figuras que freqüentavam a mansão.

“- Quão poderoso é este mercador!” pensou o quebrador de pedras. Ele ficou muito invejoso disso e desejou poder ser como o comerciante.

Para sua grande surpresa ele repentinamente tornou-se o comerciante, usufruindo mais luxos e poder do que jamais imaginara, embora fosse invejado e detestado por todos aqueles menos poderosos e ricos do que ele.

Um dia um alto oficial do governo passou à sua frente na rua, carregado em uma liteira de seda, acompanhado por submissos atendentes e escoltado por soldados, que batiam gongos para afastar a plebe. Todos, não importa quão ricos, tinham que se curvar à sua passagem.
“- Quão poderoso é este oficial!” ele pensou. “- Gostaria de poder ser um alto oficial!”

Então ele tornou-se o alto oficial, carregado em sua liteira de seda para qualquer lugar que fosse, temido e odiado pelas pessoas à sua volta. Era um dia de verão quente, e o oficial sentiu-se muito desconfortável na suada liteira de seda. Ele olhou para o Sol. Este fulgia orgulhoso no céu, indiferente pela sua reles presença abaixo.
“- Quão poderoso é o Sol!” ele pensou. “- Gostaria de ser o Sol!”

Então ele tornou-se o Sol. Brilhando ferozmente, lançando seus raios para a terra sobre tudo e todos, crestando os campos, amaldiçoado pelos fazendeiros e trabalhadores. Mas um dia uma gigantesca nuvem negra ficou entre ele e a terra, e seu calor não mais pôde alcançar o chão e tudo sobre ele.
“- Quão poderosa é a nuvem de tempestade!” ele pensou. “- Gostaria de ser uma nuvem!”

Então ele tornou-se a nuvem, inundando com chuva campos e vilas, causando temor a todos. Mas repentinamente ele percebeu que estava sendo empurrado para longe com uma força descomunal, e soube que era o vento que fazia isso.
“- Quão poderoso é o Vento!” ele pensou. “- Gostaria de ser o vento!”

Então ele tornou-se o vento de furacão, soprando as telhas dos telhados das casas, desenraizando árvores, temido e odiado por todas as criaturas na terra. Mas em determinado momento ele encontrou algo que não foi capaz de mover nem um milímetro, não importando o quanto ele soprasse em sua volta, lançando-lhe rajadas de ar. Ele viu que o objeto era uma grande e alta rocha.
“- Quão poderosa é a rocha!” ele pensou. “- Gostaria de ser uma rocha!”

Então ele tornou-se a rocha. Mais poderoso do que qualquer outra coisa na terra, eterno, inamovível.

Mas enquanto estava lá, orgulhoso pela sua força, ouviu o som de um martelo batendo em um cinzel sobre uma dura superfície, e sentiu a si mesmo sendo despedaçado. “- O que poderia ser mais poderoso do que uma rocha?” pensou, surpreso.

Olhou para baixo de si e viu a figura de um quebrador de pedras…

Parábola: Talvez

segunda-feira, março 26th, 2007

Parábola: Talvez

Há um conto Taoísta sobre um velho fazendeiro que trabalhou em seu campo por muitos anos.

Certo dia seu cavalo fugiu. Ao saber da notícia, seus vizinhos vieram visitá-lo.

“- Que má sorte!” eles disseram solidariamente.

“- Talvez.” o fazendeiro calmamente replicou.

Na manhã seguinte o cavalo retornou, trazendo com ele três outros cavalos selvagens.

“- Que maravilhoso!” os vizinhos exclamaram.

“- Talvez.” replicou o velho homem.

No dia seguinte, seu filho tentou domar um dos cavalos, foi derrubado e quebrou a perna.

Os vizinhos novamente vieram para oferecer sua simpatia pela má fortuna.

“- Que pena!” disseram.

“- Talvez.” respondeu o fazendeiro.

No próximo dia, oficiais militares vieram à vila para convocar todos os jovens ao serviço obrigatório no exército, que iria entrar em guerra. Vendo que o filho do velho homem estava com a perna quebrada, eles o dispensaram.

Os vizinhos congratularam o fazendeiro pela forma com que as coisas tinham se virado a seu favor.

O velho olhou-os, e com um leve sorriso disse suavemente:

“- Talvez.”

A perfeição de Deus

sexta-feira, março 23rd, 2007

A perfeição de Deus

No Brooklyn, Nova Iorque, Chush é uma escola que se dedica ao ensino de crianças especiais. Algumas crianças ali permanecem por toda a vida escolar, enquanto outras podem ser encaminhadas para uma escola comum.

Num jantar de beneficência de Chush, o pai de uma criança fez um discurso que nunca mais seria esquecido pelos que ali estavam presentes.

Depois de elogiar a escola e seu dedicado pessoal, perguntou:

“- Onde está a perfeição no meu filho Pedro, se tudo o que DEUS faz é feito com perfeição?
Meu filho não pode entender as coisas como outras crianças entendem.
Meu filho não se pode lembrar de fatos e números como as outras crianças. Então, onde está a perfeição de Deus?”

Todos ficaram chocados com a pergunta e com o sofrimento daquele pai, mas ele continuou:

“- Acredito que quando Deus traz uma criança especial ao mundo, a perfeição que Ele busca está no modo como as pessoas reagem diante desta criança.”

Então ele contou a seguinte história sobre o seu filho Pedro:

Uma tarde, Pedro e eu caminhávamos pelo parque onde alguns meninos que o conheciam estavam a jogar basebol. Pedro perguntou-me: – Pai, você acha que eles me deixariam jogar? – Eu sabia das limitações do meu filho e que a maioria dos meninos não o queria na equipe. Mas entendi que se Pedro pudesse jogar com eles, isto lhe daria uma confortável sensação de participação. Aproximei-me de um dos meninos no campo e perguntei-lhe se Pedro poderia jogar. O menino deu uma olhada ao redor, buscando a aprovação de seus companheiros da equipe e mesmo não conseguindo nenhuma aprovação, ele assumiu a responsabilidade e disse:

- Nós estamos perdendo por seis rodadas e o jogo está na oitava. Acho que ele pode entrar na nossa equipe e tentaremos colocá-lo para bater até à nona rodada.

Fiquei admirado quando Pedro abriu um grande sorriso ao ouvir a resposta do menino. Pediram então que ele calçasse a luva e fosse para o campo jogar. No final da oitava rodada, a equipe de Pedro marcou alguns pontos, mas ainda estava perdendo por três. No final da nona rodada, a equipe de Pedro marcou novamente e agora com dois fora e as bases com potencial para a rodada decisiva, Pedro foi escalado para continuar.

Uma questão, porém, veio à minha mente: a equipe deixaria Pedro, de fato, rebater nesta circunstância e deixar fora a possibilidade de ganhar o jogo? Surpreendentemente, foi dado o bastão a Pedro. Todo mundo sabia que isto seria quase impossível, porque ele nem mesmo sabia segurar o bastão.

Porém, quando Pedro tomou posição, o lançador se moveu alguns passos para arremessar a bola de maneira que Pedro pudesse ao menos rebater.

Foi feito o primeiro arremesso e Pedro balançou desajeitadamente e perdeu. Um dos companheiros da equipe de Pedro foi até ele e juntos seguraram o bastão e encararam o lançador.

O lançador deu novamente alguns passos para lançar a bola suavemente para Pedro. Quando veio o lance, Pedro e o seu companheiro da equipe balançaram o bastão e juntos rebateram a lenta bola do lançador. O lançador apanhou a suave bola e poderia tê-la lançado facilmente ao primeiro homem da base, Pedro estaria fora e isso teria terminado o jogo. Ao invés disso, o lançador pegou a bola e lançou-a numa curva, longa e alta para o campo, distante do alcance do primeiro homem da base.

Então todo o mundo começou a gritar: Pedro, corre para a primeira base, corre para a primeira. Nunca na sua vida ele tinha corrido… mas saiu disparado para a linha de base, com os olhos arregalados e assustado.

Até que ele alcançasse a primeira base, o jogador da direita teve a posse da bola. Ele poderia ter lançado a bola ao segundo homem da base, o que colocaria Pedro fora de jogo, pois ele ainda estava correndo.

Mas o jogador entendeu quais eram as intenções do lançador, assim, lançou a bola alta e distante, acima da cabeça do terceiro homem da base. Todo o mundo gritou: Corre para a segunda, corre para a segunda base. Pedro correu para a segunda base, enquanto os jogadores à frente dele circulavam deliberadamente para a base principal.

Quando Pedro alcançou a segunda base, a curta parada adversária colocou-o na direção de terceira base e todos gritaram: Corre para a terceira. Ambas as equipes correram atrás dele gritando: Pedro, corre para a base principal. Pedro correu para a base principal, pisou nela e todos os 18 meninos o ergueram nos ombros fazendo dele o herói, como se ele tivesse vencido o campeonato e ganho o jogo para a equipe dele.

“Naquele dia,” disse o pai, com lágrimas caindo sobre a face, aqueles 18 meninos alcançaram a Perfeição de Deus. Eu nunca tinha visto um sorriso tão lindo no rosto do meu filho!

O fato é verdadeiro e ao mesmo tempo causa-nos tanta estranheza!

Entretanto, há pessoas que enviam mil piadas por e-mail e elas espalham-se como fogo, mas, quando enviamos mensagens sobre algo de bom, as pessoas pensam duas vezes antes de compartilhá-las. É preocupante que coisas grotescas, vulgares e obscenas cruzem livremente o ciberespaço, mas se você decidir passar adiante esta mensagem, não a enviará para muitos de sua lista de endereços, porque não está seguro quanto ao que eles acreditam, ou o que pensarão de você.

Mostre que está acima de qualquer tipo de discriminação e envie esta linda e verdadeira história. Todos precisamos de parar alguns momentos para pensar naquilo que é realmente importante na vida. A amizade e a solidariedade nunca passarão de moda.

Esse texto foi enviado por e-mail por Rosmeiri F. T.

Espírito de Karateca

quinta-feira, março 22nd, 2007

Espírito de Karateca

As quartas-feiras sou aluno do Sensei Ramon Cabrera, 4o. Dan no Estilo Shotokan de Karatê-Do.

Ontem enquanto estávamos conversando momentos antes do treino no Dojo, aconteceu uma coisa que me deixou muito emocionado e orgulhoso.

Em novembro do ano passado foi feita uma proposta aos meus alunos: o mais dedicado e que tivesse maior assiduidade e disciplina até março/2007 seria premiado com um Kimono Meikyo novo.

Dentre os alunos uma criança destacou-se muito, não só tecnicamente mas também com relação à disciplina. O nome dessa Karateca é Mikaellen.

Todos os meus amigos graduados que assistiram algumas de minhas aulas a elogiaram. Esse reconhecimento vinha também dos próprios colegas de treino, pois se impressionavam com a velocidade de aprendizagem dela. Foi a primeira a executar o Heian Shodan sozinha. A primeira a saber as 5 frases do Dojokun. A primeira a fazer a contagem em japonês… (…).

Ontem, apesar de ser um treino específico para Yudansha (faixas pretas), ela veio se despedir e se justificar porque estava ausente nas últimas aulas. A mãe dela conseguiu vender a casa onde moravam e estão de mudança. Disse a ela que sentiremos muitas saudades (na verdade já estou sentindo), e que ela pode nos visitar sempre que quiser.

Expliquei à ela que a competição do Kimono havia acabado e que a entrega seria hoje. Disse que ela foi a vencedora e perguntei se ela queria que eu fosse buscar o Kimono naquele instante na minha casa ou se ela preferia vir buscá-lo hoje a noite no Dojo (…).

Nesse instante ela me olhou no fundo dos olhos. Seus olhos estavam cheios d´água e seu olhar era penetrante, um olhar que transparecia as saudades de seu Sensei e seus amigos de treino, mas também um olhar de gratidão pelo poucos mas intensos momentos em que convivemos (…). Ela me perguntou:

“- Sensei, posso lhe pedir um favor?” – Com uma voz trêmula.

“- É claro Mikaellen!” – Exclamei sem hesitar.

“- Por favor entregue o Kimono para o 2o. Lugar.”

Confesso que tive de ser forte para segurar as lágrimas naquela hora. Ela estava abrindo mão de seu prêmio porque sabia que haviam amigos que também precisavam e queriam muito usar um Kimono. No Bushidô (Código de Honra dos Samurais), isso é chamado de desapego.

Existem artistas marciais que não teriam uma atitude como essa. Uma atitude humilde, de desapego, de amor ao próximo; Um verdadeiro karateca tem uma atitude assim.

Hoje a noite entregarei o Kimono para o 2o. Lugar – a Adriana – e explicarei à todos o que aconteceu ontem. Esse momento eu guardarei para toda a minha vida, na minha consciência e no meu coração.

O mais intrigante dessa história toda é que de certa forma, eu já esperava essa atitude por parte da Mikaellen. É claro que num contexto geral seria muito esperar isso de uma criança; ainda mais quando estamos falando de uma criança que vive na periferia em condições onde tudo colabora para uma má conduta. Mas é que nesses poucos meses de convivência ela se mostrou muito transparente, seus olhos deixam transparecer suas emoções: a felicidade, a garra, o senso de justiça, a raiva, a indignação, o companheirismo. Se eu pudesse levantar para vocês agora uma daquelas placas que os torcedores de futebol levam para os estádios, seria essa: “- EU JÁ SABIA!

Mikaellen, obrigado por tudo.

Seu Sensei e amigo,

Carlos.

Parábola: Ansiando por Deus

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: Ansiando por Deus

Um sábio estava meditando à margem de um rio quando um homem jovem, um tanto entusiasmado, o interrompeu.

“- Mestre, eu desejo ser seu discípulo!”, disse o jovem.

“- Por quê?” replicou o sábio.

O jovem era uma pessoa que sempre ouviu falar dos caminhos espirituais, e tinha uma idéia fantasiosa e romântica deles. Em sua imaturidade, ele achava que ser “espiritual” era algo como participar de um movimento, de uma crença, de uma moda, sem grandes conseqüências.

Ele então pensou numa resposta bem “profunda” e disse:

“- Porque eu quero encontrar DEUS!”

O sábio pulou de onde estava, agarrou o rapaz pelo cangote, arrastou-o até o rio e mergulhou sua cabeça sob a água. Manteve-o lá por quase um minuto, sem permitir que respirasse, enquanto o terrificado rapaz chutava e lutava para se libertar. Finalmente o mestre o puxou da água e o arrastou de volta à margem. Largou-o no chão, enquanto o homem cuspia água e engasgava, lutando para retomar a respiração e entender o que tinha acontecido.

Quando ele eventualmente se acalmou, o sábio lhe perguntou:

“- Diga-me, quando estava sob a água, sabendo que morreria, o que você queria mais do que tudo?”

“- Ar!”, respondeu o jovem, amuado.

“- Muito bem”, disse o mestre. “- Vá para sua casa, e quando você souber ansiar por um Deus tanto quanto você acabou de ansiar por ar, pode voltar a me procurar.”

Parábola: Natureza

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: Natureza

Dois monges estavam lavando suas tigelas no rio quando perceberam um escorpião que estava se afogando. Um dos monges imediatamente o pegou e o colocou na margem. No processo ele foi picado.

Ele voltou para terminar de lavar sua tigela e novamente o escorpião caiu no rio. O monge salvou o escorpião e novamente foi picado. O outro monge então perguntou:

“Amigo, por que você continua a salvar o escorpião quando você sabe que sua natureza é agir com agressividade, picando-o?”

“Porque,” replicou o monge, “agir com compaixão é a minha natureza.”

Parábola: A Mão de Mokusen

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: A Mão de Mokusen

Mokusen Hiki vivia em um templo na província de Tamba. Um de seus seguidores falou da mesquinhez de sua própria esposa.

Mokusen visitou a esposa do seguidor e lhe mostrou seu punho cerrado diante de seu rosto.

- O que você quer dizer com isso? – Perguntou a mulher, surpresa.

- Suponhamos que meu punho fosse sempre assim. Como você o chamaria? – Ele perguntou.

- Deformado. – Respondeu a mulher.

Então ele abriu sua mão completamente diante do rosto dela e perguntou:

- Suponhamos que fosse sempre assim. O que seria?

- Um outro tipo de deformação. – Disse a esposa.

- Se você compreende isso – Concluiu Mokusen – você é uma boa esposa.

Ele então partiu.

Depois de sua visita, essa esposa entendeu o erro que cometia.

Parábola: Certo e Errado

quarta-feira, março 21st, 2007

Parábola: Certo e Errado

Quando Bankei realizava semanas de retiro de meditação, estudantes de muitas partes do Japão compareciam.

Durante um desses encontros um estudante foi pego de surpresa roubando. O assunto foi relatado a Bankei com a solicitação de que o estudante fosse expulso. Bankei ignorou o caso.

Mais tarde o estudante foi pego em ato semelhante, e mais uma vez Bankei desconsiderou a questão. Isto irritou os outros estudantes, que redigiram uma petição pedindo o afastamento do ladrão, afirmando que caso contrário eles iriam embora do grupo.

Quando Bankei leu o pedido, convocou todos para comparecer à sua presença.
- Vocês são sábios – disse ele – Vocês sabem o que é certo e o que é errado. Vocês podem ir para algum outro lugar para estudar se quiserem, mas este pobre irmão não sabe nem mesmo distinguir o certo do errado. Quem lhe ensinará seu eu não o fizer? Vou mantê-lo aqui mesmo que todos vocês partam.

Uma torrente de lágrimas limpou o rosto do irmão que tinha roubado. Todo o desejo de roubar havia desaparecido.