Kata (por Helio Arakaki)

9 de Agosto de 2010 @ 17:45 por Carlos Camacho

Muitas são as definições que se fazem a respeito do Kata. Comumente é definido como uma seqüência de movimentos de ataque e defesa onde se enfrenta adversários imaginários a partir de uma seqüência predefinida. Trata-se de uma prática individual cujos resultados se refletem no desenvolvimento de muitas qualidades essenciais no Karate, como: força, kime (explosão), ritmo, equilíbrio, coordenação entre as técnicas de defesa e ataque, concentração, respiração coordenada com os movimentos etc.

Existem conceitos que colocam o Kata num nível transcendente. Mestre Sagara, em relação aos Katas do Karate Shotokan, nos chamava a atenção de que os primeiros Heians (cinco katas básicos) iniciavam sempre para a esquerda, o lado que representa o aspecto espiritual. E que após o domínio do Katas Heians iniciamos na prática dos três Katas Tekki, sendo que todos estes se iniciam pela direita, o aspecto material. Esta observação confirma o quinto item dos vinte ensinamentos (Niju-kun) do mestre Funakoshi em que ele declara: Gijutsu yori shinjutsu, ou seja, “O espírito é mais importante do que a técnica”.

Concluindo o pensamento do Mestre Sagara, ele nos afirmava que após termos dominados os kata da série Heian e Tekki, iniciamos na prática dos Katas superiores que possuem as mais variadas formas de se iniciar, para os lados, para frente ou para trás, neste estágio avançado realizamos a síntese, a unidade entre a mente e o corpo, o corpo e o espírito, o homem e a totalidade.

Do professor Yasuyuki Sasaki ouvi a definição de que se trata de um diálogo com os Mestres. No meu entendimento, a prática do kata nos habilita a compreender o significado mais profundo do karate, uma vez que o kata é um legado, uma criação de muitos mestres que os desenvolveram a partir de muita dedicação, estudos e visões próprias. Com se afirma no Zen, a prática, e não as especulações racionais, é o caminho para a compreensão da Verdade.

Helio Arakaki - Muryokan.com.br

Papel de Parede

3 de Abril de 2010 @ 10:08 por Carlos Camacho

Há algum tempo lembro-me que tive um dia bem diferente de todos os outros. Acordei de madrugada, providenciei uma mochila com meu kimono e uma faixa branca, e dirigi-me para um bairro chamado Casa Verde aqui em São Paulo.

Meu destino era um dojo de um Sensei de Aikido para realizar a minha primeira aula. Cheguei antes do Sensei, ainda estava escuro… com o nascer do sol o Sensei chegou para abrir o Dojo. Enquanto conversávamos e ele preenchia meu cadastro, os demais alunos começavam a chegar.

Lembro-me que na primeira vez que adentrei o Dojo, não pude deixar de perceber a beleza de um quadro na parede. Era uma pintura que foi dada de presente ao Sensei por um de seus alunos.

O quadro retratava uma cena do filme O Último Samurai que ficou eternizada na mente de apaixonados por artes marciais. Que bela lembrança!

Abaixo estou disponibilizando um link com essa imagem em tamanho bom o suficiente para colocá-la como papel de parede do seu computador.

Clique aqui e a imagem se abrirá numa nova janela.

Abraços.

Evento solidário

1 de Março de 2010 @ 14:33 por Carlos Camacho

Ontem visitei o Ginásio de Esportes de Taboão da Serra para prestigiar um treino de Shiai Kumite ministrado pelos professores João Matos, Manoel Carlos e Manoel Lopes.

Para participar do evento foi necessário colaborar com 1kg de alimento não perecível. A arrecadação de alimentos será destinada à instituições de caridade.

O slogan do evento foi “Venha aperfeiçoar sua técnica e ajudar quem precisa”.

Como admiro quem se importa com o próximo, escrevo esse post para parabenizar os professores organizadores bem como todos os karatecas e familiares que prestigiaram o evento. Meu sincero desejo é que eventos com esses ideais ocorram sempre.

Oss!

Às vezes dói bastante, mas nunca desista!

21 de Fevereiro de 2010 @ 10:00 por Carlos Camacho

Ontem passei por uma experiência marcante…

Foi a primeira vez que autorizei um de meus alunos a treinar junto ao Sensei Ramon - meu Sensei.

Como a solicitação partiu da minha aluna Liliane - Faixa Verde - considerei o pedido e o levei ao conhecimento de Sensei Ramon, que autorizou sua participação.

Fiquei um pouco aflito no momento do Jyu Kumite, pois a Liliane não havia vivenciado isso antes. Meu Dojo segue a linha tradicional, então alguns conceitos dentro do Karate-Do só são passados no seu devido tempo.

Foi surpreendente vê-la suportar o desgaste físico e ter permanecido firme até o fim da aula. Isso demonstra a criação do espírito de esforço, item importante do Dojo-Kun.

Assim como foi uma excelente experiência para mim, com o tempo espero que ela reconheça que é somente através dos treinos árduos que evoluimos de verdade.

Lembro-me quando eu era colorida, na verdade lembrei-me da fase em que era faixa roxa… No início era difícil compreender essa evolução pois as dores pelo corpo tinham a exclusividade da minha atenção… :) Cheguei a pensar em desistir do Karate diversas vezes.

Mas felizmente tive perseverança e o tempo mostrou-me os benefícios que essa arte pode proporcionar ao ser humano. E como diria Gilberto Gil: Tudo isso é lindo!

Oss!

Karatê na TV

21 de Janeiro de 2010 @ 16:19 por Carlos Camacho

Para começar 2010 com o pé direito disponibilizarei um material muito interessante onde fala-se sobre o significado do “Do” nas artes marciais, sobretudo no que se refere ao Karate-Do.

Parte I (.wmv 38MB)

Parte II (.wmv 31MB)

Fonte: TV ALERJ. Clique aqui e veja as matérias no próprio site.

Até breve…

Quando um mestre fala…

10 de Dezembro de 2009 @ 18:57 por Carlos Camacho

“Há uma pintura de apenas uma estrada solitária, feita por um pintor chamado Higashiyama Kaii. Além desta, há também uma fotografia que vem a minha mente na qual também aparece uma única estrada no plano particular em que ela foi tirada. Eu nunca me canso de ver essas estradas que conduzem ao desconhecido sem um final visível.

Dependendo de como você lê a palavra (Estrada / Caminho), Michi ou Do respectivamente, o conceito pode ser aprofundado.

Michi é um local físico onde uma pessoa ou um carro podem ir e vir, mas é também um estado mental que conduz uma pessoa a buscar a verdade, um conceito que as pessoas devem proteger. Eu também quero falar sobre o Do de Bushi-Do. No Japão o Bushi-Do primeiramente se desenvolveu na Era Kamakura (1185–1333), e recebeu a influência do pensamento Confucionista no Período Edo (1603-1868), e finalmente se tornou o Bushi-Do atual com sua coleção de princípios éticos que nos influencia até hoje.

Na vida, devemos valorizar o espírito de lealdade, sacrifício, fé, humildade, boa conduta, inocência, simplicidade, modéstia, espírito de luta, honra, afeição, etc. Essas são as virtudes de um Samurai ou de toda a pessoa de bem, e essas virtudes residem na atitude e na capacidade de cada um. No velho livro, Hagakure, há uma passagem que diz “Bushi-Do é para morrer”. Em outras palavras, o Samurai irá buscar a justiça até a morte. É importante trabalhar seriamente e apaixonadamente no dia a dia para ser um Samurai. Isto é Bushi-Do.

As artes militares se referem à guerra, e ensinam a estratégia para conquistar o outro lado através do conflito. Estudar os treinamentos das antigas artes militares do Japão, procurando seus segredos através de treinamento mental árduo, e desenvolver o seu modo de vida a partir da arte por ela mesma até o “Michi”. É isto que se pode alcançar nas Artes Marciais de hoje.

Entre os que abriram o caminho para a nova era das Artes Marciais estão Jigoro Kano Sensei do Judo, Morihei Ueshiba do Aikido, e Gichin Funakoshi do Karate. Este caminho pode ser explicado como uma rota para um destino aonde nossos antecessores já chegaram através do treinamento rigoroso. É como uma coleção de pegadas que conduz em direção ao alvo. Dê dois passos a frente, e um para traz, e então mais dois passos à frente e novamente um passo para traz, nesta ordem. Os esforços feitos através do treinamento e a resistência ao avanço e ao recuo são importantes. A partir dai o Caminho (DO) não esta a sua frente, mesmo se você estiver se movendo para frente, a resposta está na estrada que se abriu atrás de você.

A Profundidade e o conceito de “Michi” são decididos pelo número de passos que uma pessoa dá, dependendo se muitos ou muito poucos. É importante, quando se chega a certo ponto, virar-se e refletir sobre o ponto inicial da Estrada (Michi), e só então avançar novamente, para sempre lembrar a intenção original do Caminho.

A Estrada conduz ao desconhecido.

Não há um final.”

Hirokazu Kanazawa 10º DAN
(Junho / 2009 – 43º. Annual Master Camp ISKF – Camp Green Lane PA USA)
Tradução: Rubem Cauduro ALNKK
Fonte: http://www.iskf.com.br

Amizades reais

4 de Dezembro de 2009 @ 14:24 por Carlos Camacho

No último domingo fui honrado com o convite para acompanhar um evento de Karate no CEU Campo Limpo. Aproveitei e convoquei o Sensei Ramon e os amigos Tiago e Marcelo.

Foi muito bom poder presenciar o trabalho de divulgação que está sendo realizado gratuitamente naquele espaço. Fico feliz pois isso demonstra que existem mais pessoas comprometidas em divulgar e vivenciar o Karate-Do.

Sensei Wili, muito obrigado pelo convite. Não é preciso dizer mas saiba que estou à disposição para auxiliar nas futuras atividades de Karate-Do realizadas sob sua coordenação.

Oss!

Virtual vs. Real
Um fato curioso é que nesse encontro conheci pessoalmente o Sensei Wili e o karateca Yan (Faixa marrom). Já conhecia ambos “virtualmente” no Orkut há algum tempo (anos). É interessante constatar a força que as redes sociais exercem nas nossas vidas. Amizades nascem no mundo virtual e algumas vezes, como neste caso, são transpostas para o real. Sem dúvida não há como negar a influência da Internet no nosso dia-a-dia… Um exemplo disso é você, que está lendo esse post agora. Se não fosse a Internet para tornar esse blog disponível para o mundo inteiro, provavelmente você não saberia que o Sensei Wili ministra treinos de Karate-Do gratuitamente no CEU Campo Limpo…

Makiwara: Use com moderação

26 de Novembro de 2009 @ 13:59 por Carlos Camacho

Hoje por volta das 6 horas da manhã (5 horas se desconsiderarmos o horário de verão) eu tive a bela experiência de socar cem vezes um makiwara.

A seguir temos uma imagem exemplo do que é um makiwara.
Makiwara

Desde criança quis ter o meu próprio makiwara… Lembro-me que certa vez (devia ter uns dez anos) peguei uns três sacos de batata; coloquei-os um dentro do outro; usei um lençol velho no seu interior e enchi de areia; Amarrei a boca do saco e o pendurei numa madeira que servia de sustentação para o telhado do quintal lá de casa… Tinha desenvolvido o meu primeiro saco de areia. Esse aí apanhou muito hein?! rsrs

Brincadeiras à parte, é preciso ter cuidado quando se usa um equipamento para desenvolvimento da força. O esforço repetitivo pode causar lesões então é preciso alguns cuidados, especialmente quando estamos falando do makiwara.

1) Se uma criança se aventurar a usar o makiwara, haverá um stress da estrutura óssea, músculos, tendões, ligamentos… isso certamente vai ocasionar problemas ortopédicos severos. Os ligamentos podem ficar frouxos, originando hérnias da cápsula articular nos ligamentos das articulações ósseas e calosidades. Em outras palavras, costumo dizer que “vai dar groselha”!

2) O ideal é iniciar o uso do makiwara na fase adulta. Mesmo assim é preciso estar atento pois algumas deformações que não percebemos no início do treinamento podem se agravar e gerar problemas de coluna devido à posturas quase sempre incorretas.
Existem vários karatecas com calos no seiken (punho) e problemas no cotovelo. Não pense que é bonito ter um seiken calejado, isso é um problema de lesão ocasionado por treino indevido. Lembre-se que treino indevido compromete a sua saúde.
O Karate-do que treinamos hoje visa nos trazer saúde, não tirá-la.

3) Fatalmente haverá contrações repetidas de grupos musculares específicos no uso do makiwara. Se o seu filho é karateca e no Dojo ou academia onde ele treina existe makiwara, você como pai deve certificar-se de que o professor é um profissional competente. Isso evitará problemas futuros.

4) Jovens karatecas geralmente adquirem lesões por conta própria. Quero dizer que geralmente constroem um makiwara em casa e descem a porrada na madeira.
É uma busca (posso chamar de fé) da perfeição, onde o karateca acredita que socando o makiwara cada vez mais forte o levará a melhoria de técnica e aumento da força.
A longo prazo, a aplicação dos efeitos da técnica incorreta favorecerá a lesão deste karateca.

5) Como já citado, nunca permitir que uma criança tenha um makiwara em casa. Tudo bem que devemos estimular o gosto pelas artes, mas é importante que a estrutura ósseo muscular já esteja completamente desenvolvida antes de iniciar atividades como essa.

Prestando atenção nestas dicas acredito que o amante do Karate-Do sofrerá menos lesões durante o seu Caminho.

Nota: Enquanto socava o makiwara hoje cedo, estava sendo observado pelo Sensei Edson Nakama.
Aproveito para agradecer o carinho com o qual fui recebido pela família Seidokan.

Oss!

Eles vão e vem…

8 de Novembro de 2009 @ 08:25 por Carlos Camacho

Em uma de nossas conversas, meu Sensei disse-me que a missão de ensinar Karate não é fácil…

Você dedica uma vida em prol disso tudo e às vezes seu melhor aluno te abandonará. Às vezes você se surpreenderá pois anos mais tarde este aluno poderá voltar a treinar… É preciso estar com o espírito em paz e atentar para não ficar frustrado nessas ocasiões. Continue, siga seu caminho.
O Karate é assim mesmo… alguns enxergam nele um Caminho a ser seguido, outros nunca o reconhecerão como tal. Sabemos que não é um caminho suave, e poucos estarão dispostos a caminhar lado a lado com você.
Sensei Ramon Cabrera.

Agradeci os ensinamentos do Sensei mas desta vez fui pra casa pensando…
Será?! Será que isso um dia vai realmente acontecer comigo? Meus alunos moram todos do lado do Dojo e eu sempre encontro eles na rua… acho que talvez seja pequena a probabilidade da desistência de um aluno antigo.

É… eu estava redondamente enganado. E a experiência do Sensei como sempre falou mais alto.

Relatarei abaixo uma breve história relacionada a tudo isso.

Certa vez, um de meus melhores alunos disse que precisava conversar comigo…

Como a aula já estava para começar, perguntei-lhe se poderíamos conversar após o treinamento… ele concordou.

Acabado o treino ele - um de meus melhores alunos - veio até mim:

- Sensei, minha família se mudará de Estado em duas semanas e eu irei também.

O aluno me explicou o motivo da mudança e eu o apoiei. Ele tinha um avô em Pernambuco que estava com a saúde debilitada devido a idade. Então a filha deste homem (mãe do meu aluno) decidiu largar tudo e ir conviver ao seu lado durante o tempo que ainda lhe restava.

Essa nossa despedida ocorreu em dezembro de 2008.

Ontem fiquei surpreso ao rever este aluno no Dojo. Feliz por conhecer sua dedicação ao treinamento e saber que treinará com afinco; Triste por ter a certeza de que ele perdeu um ente querido.

A vida é assim… um ciclo. Em momentos de dor chegamos a pensar que isso só ocorre conosco, só ocorre com as pessoas que amamos… Questionamos os propósitos de Deus.

A verdade é que essa é a natureza. Nascer, crescer, desenvolver-se, reproduzir-se para a perpetuação da espécie, morrer. É um ciclo natural… o ciclo da vida.

Para nós ocidentais é difícil aceitar a morte. Um budoka, aquele que segue o caminho do guerreiro, aprende a ter outro ponto de vista sobre a morte. Mas enfim, esse post não é para discutir sobre morte, mas sim sobre a vida.

Rafael, seja bem-vindo novamente ao Dojo Shotokaikan. É uma honra para nós termos você em nosso convívio. Estávamos com saudades!

O ambiente de treino fica muito melhor com sua presença. Quando um karateca treina com toda a sua vontade, os demais karatecas são contagiados por esse espírito. E é justamente assim que deve ser a postura de um karateca… sempre… em cada aula… em qualquer atividade. Dar o melhor de si em tudo o que fizer, buscando superar-se a cada instante. Esse é o espírito do guerreiro.

Temos muito trabalho pela frente.. Então até a próxima aula! :)

Um forte abraço em nome de todos do Dojo Shotokaikan,

Carlos Camacho.

Saber esperar

2 de Novembro de 2009 @ 23:53 por Carlos Camacho

Recebi um convite de meu Sensei pra realizar exame de Shodan para Nidan. (1o. Dan para 2o. Dan)
Recusei o convite.
O exame seria agendado para dezembro/2009.
Acredito que para um exame de graduação, o karateca deve estar consciente de que está em plenas condições pra realizá-lo.
Este ano foi um ano de muita luta pra mim, principalmente no que se refere aos estudos acadêmicos. A dedicação aos estudos fez com que minha dedicação ao treinamento não fosse como eu gostaria.
Meu Sensei disse que o fato de eu ser dedicado aos meus alunos conta muito no exame, etc. Mas eu acho que tecnicamente posso melhorar um bocado quando voltar com a frequencia do treinamento.
Concluindo: não me julgo apto para o exame.
O exame deve ser um evento de comum acordo entre o mestre e o aluno. Se um dos dois considerar que o momento não é oportuno, o exame deve ser adiado.

Oss!